Os repasses estão no centro da investigação que levou a Polícia Federal a fazer buscas contra o parlamentar, a empresária e fornecedores nesta quinta-feira (10).
- Jovem Empreendedor: recebeu R$ 1 milhão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em 17 de fevereiro de 2025, para desenvolver materiais educativos e capacitar multiplicadores para trabalhar com crianças de escolas públicas. A execução estava prevista em Pirassununga, no interior de São Paulo.
- Lutando pela Vida: recebeu R$ 1 milhão do Ministério do Esporte, em 29 de outubro de 2025, para oferecer atividades de esportes de combate a 500 beneficiários também em Pirassununga (SP).
- Dinâmica Editora e Distribuidora de Livros: R$ 400 mil para kits de material pedagógico físico.
- Instituto Super Poder Educacional: R$ 300 mil para construção do kit pedagógico digital.
- MTS Assessoria e Consultoria: R$ 150 mil para manutenção da plataforma.
- LF&P Consulting Apoio Administrativo: R$ 80 mil, sendo R$ 50 mil para serviço jurídico e R$ 30 mil para contabilidade e apoio administrativo.
- Marcelo Machado 7 Comunica: R$ 50 mil para divulgação.
- Projetus: R$ 20 mil para consultoria.
Ação sobre 'Dark Horse' mostra desvio no destino de emendas parlamentares.
Os recursos foram transferidos pelos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação e do Esporte. Segundo a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou as buscas, auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram problemas nas contratações, na fiscalização e na comprovação das entregas.
No projeto educativo, a CGU apontou que os 250 multiplicadores não haviam sido capacitados e os 2. 250 estudantes previstos não tinham sido atendidos. No esportivo, os auditores identificaram pagamentos sem comprovação suficiente da entrega de materiais e da realização das atividades.
Os achados são reproduzidos na decisão judicial.
Os comprovantes do Portal da Transparência identificam o Instituto Conhecer Brasil como destinatário dos dois pagamentos. A decisão do STF confirma que ambos tiveram origem em emendas de Frias.
Educação digital: pagamentos concluídos e atividades pendentes.
O projeto Jovem Empreendedor previa a produção de materiais físicos e digitais e a formação de adultos e adolescentes para atuar como multiplicadores. O público previsto era de 250 multiplicadores e 2.
250 estudantes do 4º e do 5º anos do ensino fundamental.
Os pagamentos foram concluídos em fevereiro de 2026. Em relatório datado de 25 de maio daquele ano, porém, o instituto informou que ainda faltavam o treinamento operacional, a organização das turmas e a execução das atividades educativas.
No documento, a entidade declarou ter concluído a produção de 2. 500 kits físicos, implantado a plataforma digital e preparado o conteúdo pedagógico. Apresentou fotografias de materiais e telas da plataforma, mas informou que os comprovantes das atividades com as turmas seriam apresentados posteriormente.
O relatório atribuiu as pendências à necessidade de compatibilizar o cronograma com o calendário escolar e organizar as atividades com escolas e famílias.
Ministério negou prorrogação e emitiu parecer pela rejeição das contas.
A vigência do projeto terminou em 11 de janeiro de 2026. Segundo a decisão do STF, o instituto pediu mais 12 meses de prazo em 28 de maio, depois do encerramento.
A CGU apontou que, nesse pedido, a entidade reconheceu que ainda precisava articular a participação de escolas, mobilizar famílias, preparar espaços e realizar o atendimento das crianças.
Após o encerramento da vigência e do prazo para prestação de contas, o MCTI, em 18/05/2026, cobrou a apresentação da documentação pertinente. Em 28/05/2026, o ICB solicitou a prorrogação do Termo por mais 12 meses, alegando necessidade de ampliar atividades relacionadas ao projeto.
Consoante registra o Relatório de Apuração n.º 2007711, “no próprio pedido, o ICB informou que ainda seriam necessárias a articulação com unidades escolares, a organização das atividades no contraturno, a mobilização das famílias, a preparação dos espaços, a atuação dos multiplicadores e o atendimento das crianças”, asseverando que “a manifestação da entidade confirma, portanto, que não haviam sido capacitados os 250 multiplicadores nem atendidos os 2.
250 estudantes previstos”", aponta a decisão.
O MCTI negou a prorrogação em 2 de junho, porque a vigência já havia expirado. Em 9 de julho, a pasta emitiu parecer técnico pela rejeição das contas, por considerar que o objeto da parceria não havia sido cumprido.
O instituto foi notificado no dia seguinte e recebeu 30 dias para apresentar defesa e documentos complementares, conforme a decisão.
Na consulta ao Transferegov feita nesta quinta-feira, exibia os objetivos como alcançados “integralmente”, embora o relatório anexado pelo próprio instituto apontasse execução parcial das atividades educativas.
Aulas de luta: materiais pagos sem comprovação suficiente de entrega.
O projeto Lutando pela Vida previa atividades de esportes de combate para 500 beneficiários, distribuídos em dois núcleos de Pirassununga (SP).
Segundo a CGU, o pagamento foi feito integralmente em 26 de maio de 2026, sem comprovação contemporânea da entrega dos bens. Em julho, a fornecedora informou aos auditores que os materiais ainda estavam em fabricação e que nenhum dos itens faturados havia sido entregue.
No caso do ICB, a aquisição supostamente foi comprovada por meio da Nota Fiscal nº 575, que “abrangia 16 itens, entre eles quimonos, faixas, uniformes e 120 placas de tatame”, e foi paga integralmente em 26.
05. 2026 “embora o canhoto de recebimento não estivesse preenchido e não houvesse comprovação contemporânea da entrega dos bens.” A CGU destaca que tanto em resposta à circularização realizada em 03 de julho de 2026, como por ocasião da inspeção realizada em 06 de julho de 2026, a Pulsa Uniformes teria negado a entrega de qualquer dos itens faturados, aduzindo que eles permaneciam em fabricação", detalha a decisão.
O instituto, por sua vez, apresentou um termo de recebimento parcial segundo o qual os 120 tatames haviam sido entregues em maio.
800. Segundo a CGU, não havia controles que permitissem vincular os materiais encontrados à nota da Pulsa.
Comprovação das aulas também foi questionada.
Segundo a auditoria, o instituto não apresentou.
A entidade entregou fichas de matrícula, planilhas de frequência, fotografias e relatório parcial. Os auditores consideraram o material insuficiente: as fichas demonstravam inscrições, e as planilhas de frequência não tinham assinatura dos beneficiários.
Investigação sobre recursos públicos.
Karina Gama, produtora do filme 'Dark Horse', e o deputado Mario Frias (PL-SP) são alvos de ação da Polícia Federal, que cumpre mandados de busca nesta quinta-feira (10).
A operação Make Up foi deflagrada pela PF e pela CGU para apurar suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares. Foram anunciados 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
A suspeita é que recursos públicos tenham sido direcionados a empresas subcontratadas irregularmente, sem comprovação dos serviços. Os fatos estão sob investigação.
A frente supervisionada por Flávio Dino trata do possível uso irregular de dinheiro público destinado a entidades e empresas ligadas à produtora de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro (PL).
Em números
- Prazo para prestação de contas, o MCTI, em 18/05/2026, cobrou a apresentação da doc
- Em 28/05/2026, o ICB solicitou a prorrogaçã
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