O Rio de Janeiro tem a pior taxa de renovação de professores do país. Em dez anos, o número de docentes com até 24 anos que dão aula no ensino médio caiu 55,7% no estado, enquanto a quantidade de profissionais com 60 anos ou mais mais que dobrou.
Os dados mostram o envelhecimento do quadro de professores e a dificuldade de atrair novos profissionais para a carreira.
O levantamento foi feito pela Escola Suíço-Brasileira do Rio de Janeiro com base no Censo Escolar da Educação Básica, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Segundo os dados, o número de professores de até 24 anos no ensino médio fluminense passou de 625 para 277 em dez anos. Já o total de docentes com 60 anos ou mais subiu de 2.
587 para 5. 254, um crescimento de 103,1%.
Atualmente, há um professor com até 24 anos para cada 19 docentes com 60 anos ou mais no ensino médio do estado. O Rio também tem a maior proporção de profissionais nessa faixa etária: eles representam 12,2% do quadro.
Neste Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, histórias de quem está há décadas em sala de aula e de jovens que estão descobrindo a profissão ajudam a mostrar os desafios e as possibilidades da carreira.
Professora de 73 anos inspira alunos em Nova Iguaçu.
Na sala de aula do Ciep 196, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a professora Peter Cohen, de 73 anos, ensina arte e incentiva os estudantes a descobrir seus talentos.
Ao longo da carreira, ela também procura mostrar aos jovens que podem construir diferentes caminhos para o futuro.
Para Peter, uma das partes mais importantes da profissão é ajudar os alunos a enxergar novas possibilidades.
O trabalho dela já ajudou a revelar talentos como o de Harley dos Santos, de 16 anos. O estudante foi finalista de um concurso de artes on-line na Espanha e comemora o reconhecimento de seus desenhos.
Entre os alunos de Peter, Maria Eduarda de Oliveira, de 17 anos, é a única que pretende seguir a carreira da professora.
Professor começou a ensinar aos 23 anos.
Em meio à redução do número de docentes jovens, José Mário dos Santos Trindade é um exemplo de quem escolheu a sala de aula ainda no início da vida adulta.
Professor de matemática, ele começou a ajudar os colegas quando ainda era estudante. Antes das provas, ia ao quadro para explicar o conteúdo e tirar dúvidas da turma.
Anos depois, voltou à mesma escola, dessa vez como professor, aos 23 anos.
A chegada foi tão inesperada que até o porteiro teve dificuldade para reconhecê-lo no novo papel.
Hoje, José Mário também ajuda a formar novos professores no curso normal do Instituto Sarah Kubitschek, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio.
Na avaliação dele, a tecnologia e o interesse por outras possibilidades profissionais podem ajudar a explicar por que parte dos jovens não escolhe a docência.
Jovens encontram inspiração na sala de aula.
No curso normal do Instituto Sarah Kubitschek, a estudante Maria Eduarda de Abreu da Silva, de 16 anos, conta que se aproximou da profissão durante a formação. A experiência e o contato com professores que a inspiraram foram decisivos para que ela se identificasse com a carreira.
As histórias mostram que, apesar dos desafios para atrair novos profissionais, a identificação com a docência e o exemplo de quem já está em sala de aula continuam influenciando jovens que consideram seguir a carreira.
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