Representantes do setor de combustíveis afirmam que diesel e gasolina estariam custando cerca do dobro nas bombas sem as medidas adotadas para limitar o repasse do choque internacional do petróleo provocado pela guerra no Irã.
Segundo essas avaliações, a estratégia combinou aumento do refino doméstico, contenção de reajustes nas refinarias, desoneração tributária e subvenções diretas.
O presidente da Refina Brasil, Evaristo Pinheiro, afirmou que o diesel estaria hoje “o dobro” sem a subvenção do governo. Segundo ele, a Petrobras vende o combustível abaixo da referência internacional e abre mão de receita.
Para amortecer a alta externa, a Petrobras elevou o processamento em suas unidades e operou perto de 98% da capacidade, ampliando a produção de derivados e reduzindo a necessidade de importação.
Ao mesmo tempo, a política adotada evitou repasses mais bruscos do petróleo e dos derivados às refinarias nacionais.
Na frente tributária, houve zeragem de tributos federais, como PIS/Cofins e Cide, sobre a gasolina, além de prorrogação ou ampliação de desonerações sobre o etanol.
O governo também concedeu subsídios e subvenções para produtores e importadores de diesel e etanol, com exigência de repasse integral do desconto ao consumidor final.
Segundo Pinheiro, o descolamento entre o preço doméstico e o internacional compromete a viabilidade econômica das importações e reduz a competitividade de importadores e refinarias privadas.
O presidente da Abicom, Sérgio Araújo, disse que a estrutura montada no país funcionou, na prática, como suporte à Petrobras.
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