Quem abre uma conta no aplicativo da Vivo vê a marca da operadora de telefonia e internet. Já uma academia financiada pela Wellhub se relaciona com a plataforma de bem-estar.
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Por trás desses serviços, a infraestrutura financeira pode ser da mesma empresa: a QI Tech, que fornece tecnologia e operação regulada para outras companhias criarem produtos financeiros.
No caso da Vivo, a QI Tech permite oferecer conta, transferências, pagamentos e cartões com a identidade da operadora. Na Wellhub, processa operações de crédito destinadas às academias.
São duas formas de atuar em um mercado no qual o consumidor conhece a marca que o atende, mas nem sempre a instituição que sustenta a transação.
Para Pedro Mac Dowell, fundador e CEO, a infraestrutura para empréstimos e financiamentos é a principal frente: representa cerca de 45% da operação.
Infraestrutura financeira para conceder crédito.
O financiamento das academias pela Wellhub ajuda a mostrar como funciona o negócio de infraestrutura financeira. A plataforma coloca recursos em um fundo e contrata a QI Tech para processar os empréstimos.
A instituição formaliza a operação por meio de uma cédula de crédito bancário, desembolsa o dinheiro e depois cede o crédito ao fundo.
Assim, a empresa que quer financiar seus parceiros usa uma estrutura já montada para executar a operação. A QI Tech cuida da tecnologia, da infraestrutura e da parte regulatória.
Ao cliente cabe escolher para quem quer emprestar e definir o risco que pretende assumir.
Da identificação do cliente ao fundo.
A QI Tech organiza a operação em quatro unidades. A primeira faz identificação de clientes e prevenção a fraudes: verifica documentos, cruza informações e ajuda a confirmar quem está tentando abrir uma conta ou contratar um serviço.
Segundo o fundador, essa atividade representa cerca de 10% do negócio.
A segunda é o banking as a service, nome usado pela companhia para a infraestrutura de pagamentos e transações. É a frente que permite a uma marca oferecer contas, transferências e cartões.
A terceira é a infraestrutura de crédito, responsável pelos 45%. Por fim, a quarta unidade oferece serviços de administração e custódia de fundos, com foco em crédito, incluindo fundos de investimento em direitos creditórios, os FIDCs.
O objetivo é que uma companhia encontre no mesmo fornecedor as etapas necessárias a um produto financeiro: identificar o cliente, processar pagamentos, formalizar a dívida e manter o crédito em um fundo.
Dessa maneira, a QI Tech amplia a atuação dentro de cada operação contratada.
A tecnologia que permitiu mudar de escala.
Criada no fim de 2018, a QI Tech começou atendendo bancos e gestoras. Os clientes usavam uma plataforma para informar dados do tomador, valor, taxa e prazo. A partir daí, o sistema gerava os documentos, recebia a assinatura, liquidava a operação e fazia a cessão do crédito.
Em 2020, as fintechs ampliaram o mercado. Para atendê-las, a QI Tech usou APIs, conexões que permitem a troca automatizada de informações entre os sistemas das empresas.
Com isso, esses clientes puderam integrar suas operações à QI Tech sem preencher manualmente uma plataforma a cada contratação.
A marca que o consumidor vê continua sendo a do contratante. “Como a Vivo não é uma instituição financeira, não é um banco, ela precisa ter alguém por trás. Então, estamos por trás desses caras”, explica o fundador.
Crescimento exige segurança e novas frentes.
O aumento dos valores em trânsito trouxe outro desafio: proteger o dinheiro e os sistemas. Parte dos recursos captados com o GIC, em 2021, foi usada na aquisição de competências em identificação de clientes e prevenção a fraudes.
Ao mesmo tempo, a companhia desenvolve infraestrutura para financiar veículos e avalia entrar em seguros.
A abertura de capital, numa oferta pública inicial de ações (IPO), está no horizonte de 2027 a 2028, mas depende das condições de mercado e da preparação da empresa.
Mac Dowell reconhece que uma companhia listada precisa seguir processos mais rígidos, o que exige adaptação da cultura de uma fintech.
Enquanto prepara a possibilidade do IPO, ele mantém a expansão dos produtos como prioridade. “Eu penso muito pouco no final, mas penso muito em como chegar”, afirma.
Para saber mais detalhes sobre a QI Tech, veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music.
Em números
- QI Tech: a empresa de R$ 30 bi por mês que ninguém vê, mas quase todo mundo usa
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