Embora tenha reconhecido a necessidade de conter o avanço do endividamento, que chegou a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB), Durigan destacou indicadores como desemprego e inflação.
A manifestação ocorreu após Lula afirmar, durante sabatina à TV Globo, que a dívida pública não o preocupava. Na ocasião, o presidente citou a melhora do resultado fiscal e declarou que o governo deve encerrar o ano com superávit primário de 0,1% do PIB, após ter assumido o País com déficit de 2,8%.
Em entrevista ao SBT News, Durigan disse que a intenção do presidente foi chamar atenção para outros dados da economia.
Ministro reconhece necessidade de conter dívida.
Apesar da defesa feita em torno da declaração de Lula, Durigan admitiu que o crescimento da dívida precisa ser enfrentado.
Entre os indicadores citados pelo ministro estão a taxa de desemprego de 5,3% e a inflação abaixo do teto da meta.
Durigan afirmou que considera reversível a trajetória de crescimento da dívida e criticou o que classificou como atenção excessiva dada ao indicador em detrimento de outros resultados econômicos.
Juros altos também entram no debate.
O ministro reconheceu ainda que a taxa de juros permanece elevada e disse que o governo precisa enfrentar o problema.
Segundo Durigan, o cenário internacional apresenta riscos e a política monetária continua restritiva. Ele argumentou, porém, que a taxa de juros não pode ser explicada exclusivamente pela situação fiscal.
Durigan também defendeu a continuidade da discussão sobre despesas obrigatórias que pressionam o orçamento público.
Governo promete superávits em eventual novo mandato.
Ao tratar das perspectivas para as contas públicas, o ministro afirmou que, se Lula for reeleito, a expectativa é obter superávit primário em todos os anos do próximo mandato.
O ministro também rejeitou as críticas da oposição de que o governo estaria gastando de maneira descontrolada. Para ele, diferentes fatores explicam o atual patamar dos juros, enquanto cabe ao governo manter o esforço fiscal.
Durigan afirmou ainda que não existe, entre os principais interlocutores econômicos do presidente, discussão sobre uma eventual mudança na meta de inflação.
Com a dívida em trajetória de alta, o discurso da equipe econômica busca equilibrar duas mensagens: reconhecer a necessidade de impedir que o endividamento continue avançando e, ao mesmo tempo, destacar indicadores considerados positivos pelo governo, como emprego, inflação e perspectiva de melhora no resultado fiscal.
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