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Política Revisado por ULTRA AI

Filho de idosos influencers, microempresário mineiro vai de Zema contra polarização

Daniel Oliveira votou em Bolsonaro, mas se decepcionou com a forma como ele lidou com a pandemia

4 min de leitura
Política — imagem padrão

Meia dúzia de perucas se amontoavam na estante da sala de estar. Cabelos curtos, longos, lisos, encaracolados, pretos, loiros, ruivos, verde-amarelos.

  • A série Eleitor, esse Desconhecido integra a cobertura especial das eleições deste ano do jornal. A Folha viajou pelo país ouvindo homens e mulheres sobre como a política entra no cotidiano de cada um.

A Folha adentrou aquele sobrado de um bairro de classe média de Belo Horizonte para entrevistar um eleitor de Romeu Zema (Novo), o que não foi fácil de encontrar.

Com 2% das intenções de voto para a Presidência, no mais recente Datafolha, o candidato mineiro tem desempenho melhor em Minas, mas não muito: 8% escolhem o político, que governou o estado de 2019 até março deste ano, quando renunciou para se dedicar à pré-campanha.

Daniel Matos Soares de Oliveira, 45, o zemista raro, chegou para a entrevista, e logo seus pais também vieram para a sala –o sobrado é do casal, e o filho mora com a mulher, sua filha de 2 anos e dois enteados adolescentes em uma casa nos fundos do terreno.

Hoje não é com ocês, não", brincou com os pais, em mineirês. "Desta vez, eu é que sou o famoso.

Tem muita gente viciada no trem. Como você dorme [se fizer o anúncio] pensando que alguém está sofrendo com isso?", diz Daniel.

Folha publica série com perfis de eleitores de todas as regiões do país.

Essa história começou na pandemia. Ramiro tem uma loja de couros em BH desde 1988 –vende matéria-prima para fabricantes de bolsas, calçados e roupas. Daniel trabalha com o pai desde os 16.

Quando o comércio precisou fechar em 2020, parecia o fim. Idoso e fumante, Ramiro teve que se isolar em casa e entrou em depressão. Daniel, formado em administração e com pós em marketing, recorreu às redes para alavancar as vendas da loja e fazer o pai se sentir melhor.

Diante das câmeras, Ramiro mostrou desenvoltura. Os vídeos passaram a brincar com as dificuldades de empreender. Em um deles, aparece preocupado, diante do computador, com o título "Abri minha empresa para ninguém me dizer: ‘Você tem 1 hora para comer’ (Agora eu não como).

Seu Ramiro nem tem celular. "O Luciano Hang já fez uma ligação de vídeo para o meu número, para falar com ele. Quando a gente desligou, meu pai perguntou: ‘Quem é esse careca?’", contou, rindo.

À Folha Daniel, que faz do roteiro à edição, fala sério: "A economia sempre é muito montanha-russa, mas, nos últimos tempos, está bem difícil. Eu sou pequeno, vendo hoje para pagar a compra de amanhã.

Apesar das dificuldades, ele não concorda com "gente que fecha empresa no Brasil para abrir em outro país com menos imposto". "Pô, vamos tirar um trem bom daqui para mandar para o Paraguai.

Para ele, é Zema quem pode melhorar a economia, reduzir os gastos do governo e valorizar o empreendedorismo. "Ele pegou o Governo de Minas com muito problema [nas contas públicas], que teve que resolver.

Funcionário público com salário sendo dividido, por exemplo", diz. "Também me identifico com o Zema porque ele tem empresas. E colocou muita escola técnica no interior, acho legal investir na educação.

E há um motivo central: "Tem que diminuir essa polarização, isso só prejudica.

Para ele, Zema é uma opção mais central à direita, com a qual se identifica. Receosos com ataques de haters, seus pais não declaram voto.

Na eleição passada, Daniel foi de Jair Bolsonaro, mas se decepcionou com "a questão do extremismo". "Ele gostava muito de enfrentar a imprensa, não tem essa necessidade", afirma.

O cara tinha o governo na mão, uma equipe de economia que eu achava top. Mas falava muita coisa... Pra quê.

Também critica sua atuação na Covid, "uma gripezinha", para o ex-presidente. "Eu perdi familiar, gente conhecida, e o jeito que ele falava deixava as pessoas muito incomodadas", afirma Daniel.

Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, votará em Flávio, "mesmo não achando que é o ideal". Conta que já sentiu na pele a polarização. "Na última eleição, em um churrasquinho com a turma do spinning, me perguntaram em quem eu ia votar.

Respondi Bolsonaro. Nossa... Eram eleitores do Lula e me chamaram até de burro, pararam de conversar comigo. Fiquei triste porque eu gostava deles.

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Fontes consultadas

  • Folha Poderlink

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