Ir para o conteúdo
Mato Grosso do Sul Revisado por ULTRA AI

Acidentes com antas saltam de 5 para 58 em três meses nas estradas de MS

4 min de leitura
Acidentes com antas saltam de 5 para 58 em três meses nas estradas de MS

Nos últimos 13 anos, acidente com esses animais provocaram a morte de 51 pessoas.

As colisões veiculares com a fauna silvestre em Mato Grosso do Sul não vitimam apenas animais, mas também pessoas. Segundo a Incab (Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira), 51 pessoas morreram em acidentes com antas nas rodovias sul-mato-grossenses nos últimos 13 anos.

Os números alertam também para a incidência geral de colisões envolvendo animais nas estradas do estado, que aumentou 69% no primeiro trimestre deste ano em comparação a 2025.

Colisões entre veículos e fauna silvestre nas rodovias de Mato Grosso do Sul mataram 51 pessoas em 13 anos, segundo a Incab. Os acidentes com antas cresceram mais de 1.

Os dados são do Mapa de Colisões com a Fauna, iniciativa do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) em parceria com o Observatório Rodovias Seguras para Todos.

O levantamento aponta, ainda, que os registros de acidentes envolvendo antas saltaram de cinco, no primeiro trimestre de 2025, para 58 nos três primeiros meses de 2026, um aumento superior a 1.

Apesar de as antas ocuparem a nona posição entre as espécies com maior número de ocorrências, os acidentes com a espécie tendem a ser os mais graves devido ao porte do animal.

Por ser o maior mamífero terrestre da América do Sul, podendo atingir até 300 kg, o impacto com uma anta costuma resultar em danos materiais severos e perda de vidas humanas, como explica a bióloga e coordenadora da Incab, Patrícia Medici.

No dia 3 de agosto, uma adolescente de 13 anos e um homem de 38 anos morreram em um acidente envolvendo uma anta na BR-267, entre Rio Brilhante e Maracaju. Como o Campo Grande News noticiou, os dois estavam em um Chevrolet Onix, no sentido Maracaju, quando atingiram o animal na pista.

Com o impacto, o motorista perdeu o controle da direção, invadiu a pista contrária e bateu de frente com um caminhão carregado com etanol. Ambos os veículos pegaram fogo.

Em Mato Grosso do Sul, o tatu-peba lidera o ranking de fauna vitimada por colisões rodoviárias, somando 1,8 mil registros nos últimos 13 anos. Em seguida, aparecem as aves e o cachorro-do-mato, com 1,4 mil ocorrências cada, acompanhados pelo tatu-galinha e pelo jacaré-do-pantanal, que ultrapassam 700 casos.

O levantamento traz ainda o tamanduá-bandeira, a capivara e o tamanduá-mirim (mais de 500 registros cada), além da anta (333) e da seriema (quase 300).

Entre os trechos mais críticos do estado, a BR-262 lidera o índice de acidentes, acumulando 8,1 mil colisões. As rodovias BR-267 e MS-040 surgem logo na sequência, superando a marca de 2 mil ocorrências cada uma.

Para o Observatório Rodovias Seguras para Todos, esses locais são pontos críticos, regiões com rica biodiversidade e espécies em trânsito, mas que, ao mesmo tempo, correm sério risco de desaparecimento devido aos acidentes.

A antropização dos habitats naturais é a principal causa do problema, resultado de um longo histórico de degradação ambiental no Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica, biomas que cobrem o estado.

A transição da pecuária para a agricultura intensiva (como a soja), a expansão da silvicultura e os incêndios florestais reduziram a vegetação nativa a pequenos fragmentos isolados.

Patrícia explica que, sem grandes extensões contínuas de habitat, a fauna não encontra áreas adequadas para se fixar. “Esse animal fica circulando por essa paisagem antropizada, alterada e degradada.

Nesse trânsito entre pequeninas áreas remanescentes, o bicho cruza as rodovias. É um animal que fica constantemente exposto e vulnerável por conta dessa falta de habitat”.

De acordo com a bióloga, a prevenção de acidentes já conta com base científica e soluções consolidadas, como o mapeamento de trechos críticos, cercamentos e passagens de fauna, adaptáveis às características de cada local.

Estudos do instituto de pesquisa da ONG Pew Charitable Trusts indicam que a implementação de cercas direcionadoras aliada a passagens inferiores de fauna (túneis sob a pista) reduz os acidentes rodoviários em até 80%.

Todos os direitos reservados. As notícias veiculadas nos blogs, colunas ou artigos são de inteira responsabilidade dos autores. Campo Grande News © 2020. Design by MV Agência | Desenvolvimento Idalus Internet Solutions.

Em números

  • Nos últimos 13 anos, acidente com esses animais provocaram a morte de 51 pessoas
  • Segundo a Incab (Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira), 51 pessoas morreram em acidentes com antas nas rodovias sul-
  • Colisões entre veículos e fauna silvestre nas rodovias de Mato Grosso do Sul mataram 51 pessoas em 13 anos, segundo a Incab
  • Do Sul, o tatu-peba lidera o ranking de fauna vitimada por colisões rodoviárias, somando 1,8 mil registros nos últimos 13 anos

Fontes

Informação baseada em material público de Campo Grande News, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Campo Grande Newslink