Essa Tal de Adolescência': série mergulha na etapa mais conturbada entre pais e filhos.
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Os primeiros sinais podem surgir por volta dos 9 ou 10 anos, quando o corpo e o cérebro já começam a passar por mudanças importantes.
Os efeitos podem ser percebidos de diversas formas. Espinhas começam a aparecer, a voz dos meninos fica mais grave e as meninas entram na fase menstrual. Ao mesmo tempo, surgem alterações de humor, emoções mais intensas e uma nova forma de enxergar o mundo.
É também uma fase marcada pela construção da própria identidade e pela maior influência dos grupos de amizade.
A adolescência é vista pelos especialistas como uma etapa de transição. O jovem deixa de ser criança, mas ainda não alcançou a maturidade da vida adulta, o que ajuda a explicar sentimentos de confusão e vulnerabilidade.
O pediatra Daniel Becker, que há mais de 40 anos se dedica ao tema, afirma que os adolescentes naturalmente passam a procurar mais referências fora de casa. Segundo ele, a qualidade do vínculo construído na infância pode fazer diferença quando surgem dificuldades nessa fase.
A gente fica confuso, a gente fica vulnerável", resume um dos especialistas entrevistados na reportagem.
Grande parte das mudanças da adolescência está relacionada ao desenvolvimento cerebral. A neurocientista Fernanda Tovar Moll explica que o cérebro passa por um intenso processo de adaptação conhecido como plasticidade cerebral, capacidade de modificar conexões e se reorganizar ao longo da vida.
Durante a adolescência, regiões associadas às emoções e ao sistema de recompensa amadurecem mais rapidamente do que o córtex pré-frontal, área ligada à tomada de decisões e à avaliação de consequências.
O resultado é uma combinação de emoções intensas com menor capacidade de controlar impulsos.
Ela está intensa, muito intensa", afirma a especialista ao descrever a atividade das áreas cerebrais ligadas às emoções durante a adolescência.
Segundo os pesquisadores, o amadurecimento cerebral continua por muitos anos e costuma se estender até os 25 ou 27 anos de idade.
Como lidar com a autonomia dos adolescentes.
Além das transformações biológicas, especialistas destacam que os adolescentes precisam conquistar autonomia de forma gradual. A psicopedagoga e terapeuta parental Cláudia defende que pais e responsáveis acompanhem esse processo de perto, ampliando a liberdade dos filhos conforme eles demonstram capacidade para lidar com novas responsabilidades.
A gente costuma andar de mão dada com a criança na rua e a gente solta a mão do adolescente. Eu digo que a gente tem que dar o dedinho para o adolescente e não soltar a mão", afirma.
Para os especialistas, compreender o que acontece no corpo e na mente dos jovens é um passo importante para reduzir conflitos e fortalecer o diálogo durante uma das fases mais desafiadoras do desenvolvimento humano.
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