Uma caminhada pelo centro histórico de Florianópolis, Santa Catarina, revela uma cidade que vai além dos cartões-postais.
- 📍 Endereço: Av Angélica, 2925, 9 andar, Consolação, São Paulo/SP.
- 📘 Facebook: https://www.facebook.com/share/1C8kGEmSQj/?mibextid=wwXIfr.
- 📍 Endereço: Praça XV de Novembro, 227, Centro, Florianópolis/SC.
Afroturismo transforma cultura e história em negócio.
Durante o percurso, a guia de turismo e turismóloga Bia Pimentel apresenta aos visitantes histórias e personagens negros que ajudaram a construir a capital catarinense, mas que muitas vezes ficaram fora dos roteiros tradicionais.
A experiência faz parte de um mercado em expansão: o afroturismo. O segmento reúne iniciativas que valorizam a história, a cultura e a ancestralidade negra por meio de passeios, hospedagens, eventos e experiências culturais.
A ideia surgiu há dez anos, depois que o empresário Carlos Humberto enfrentou situações de discriminação durante viagens e até mesmo dentro do próprio imóvel, que alugava para turistas.
Em uma das experiências, ele conta que um casal se recusou a se hospedar no local ao descobrir que o anfitrião era negro.
Eu entendi ali não como uma dor, mas como uma oportunidade de olhar para o mercado do turismo de uma maneira a revisitar a experiência de oferta e de qualificação", afirma.
A partir dessa percepção, Carlos reuniu sócios e criou uma plataforma voltada à promoção de experiências ligadas à cultura negra. O projeto cresceu e hoje reúne mais de 800 fornecedores cadastrados, com atividades em 145 cidades e alcance internacional.
O afroturismo é o mercado econômico dentro do turismo, desenvolvido por e com a população negra, mas que não é exclusivo para a população negra. Pelo contrário: são empreendedores negros que desenvolvem negócios de turismo, e é um mercado que se abre a qualquer pessoa", diz o fundador.
O modelo funciona como um marketplace. Guias, produtores culturais, hospedagens e operadores turísticos anunciam seus serviços na plataforma, enquanto a empresa realiza a curadoria das experiências e recebe uma comissão sobre as vendas.
Segundo Haroldo Nascimento, diretor comercial e de marketing, a seleção dos parceiros é uma das etapas mais importantes do negócio.
A curadoria é a parte mais importante hoje do nosso negócio. A gente olha para a qualidade do anúncio, para o roteiro e também para o guia que está fazendo essa experiência", explica.
A operação atende viajantes em 18 países.
Além dos números, os fundadores destacam o impacto social da iniciativa. A proposta é ampliar o acesso a histórias que muitas vezes foram invisibilizadas e, ao mesmo tempo, gerar renda para profissionais que atuam na preservação e divulgação desse patrimônio cultural.
Em Florianópolis, Bia afirma que a plataforma ajudou a ampliar o alcance do seu trabalho. "Através dessa plataforma a gente conseguiu centralizar os nossos tours, diversificar as opções de produtos e serviços e ampliar principalmente o público-alvo", diz.
Para Carlos, o objetivo vai além do turismo. "Mais que o resgate, a ideia é abrir esse conhecimento ao mundo. Um conhecimento que muitas vezes foi invisibilizado, foi camuflado e ficou restrito somente a pessoas negras.
A engrenagem do negócio é simples: a história vira roteiro, o roteiro entra na plataforma e a plataforma conecta o público a quem preserva e conta essas narrativas.
O resultado é um ecossistema que movimenta guias, artesãos, músicos, cozinheiros e pequenos empreendedores em diferentes regiões do país, transformando ancestralidade em oportunidade econômica.
Em números
- Após sofrer racismo, empreendedor cria plataforma de turismo que fatura R$ 4 milhões por ano
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…