Transformar sucata em música foi o caminho encontrado pelo músico e percussionista Felipe Fiúza, de Brasília, para resolver um problema comum entre estudantes de instrumentos: o alto custo dos equipamentos.
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A relação de Felipe com a música começou ainda na infância. Filho de músico, ele cresceu cercado pelo universo da percussão e decidiu aprofundar os estudos ao ingressar na Escola de Música de Brasília.
Foi lá que encontrou o primeiro desafio: a marimba, instrumento essencial para a formação, tinha um preço inacessível para sua realidade.
Sem recursos para comprar o equipamento, ele decidiu construir a própria marimba. Depois de concluir o projeto, passou a produzir versões para colegas da escola que enfrentavam a mesma dificuldade.
O trabalho despertou o interesse pela fabricação de instrumentos musicais e abriu caminho para o empreendedorismo.
Com o tempo, Felipe ampliou sua atuação para oficinas, escolas e projetos sociais. Ao perceber a falta de instrumentos em muitas instituições, começou a desenvolver alternativas usando materiais reaproveitados e peças encontradas em ferro-velhos.
Corrimãos de ônibus, alarmes de incêndio, garrafas PET e outros objetos passaram a ganhar nova função em suas mãos.
A principal criação do empreendedor é o Atabalde, um tambor inspirado no atabaque tradicional. O instrumento utiliza uma bombona plástica como corpo e uma membrana produzida a partir de material PET.
A proposta resulta em um produto mais leve, resistente à água e com menor necessidade de manutenção em comparação aos modelos convencionais.
Segundo Felipe, o Atabalde nasceu da necessidade de inserir um instrumento diferente em suas apresentações.
As vendas são feitas pela internet e já chegaram até clientes na Europa.
O crescimento da demanda transformou a fabricação dos instrumentos em uma importante fonte de renda. De acordo com o empreendedor, o negócio já rende mais do que parte dos trabalhos realizados como músico.
Agora, os planos incluem ampliar a oficina, contratar funcionários e aumentar a produção. Para Felipe, a criatividade está diretamente ligada à necessidade.
Foi justamente a busca por soluções acessíveis para estudar e ensinar música que deu origem ao empreendimento.“Uma necessidade, uma ideia criativa, virou um empreendedorismo”, resume o músico.
Hoje, além de construir instrumentos, ele vê no negócio uma forma de ampliar o acesso à música e incentivar outras pessoas a enxergar potencial criativo em materiais que normalmente seriam descartados.
Em números
- De sucata a instrumento: músico cria atabaque sustentável e fatura R$ 20 mil por mês
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