Comerciantes da Avenida dos Cafezais, em Campo Grande, passaram a considerar o armamento como uma alternativa de proteção após episódios de violência e assaltos na região.
Dono de loja de armas garante que, pelo menos, 250 comerciantes já têm a posse.
A presença de uma loja que garante a documentação e a arma no local serviu de estimulo a essa decisão. O proprietário, Jorge Salomão, estima que o impacto já foi grande: “Dessa avenida pode colocar 250 pessoas (com armas).
Comerciantes da Avenida dos Cafezais, em Campo Grande, passaram a considerar o armamento como forma de proteção diante da criminalidade. Jorge Salomão, dono de uma loja bélica, afirma que cerca de 250 pessoas da via possuem armas legalmente.
A Polícia Militar informou que realiza patrulhamento preventivo na região e que a população pode acionar o 190 ou o Disque-Denúncia, pelo 181.
Instalada no local, a J&S Despachante Bélico atende moradores e empresários interessados em regularizar a documentação necessária para ter armas. "Desde o momento em que o cidadão preenche os quesitos legais, é bem mais fácil de ter armamento.
Tem bastante, mas o pessoal tem medo de falar, não querer mostrar, os marginais vão saber quem tem e quem não tem”, pontuou.
Jorge afirma que a presença de pessoas armadas passou a funcionar, na avaliação dele, como um fator de inibição para criminosos. “No começo, os caras assaltavam à luz do dia.
Agora, já não tem mais isso, os caras ficam restringidos. Como que eles vão assaltar hoje um cidadão de bem que tem um armamento? Já dificulta bastante e ajuda”, afirmou.
A avaliação, entretanto, é do empresário. Não foram apresentados dados oficiais que permitam concluir que eventual redução dos assaltos na avenida esteja diretamente relacionada à presença de armas entre comerciantes.
Segundo Jorge, o objetivo de quem busca uma arma não deveria ser o confronto. “A intenção do armamento não é para aumentar a violência. O cidadão comum tem armamento para inibir a reação de agressividade”, defende.
Entre os comerciantes que decidiram buscar uma arma está George Lucas, de 32 anos. Há dez anos à frente de um restaurante, ele conta que uma situação vivida no próprio estabelecimento reforçou a percepção de que precisava estar preparado para uma eventual tentativa de assalto.
Na ocasião, já passava das 23h e George encerrava as atividades quando três homens chegaram. Segundo ele, dois se apresentaram inicialmente como clientes e o terceiro anunciou o assalto.
George afirma que considera fundamental a presença da polícia, mas avalia que as equipes não conseguem estar simultaneamente em todos os locais onde podem ocorrer crimes.
Apesar de defender o armamento como forma de proteção, ele afirma que o treinamento recebido enfatiza que o disparo deve ser evitado sempre que possível.
A procura por armas não é consenso entre os comerciantes da Avenida dos Cafezais.
Aleixo Larrea está há dez anos no mesmo ponto comercial e afirma ter sido vítima de cinco assaltos nesse período. Para tentar proteger o estabelecimento, a primeira medida adotada foi a instalação de um sistema de alarme.
Para Aleixo, a segurança da região também depende de uma presença policial mais frequente.
Apesar de ainda demonstrar resistência à ideia de ter uma arma, ele admite que passou a considerar essa possibilidade diante dos episódios de violência.
A PM-MS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) informou que realiza patrulhamento preventivo durante todo o dia na região da Avenida dos Cafezais.
A corporação acrescentou que situações de urgência e emergência devem ser comunicadas pelo telefone 190 e que denúncias anônimas podem ser feitas pelo Disque-Denúncia, no 181.
A diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado, Cecília Olliveira, pontua sobre o uso de armas de fogo. O instituto usa tecnologia para produzir e divulgar dados sobre a violência armada.
Apesar do receio relatado por comerciantes, os dados oficiais da PM não sustentam a ideia de que a região esteja vivendo uma explosão de roubos.
No primeiro semestre de 2022, foram registrados nove roubos na avenida. No mesmo período de 2026, houve uma ocorrência, redução de 88,8%.
Considerando os bairros Centro Oeste, Jardim Paulo Coelho Machado e Jardim das Macaúbas, os registros caíram de 34 para 13 casos no mesmo intervalo, uma redução de 61,7%.
O retrato da criminalidade, porém, ganha contornos diferentes quando os furtos entram na análise. Na Avenida dos Cafezais, as ocorrências passaram de 30 no primeiro semestre de 2022 para 43 em 2026.
Na área dos três bairros, houve uma redução mais discreta, de 149 para 140 registros.
A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul esclarece que a aquisição, a posse e o porte de armas de fogo, assim como os procedimentos e documentos necessários para essas autorizações, são de competência dos órgãos federais responsáveis, especialmente da Polícia Federal.
A posse irregular de arma de fogo de uso permitido pode configurar crime, conforme o art. 12 da Lei nº 10. 826/2003. Já o porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é previsto no art.
14 da mesma lei. As condutas envolvendo armas de uso restrito ou proibido estão previstas no art. 16.
Em números
- Prietário, Jorge Salomão, estima que o impacto já foi grande: “Dessa avenida pode colocar 250 pessoas (com armas)
- Jorge Salomão, dono de uma loja bélica, afirma que cerca de 250 pessoas da via possuem armas legalmente
- Oeste, Jardim Paulo Coelho Machado e Jardim das Macaúbas, os registros caíram de 34 para 13 casos no mesmo intervalo, uma redução de 61,7%