Ir para o conteúdo

Quinta-feira, 15 de outubro de 2026 | Corumbá - MS | 22°C Céu limpo

Mundo

Abaixo-assinado para salvar a Casa da América Latina de Paris acolhe mais de 25 mil adesões

O futuro da Casa da América Latina de Paris, que comemora 80 anos nesta quinta-feira, está ameaçado. A entidade corre o risco de ser despejada de sua sede histó

4 min de leitura
Abaixo-assinado para salvar a Casa da América Latina de Paris acolhe mais de 25 mil adesões

O futuro da Casa da América Latina de Paris, que comemora 80 anos nesta quinta-feira, está ameaçado. A entidade corre o risco de ser despejada de sua sede histórica, que está à venda.

A comunidade latino-americana na França se mobiliza e um abaixo-assinado que pede a intervenção do presidente Emmanuel Macron para garantir a permanência da instituição no local já recebeu mais de 25 mil assinaturas.

A transação deve ser concluída antes do fim do ano. A maison, vitrine da diplomacia e da cultura latino-americana na França, que aluga o imóvel, não é contra a venda.

O abaixo-assinado pede "solenemente ao Presidente da República, que chancela a instituição desde sua criação em 1946 pelo general de Gaulle, e ao ministro da Europa e das Relações Exteriores, que favoreçam uma solução capaz de garantir a continuidade das missões da Casa da América Latina em sua sede histórica.

A artista brasileira Livia Melzi frequenta a Casa da América Latina desde que se mudou para a França, em 2012. Ela, que também já teve obras expostas no local, durante a mostra "Le Brésil illustré.

L'héritage postcolonial de Jean-Baptiste Debret" (Brasil Ilustrado. O legado pós-colonial de Jean-Baptiste Debret), lamenta a situação.

Eu acho uma tragédia o que está acontecendo, porque o prédio já é um lugar histórico. Foi a casa do médico Charcot, foi frequentado por Sartre. Eu fico preocupada.

O que vai acontecer com essa arquitetura? E para onde vai a Casa da América Latina? Para onde vai o acervo? Onde será esse novo lugar de encontro para os artistas latino-americanos?", questiona.

A ex-deputada francesa de origem argentina Paula Forteza frequenta e colabora com a Casa da América Latina há anos. A fundadora da galeria Artivistas já organizou várias exposições e encontros no local, todos com entrada gratuita, como determina o regimento da instituição.

Ela salienta que a venda do imóvel pelo Banco da França se insere em um contexto de redução de verbas para a cultura.

Essa é uma decisão orçamentária, considerando o contexto financeiro e fiscal da França. Mas é uma decisão que pode ser contestada. Os orçamentos da cultura estão sendo reduzidos e inúmeros espaços culturais estão fechando em toda a França.

O deputado Benoit Larrouquis, do grupo macronista na Assembleia Nacional e representante dos franceses que moram na América Latina, diz que vários parlamentares do país também estão mobilizados para salvar a instituição.

Estamos dialogando com o governo e pretendemos levar o assunto ao presidente da República. Petições foram lançadas e têm obtido grande sucesso. Parlamentares [representantes] dos franceses que vivem no exterior e outros que conhecem bem a América Latina estão mobilizados para que uma solução seja encontrada", revela.

Livia Melzi espera que o abaixo-assinado impeça o fechamento da Casa da América Latina de Paris. "Eu assinei. Recebi a petição de vários amigos artistas também.

Esse documento está circulando bastante entre a comunidade latino-americana. É importante fazer o possível para impedir a saída da Casa da América Latina desse lugar e entender o que isso significa politicamente para a nossa comunidade", ressalva.

Paula Forteza espera que o presidente francês irá intervir e garantir o futuro da Casa da América Latina. "Eu acredito que Emmanuel Macron acabará ouvindo a razão.

Do ponto de vista geopolítico, seria um erro fechar um lugar como este. A França sempre foi defensora do multilateralismo, num momento em que a Europa tem dificuldades para afirmar seu papel no mundo", contextualiza.

O Banco da França é uma instituição independente. Mas, segundo o deputado Benoit Larrouquis, o presidente da República, que chancela a Casa da América Latina desde sua fundação, pode interferir no processo de venda.

O Banco da França é soberano em sua decisão. Mas continua sendo o Banco da França, e isso tem um peso simbólico importante. Por isso, acredito que essas pressões acabarão produzindo resultados.

Não acredito, e sobretudo não espero, que Emmanuel Macron venha a ser o presidente que fechará a Casa da América Latina", pondera.

Segundo a imprensa francesa, os 20 embaixadores latino-americanos na França, que se reúnem mensalmente na Casa da América Latina, teriam redigido uma nota alertando Emmanuel Macron sobre os riscos que ameaçam a instituição.

Procurado pela RFI, o embaixador do Brasil em Paris, Ricardo Neiva Tavares, não quis conceder entrevista. Fontes diplomáticas brasileiras, que pediram anonimato, afirmaram que o Brasil não foi informado sobre a nota mencionada pela mídia francesa.

Em números

  • Te Emmanuel Macron para garantir a permanência da instituição no local já recebeu mais de 25 mil assinaturas
  • Abaixo-assinado para salvar a Casa da América Latina de Paris acolhe mais de 25 mil adesões

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Mundo
Política — imagem padrão
Política

Constituintes de 1988 lançam abaixo-assinado em defesa da Carta

Segundo os signatários, há preocupação com propostas de alteração da Carta Magna defendidas pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e por setores políticos identificados com o legado da ditadura militar.

Em Política