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Médico que montou 'apartamento' em hospital do PR permanece com salário 3 meses após ser afastado do cargo

Rodrigo Felipe Amparado foi afastado das atividades em julho deste ano, um mês após ser preso. Salário consta como pago em todos os meses seguintes. Prefeitura

5 min de leitura
Médico que montou 'apartamento' em hospital do PR permanece com salário 3 meses após ser afastado do cargo

O médico Rodrigo Felipe Amparado foi afastado do cargo em 8 de julho, depois de montar um quarto em um centro cirúrgico desativado do Hospital Municipal de Itaúna do Sul, no Norte do Paraná.

  1. Quarto em centro-cirúrgico; veja fotos.

Entenda a investigação sobre médico que montou 'apartamento' em hospital do PR.

Até esta quinta-feira (16), conforme o Portal da Transparência, ele permaneceu recebendo o salário normalmente.

Ele é réu pelos crimes de ameaça, dano emocional à mulher, perseguição, tortura e peculato. Segundo o Ministério Público (MP-PR), além de usar o local de forma irregular, o médico também ameaçava funcionários que contrariavam as decisões dele.

A promotora de Justiça Marina Campos Corrêa informou à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, que "todo mundo tinha realmente muito medo dele". Em um dos casos, Amparado chegou a ameaçar torturar a filha e matar o marido da secretária de Saúde.

A defesa dele informou ao g1 que "todas as determinações judiciais relativas ao caso estão sendo devidamente cumpridas, em estrita observância às decisões proferidas pela Justiça.

O médico foi preso preventivamente no dia 17 de junho. O Departamento de Polícia Penal do Estado do Paraná (Deppen) confirmou ao g1 que o regime fechado foi substituído pela medida cautelar de tornozeleira eletrônica no dia 4 de julho.

Em nota enviada ao g1, a Prefeitura de Itaúna do Sul confirmou que Amparado permanece recebendo o salário. Como justificativa, disse que o município segue a determinação judicial e não uma decisão de livre escolha.

A Prefeitura de Itaúna do Sul informa que o médico e servidor municipal Rodrigo Felipe Amparado permanece afastado de suas funções, por tempo indeterminado, em cumprimento a determinação judicial.

A apuração administrativa relacionada ao caso também segue regularmente em curso.

A remuneração legalmente devida ao cargo efetivo continua sendo paga por obrigação jurídica, e não por decisão discricionária do Município. Conforme entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal, o afastamento cautelar em razão de processo criminal não autoriza a supressão dos vencimentos antes de decisão definitiva.

O Município permanece cumprindo rigorosamente as determinações judiciais e adotando as providências administrativas cabíveis, com responsabilidade, transparência e respeito à legalidade.

O g1 procurou o MP e o questionou sobre esta decisão. Entretanto, foi informado que "em razão do sigilo judicial, não é possível fornecer informações detalhadas sobre o caso, incluindo questões relativas às medidas cautelares, à situação funcional do réu e à remuneração, nem antecipar informações sobre as próximas etapas processuais.

Rodrigo também atende no Hospital Municipal de Nova Londrina. No caso desta segunda cidade, não há informações sobre irregularidades ou crimes. Ele permanece recebendo salário da unidade e consta como afastado por atestado médico.

Navegue nesta reportagem para entender o que se sabe sobre o processo.

Denúncias contra o médico e a esposa.

A investigação contra Rodrigo começou depois que o MP recebeu denúncias de servidores municipais, que relataram a apropriação do cômodo para fins particulares e as ameaças que eles estavam sofrendo.

A apuração foi realizada entre março e maio de 2026.

Em depoimentos colhidos durante a investigação, o MP apurou que Rodrigo instaurou "um ambiente de constantes arbitrariedades, submetendo uma das vítimas a ameaças, humilhações, perseguições e vigilância permanente.

O MP divulgou que a secretária municipal de Saúde de Itaúna do Sul iniciou medidas para corrigir parte das irregularidades identificadas. Entretanto, o médico passou a perseguir a mulher e os familiares dela.

[...] ele teria ameaçado torturar a filha da secretária e matar seu marido, chegando, em uma das ocasiões, a exibir uma arma de fogo na cintura ao procurar o familiar da vítima", disse o MP.

Além disso, ele é investigado por tortura contra criança e adolescente. Os detalhes sobre este crime não foram divulgados.

Maiara, como a esposa de Rodrigo foi identificada, também é ré por peculato, prevaricação e tortura. Ela, que atuava como diretora do Departamento de Enfermagem, usava o quarto montado pelo marido para dormir com ele no local durante os plantões.

Ela foi exonerada do cargo no dia 29 de junho.

🔎A prevaricação ocorre quando o servidor público realiza ato contra a lei para satisfazer o próprio interesse. Já o peculato é quando o servidor se apropria de um bem móvel — público ou particular, concedido a partir do cargo que ocupa — para o proveito próprio ou de terceiros.

Médico fez quarto em centro cirúrgico.

De acordo com o MP, Rodrigo montou um quarto em uma sala que era usada originalmente como um centro cirúrgico e estava desativado. No cômodo, foram instalados uma cama, um guarda-roupas e uma televisão.

Enquanto isso, os outros médicos usavam uma sala compartilhada.

A informação sobre a apropriação chegou ao MP junto com as denúncias dos servidores sobre as ameaças.

Além dos móveis, ele guardava camisetas, cobertores e outros itens pessoais. Até mesmo uma toalha com o nome dele bordado e um massageador foram encontrados.

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