Empresa Servan garante que continuará atendimentos mesmo com débitos acumulados e sem garantia de pagamento.
A Servan Anestesiologia de Campo Grande informou que está cumprindo a decisão judicial que determina a manutenção dos serviços de anestesiologia na Santa Casa de Campo Grande por mais 45 dias.
Em nota à imprensa, a empresa afirmou que continuará atendendo os pacientes durante o período estabelecido pela Justiça, apesar dos atrasos nos pagamentos pelos serviços prestados ao hospital.
Segundo a Servan, os profissionais estão sem receber pelos plantões desde junho de 2026. A empresa afirma que comunica formalmente a situação à Santa Casa desde o início de setembro, quando também alertou sobre a necessidade de planejar a transição do serviço para evitar problemas na continuidade dos atendimentos.
A manifestação ocorre após a Justiça determinar que a Servan e a Sedar (Serviço Especializado em Anestesiologia e Dor) mantenham os serviços no hospital por 45 dias.
A decisão, assinada pelo juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, busca garantir tempo para que a administração provisória da Santa Casa encontre profissionais para substituir as equipes atuais.
Na nota, a Servan destacou que já havia decidido permanecer no hospital por mais 30 dias antes mesmo da ordem judicial. A decisão foi tomada em assembleia realizada em 1º de outubro, após pedido da Secretaria de Estado de Saúde, segundo a empresa.
Na ocasião, a continuidade dos atendimentos foi anunciada justamente na data em que estava previsto o encerramento do contrato. A empresa, no entanto, afirma que aceitou permanecer sem qualquer garantia de recebimento dos valores atrasados ou dos pagamentos pelos serviços que continuaria prestando.
Apesar das dificuldades financeiras, a empresa declarou que manterá o compromisso com a assistência aos pacientes durante o período determinado pela Justiça.
Impasse começou em setembro - A crise entre a Santa Casa e as empresas de anestesiologia se tornou pública em setembro, quando a Servan notificou formalmente o hospital sobre a intenção de encerrar o contrato em 1º de outubro.
Na comunicação, a empresa alegou que os honorários médicos estavam sem pagamento desde maio, embora os profissionais continuassem trabalhando, inclusive durante noites, finais de semana e feriados.
Posteriormente, ao anunciar a permanência temporária, a Servan informou que a inadimplência ultrapassava três meses. Na manifestação mais recente, a empresa afirmou que não recebe pelos plantões desde junho.
A situação também envolve a Sedar, que havia comunicado o encerramento de suas atividades em 30 de setembro e informado não dispor de profissionais suficientes para assumir sozinha a demanda atendida pela Servan.
Em 1º de outubro, a administração provisória do hospital, comandada por Luiz Alberto Hiroki Kanamura, acionou a Justiça para obrigar as duas empresas a manter os serviços por pelo menos mais 45 dias.
Ordem judicial prevê multa - Ao analisar o pedido, o juiz considerou que a interrupção dos serviços de anestesiologia poderia comprometer as atividades cirúrgicas da Santa Casa, incluindo procedimentos programados e atendimentos de urgência e emergência.
A decisão estabeleceu que o hospital mantenha, no mínimo, 14 anestesiologistas durante o dia e oito à noite e nos finais de semana. O prazo de 45 dias começa a contar a partir da intimação das empresas.
O magistrado ressaltou que a decisão tem caráter temporário e não resolve a discussão sobre os valores devidos às empresas nem sobre a validade das rescisões contratuais.
A medida busca impedir que a dificuldade de contratação de novos anestesiologistas comprometa o funcionamento do hospital enquanto a administração provisória procura uma solução para a continuidade dos serviços.
A Santa Casa ainda precisa organizar a substituição das equipes, estruturar as escalas e garantir profissionais suficientes para atender à demanda hospitalar, especialmente nos setores que dependem de anestesia para cirurgias, procedimentos obstétricos e exames.
Com a manifestação, a Servan reafirma que cumprirá a determinação judicial durante os 45 dias, mas condiciona a solução definitiva do impasse à regularização dos pagamentos pendentes e à garantia de condições adequadas de trabalho para os médicos.
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