Os republicanos ainda foram derrotados em estados historicamente vermelhos, que é a cor do partido de Trump, como no Texas, na Carolina do Sul, no Kansas, em Ohio e em Iowa.
No caso do Texas, fazia 38 anos que um democrata não se elegia pelo estado.
Pesquisas de opinião têm apontado que o resultado é uma rejeição à política de Trump na Casa Branca, que se envolveu pessoalmente na campanha nas últimas semanas.
A emissora NBC News escutou eleitores na boca da urna que culpam Trump pela piora em indicadores econômicos.
Preocupações com as políticas sobre Inteligência Artificial (IA), em que Trump defende que não haja regulação, também foram apontadas pelos norte-americanos como motivo para decidir o voto.
A guerra contra o Irã foi outro fator que levou os eleitores a rejeitar a política de Trump e dar a maior vitória aos democratas em décadas. “Sessenta e três por cento disseram que os EUA tomaram a decisão errada ao entrar com uma ação militar contra o Irã”, diz o levantamento.
A maioria dos eleitores (57%) disse ainda que suas políticas contra a imigração “foram longe demais”, e a corrupção foi outro fator “crucial” na decisão dos eleitores.
A professora de relações internacionais Camila Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explicou à Agência Brasil que as pessoas votaram em Trump esperando uma resposta a questões internas dos EUA, que não foram cumpridas.
Camila acrescentou que as pessoas têm que trabalhar em dois ou três empregos para chegar ao fim do mês, em um país onde a saúde é totalmente privatizada e requer altos gastos.
O professor de história da Universidade de Brown, nos EUA, James N. Green, destacou à Agência Brasil que o resultado é muito pior para os republicanos do que todos esperavam.
Para o especialista, a corrupção, que não estava entre as principais preocupações dos eleitores, ganhou importância nos últimos meses e durante a campanha.
O presidente dos EUA tem sido acusado de favorecer os negócios da família, incluindo suspeitas de manipulação no mercado de ações da bolsa, por meio de acesso a informações privilegiadas para especulação financeira.
O The New York Times ganhou o prêmio Pulitzer de 2026, um dos mais importantes prêmios jornalísticos do mundo, revelando “os conflitos de interesse e o enriquecimento ilícito desenfreados que assolam o governo Trump”.
O professor James N. Green comentou que, enquanto isso, Trump passava muito tempo falando sobre as reformas da Casa Branca. “As pessoas ficam revoltadas com isso porque o presidente está meio fora da realidade, meio perdido”, disse.
Na avaliação do professor de direito internacional da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Borba Casella, os abusos cometidos por Trump na Casa Branca, incluindo a guerra contra o Irã, foram decisivos para a derrota republicana.
A economia durante o governo do democrata Joe Biden (2020-2024) foi apontada como um dos fatores que levou à vitória de Trump em 2024. Dessa vez, o aumento no custo de vida dos estadunidenses parece ter se voltado contra o republicano.
A política de tarifas contra importações encareceu diversos produtos dentro dos EUA. Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, após o ataque de Trump contra o país persa, contribuiu para elevar os preços da gasolina e do diesel, com impacto em toda a economia.
O professor Paulo Borba Casella, da USP, disse ainda à Agência Brasil que a derrota dos republicanos é um recado para os governos de extrema-direita no mundo que têm políticas hostis contra minorias, contra liberdades e direitos fundamentais.
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