O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, prestou depoimento nesta 6ª feira (28.ago. 2026) à PF (Polícia Federal). Vorcaro negou que tenha pago propina aos ex-funcionários do Banco Central Belline Santana e Paulo Sérgio de Souza em troca de informações privilegiadas.
Lista completa
- 1ª fase (18.nov.2025) – Daniel Vorcaro foi preso pela 1ª vez em 17 de novembro de 2025, um dia antes de a operação ser deflagrada. Ele tentava deixar o Brasil. A ação cumpriu 7 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em 4 Estados e no DF. O ex-banqueiro foi solto em 29 de novembro.
- 2ª fase (14.jan.2026) – a PF realizou buscas em endereços ligados a Vorcaro. Foram apreendidos carros, relógios e dinheiro. Os valores bloqueados ou sequestrados na ação superaram R$ 5,7 bilhões. Tinha o objetivo de apurar o uso de fundos fraudulentos para maquiar os caixas do Master. Leia as íntegras das decisões que autorizaram a operação.
- 3ª fase (4.mar.2026) – Vorcaro voltou a ser preso. De acordo com a PF, o ex-banqueiro tinha um grupo que intimidava adversários e pagava propina para 2 funcionários do BC. No mesmo dia, Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, que trabalhava para fundador do Master tentou se matar enquanto estava sob a custódia da PF –ele morreu em 6 de março. Leia a íntegra da decisão que deu aval à ação.
- 4ª fase (16.abr.2026) – a operação da PF prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. É investigado por suspeita de permitir operações sem lastro com o Master. Segundo a Polícia Federal, Costa recebeu propina de Vorcaro em imóveis de luxo. Leia a íntegra da decisão que autorizou a ação.
- 5ª fase (7.mai.2026) – o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo. A PF cita o pagamento de propina de Vorcaro para o congressista –que negou. O relator do Master no STF, ministro André Mendonça, disse que a relação entre o político e o ex-banqueiro “extrapola a amizade”. Houve o bloqueio de R$ 18,85 milhões. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação.
- 6ª fase (14.mai.2026) – foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em SP, MG e RJ. O pai de Vorcaro foi preso. Era ele quem articulava o grupo de intimidação e espionagem do ex-banqueiro, de acordo com a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação.
- 7ª fase (19.mai.2026) – a PF deflagrou uma operação para apurar o vazamento de informações sigilosas ligadas ao Master. Mendonça mandou afastar um perito da corporação.
- 8ª fase (26.mai.2026) – o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) foi alvo de mandados de busca e apreensão. A ação apura a suspeita de crimes envolvendo o Master e o Rioprevidência. O total movimentado é de R$ 3 bilhões, segundo a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação.
- 9ª fase (18.jun.2026) – o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o empresário Augusto Lima foram alvos da operação. A defesa do congressista baiano acionou o STF para anular a ação. Pressionado, Wagner deixou o posto de líder do Governo no Senado em 24 de junho. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação (PDF — 256 kB).
- 10ª fase (9.jul.2026) – o empresário Thiago Miranda foi alvo de mandado de busca e apreensão. Os investigadores apuram esquema de monitoramento contra jornalistas que contrariavam os interesses de Vorcaro. Leia a íntegra da decisão (PDF – 261 kB).
Em depoimento à PF, fundador do Master disse que não houve “ato de corrupção” em pagamentos a Belline Santana e Paulo Sérgio de Souza.
O empresário falou pela 1ª vez em depoimento formal à polícia desde que retornou à prisão, em 4 de março. O objetivo dos investigadores era colher informações sobre a frente de investigações que busca esclarecer possível corrupção de agentes públicos em favor do Master.
Segundo as investigações, Belline Santana, que ocupava o cargo de chefe de departamento de Supervisão Bancária do BC, pode ter atuado como “consultor informal” de Vorcaro, revisando minutas de decisões e documentos do Master antes de serem enviados formalmente para a autoridade monetária.
De acordo com a PF, Vorcaro autorizou pagamentos a ele por meio de empresa de fachada, operada pelo cunhado, Fabiano Zettel.
Além de Santana, o chefe-adjunto do departamento do Banco também é investigado por atuar no esquema.
Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que o depoimento permitiu que fosse “assegurada a primeira oportunidade de se manifestar diretamente sobre alguns dos fatos investigados e de responder aos questionamentos e insinuações que vêm sendo levantados a seu respeito”.
Leia a íntegra do pronunciamento à imprensa (PDF – 300 kB).
O empresário negou que tenha atuado em “atos de corrupção envolvendo os servidores mencionados nas investigações em curso” e, segundo a nota, expôs disposição para esclarecer os fatos de forma “ampla” e “aprofundada”.
O depoimento de Daniel Vorcaro à PF foi adiado duas vezes. Na 5ª feira (27.ago. 2026), o empresário chegou a tentar participar da audiência online da PF, mas, devido a uma falha na conexão de internet, foi necessário adiar a oitiva.
As apurações sobre as fraudes no Banco Master estão no escopo da Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025.
A 1ª fase prendeu provisoriamente os principais executivos ligados à instituição liquidada pelo BC. Ainda em novembro, o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e o retorno dos investigados para casa.
O caso passou a tramitar no Supremo Tribunal Federal a partir de dezembro de 2025, sob o comando do ministro Dias Toffoli. O magistrado autorizou a 2ª fase em janeiro de 2026, mas deixou a relatoria em 12 de fevereiro.
André Mendonça assumiu. Vorcaro voltou a ser preso no início de março. Está detido na Papudinha.