e personagens infantis para alfabetizar.
A professora Luziene Rosa Sobreira das Chagas encontrou nas fantasias de personagens infantis e super-heróis uma forma de tornar a alfabetização mais divertida.
Na Escola Municipal Maria Quitéria, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, ela transforma a sala de aula em um espaço de brincadeiras para ensinar crianças a ler e escrever.
O trabalho foi reconhecido pelo prêmio Rede CpE na Sala de Aula, da Rede Nacional de Ciência para Educação.
A ideia surgiu quando Luziene percebeu que algumas crianças chegavam ao primeiro ano do ensino fundamental desanimadas com a mudança na rotina escolar.
A partir daí, ela criou o alfabeto dos super-heróis, com personagens escolhidos pelos próprios alunos. Ao perceber o envolvimento da turma com a atividade, decidiu ir além e também passou a se fantasiar para dar aulas.
Método combina brincadeira e alfabetização.
O projeto, batizado de Alfabetização Divertida: Práticas Docentes na Contemporaneidade, ajudou a professora a alfabetizar 100% dos alunos de suas turmas em 2023 e 2025, segundo a reportagem.
Entre as crianças estão alunos neurodivergentes, como Matheus, que é autista.
A mãe do menino, Bruna Braga da Silva, contou que tinha receio de que o processo de aprendizagem fosse difícil para o filho.
A metodologia também mudou a relação de João, de 7 anos, com a escola. Segundo a mãe dele, Francisca Reginaldo da Silva, o menino passou a frequentar as aulas com entusiasmo e a contar em casa as novidades do dia.
Questionado sobre seu personagem favorito, João respondeu que é o Batman, por causa dos superpoderes. Ao ouvir se aprender a ler também poderia ser um superpoder, ele não teve dúvida: “Sim”.
Prática tem respaldo na ciência da leitura.
A criatividade da professora chamou a atenção da Rede Nacional de Ciência para Educação. O trabalho de Luziene está entre os vencedores do prêmio Rede CpE na Sala de Aula, que reconhece experiências inovadoras de ensino em diferentes regiões do país.
Para Janaína Weissheimer, coordenadora-geral da rede, a estratégia consegue aproximar os alunos do conteúdo por meio de referências conhecidas pelas crianças, sem deixar de lado os fundamentos da alfabetização.
Na escola, a iniciativa também é motivo de orgulho para a equipe pedagógica. A diretora, Márcia Regina Ferreira Lima dos Santos, destacou a contribuição da professora para o ensino.
Educação como caminho de transformação.
Com 26 anos de profissão e 24 na rede municipal do Rio, Luziene afirma que continua motivada pela possibilidade de transformar a vida dos alunos por meio da educação.
A professora conta que sua própria trajetória foi marcada por essa oportunidade. Filha de uma mãe viúva e criada em uma comunidade com poucos recursos, ela se formou em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), fez pós-graduação e se tornou professora concursada.
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…