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Mato Grosso do Sul Revisado por ULTRA AI

Depois dos 60, ser feliz é lembrar de sonhos esquecidos

4 min de leitura
Mato Grosso do Sul — imagem padrão

Entre dança, novos projetos e amizades, idosos mostram que a alegria pode ser construída nos recomeços.

Bastou uma pergunta difícil para sorrisos fáceis aparecerem no rosto de quem não esperava o questionamento: o que é a felicidade? Para quem já viu tanto na vida, é possível ser feliz depois dos 60 anos.

Para os idosos que estiveram no Teatro Glauce Rocha na manhã desta sexta-feira, felicidade é viver os sonhos esquecidos. E, melhor, para eles, ser feliz não exige segredo complexo, “é preciso apenas estar disposto a ser”.

A frase é de Rodolfo Fernandes Barbosa, que, aos 66 anos, encarou uma graduação em Educação Física. A vida sempre foi difícil e o trabalho também, mas a vontade sempre esteve junto dele.

Foi depois de entender que a felicidade era estar em movimento que ele começou a fazer pilates e tai chi chuan no projeto Ativa Idade, da Fundação Manoel de Barros.

Nesta sexta à noite, ele e todos os outros entrevistados se apresentam no espetáculo “O Desafio de Ser Feliz”.

A montagem reúne teatro, dança, coral e tai chi chuan em uma celebração da amizade, dos recomeços e da felicidade. Ao longo da história, os personagens descobrem que a verdadeira felicidade não está no destino, mas nas experiências vividas, nas amizades e na coragem de recomeçar.

Ao longo da vida, chegou a fazer cursos de logística e outros que acreditava serem bons para o futuro. De nada adiantaram, porque nada preenche a vontade de cursar Educação Física.

Ao lado da filha, Balbina Silveira Nantes, de 93 anos, anda com dificuldade, mas isso não é impedimento para ficar em casa. Pelo contrário, ela vai se apresentar nesta noite com valsa.

A vida mudou depois que veio para Campo Grande. Casada há quase 50 anos, ela assistiu ao marido partir um ano antes de completarem meia década juntos. “Estou viúva há 28 anos e nunca quis namorar mais ninguém”.

A costura ainda faz parte da vida dela. O trabalho é compartilhado com a filha, Élida Silveira Nantes Coelho, de 71 anos. Ela também participa do projeto e vai se apresentar hoje.

A relação das duas é nítida: elas se olham com carinho e companheirismo. “Sempre fomos grudadas, depois que vim para Campo Grande, porque era de Nova Andradina, sempre tivemos muita parceria.

Eu comecei isso da costura desde pequena, que minha mãe me ensinou. Estudei um pouco e a gente foi fazendo”.

Para ela, a felicidade se resume em “Deus e a mamãe”, como ela chama Balbina. “É ter a minha família, uma atividade como fazemos. A gente se sente muito feliz de participar desse projeto.

Eu danço igual mamãe, vou apresentar duas e ela uma. O meu estilo é tango coreografado e uma outra de muito movimento. Eu estou no projeto desde 2015”.

Nem um AVC nem uma pneumonia afastaram Dirce Gomes Xavier da felicidade. Aos 86 anos, ela resiste. Para ela, felicidade está ligada diretamente à família, aos netos e aos filhos.

Para a amiga, Izaldeni Gonçalves Ramos, de 60 anos, não há espaço para queixas de dor. “Eu não acho difícil achar felicidade dessa idade. Eu sou muito feliz. A felicidade para mim é encontrar amigos, apoio.

A gente fica junto fazendo as atividades. Temos apoio em casa, dos ânimos. Hoje encontrei vários que estava há dias sem encontrar”.

No dia a dia, ela escuta muitas reclamações de dores, não apenas físicas, mas elas não são maiores que os prazeres da vida. “É dia de alegria, de expor o que a gente treinou nesses 2 meses.

Eu tenho saúde, graças a Deus. No projeto, fazendo academia, pilates, e isso ajuda muito no dia a dia da gente. Graças a Deus, achamos o apoio para que a gente possa fazer várias coisas e não sentir dor”.

Os alunos do projeto Ativa Idade, da Fundação Manoel de Barros, sobem ao palco do Teatro Glauce Rocha com o espetáculo “O Desafio de Ser Feliz”, nesta sexta-feira (28), às 19 horas.

Fontes consultadas

  • Campo Grande Newslink