Os dois trabalhadores que morreram no desabamento de uma estrutura de pré-moldados no bairro Aero Rancho, em Campo Grande, não estavam registrados em carteira, segundo o procurador do Trabalho Paulo Douglas de Moraes.
- VÍDEO: Trabalhadores morrem após estrutura desabar em obra de supermercado em Campo Grande.
Vídeo mostra desabamento que matou dois trabalhadores em Campo Grande.
Eles também não haviam passado pelo processo de integração de segurança, ainda conforme Moraes.
As vítimas, Willian Douglas Souza Cabral, de 39 anos, e Joel da Silva Oliveira, de 40, morreram no local do acidente. Outros dois trabalhadores ficaram feridos.
A reportagem não obteve retorno sobre o estado de saúde das outras vítimas até a publicação desta reportagem.
Eles trabalhavam na construção de um supermercado na Avenida Rachel de Queiroz quando a estrutura desabou, na tarde de sexta-feira (4).
O procurador e fiscais do Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul (MPT-MS) vistoriaram o local do acidente na tarde desta terça-feira (8). Conforme Paulo Douglas, o MPT-MS abriu uma apuração porque o desabamento ocorreu em um ambiente de trabalho e deixou dois trabalhadores mortos.
A investigação ainda está em fase inicial, e a dinâmica do acidente depende de laudos técnicos e do relatório da fiscalização trabalhista.
Apesar disso, o MPT já identificou irregularidades trabalhistas envolvendo os dois trabalhadores mortos. Segundo o procurador, eles não estavam registrados em carteira e não haviam passado pelo processo de integração, procedimento que deveria apresentar aos funcionários os riscos existentes no ambiente de trabalho.
Paulo Douglas ressaltou que essas irregularidades, isoladamente, não permitem afirmar que foram responsáveis pelas mortes, mas podem apontar para falhas da empresa e eventual responsabilização.
Sobre o desabamento, o procurador mencionou a possibilidade de um vendaval ter comprometido a estrutura, mas afirmou que ainda não é possível confirmar essa hipótese.
Ele também destacou que o fato de a estrutura ter ruído antes mesmo da instalação da carga do telhado levanta dúvidas sobre a qualidade do material pré-moldado utilizado.
A empresa responsável pela construção é a HB Pré-Fabricados, de Sidrolândia. Em nota, a empresa lamentou o ocorrido e informou que as causas do acidente serão investigadas.
O MPT também vai analisar se os equipamentos de proteção individual (EPIs) eram adequados aos riscos existentes e se outras medidas de segurança, como a linha de vida, foram corretamente adotadas.
A investigação poderá resultar em responsabilizações administrativas e trabalhistas. Conforme os elementos que forem encontrados pela Polícia Civil, também poderá haver consequências na esfera criminal.
O MPT ainda pretende avaliar pedidos de indenização para os familiares dos trabalhadores mortos e, eventualmente, para trabalhadores que sobreviveram, mas que teriam sido expostos a riscos.
Uma análise preliminar do Corpo de Bombeiros apontou que o andamento da obra ocorria regularmente, o que também foi confirmado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS).
A Polícia Militar e perícia da Polícia Civil também atenderam a ocorrência no dia do acidente.
No momento, ainda não temos informações precisas. A perícia está fazendo os levantamentos das possíveis causas deste acidente. Neste momento, a empresa está dando assistência aos feridos e aos familiares dos mortos.
Lamentamos o ocorrido e, tão logo tenhamos uma posição real, nos pronunciaremos.
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