Em uma sala comercial de Florianópolis, em Santa Catarina, bandejas iluminadas por luzes artificiais substituem o cenário tradicional de uma lavoura.
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Microverdes cultivados na cidade viram negócio de alto valor.
Ali, entre sensores, software de gestão e sistemas automatizados de irrigação, nascem diariamente brócolis, rúcula, rabanete, repolho roxo e outras espécies de microverdes.
O cultivo acontece em ambiente fechado, sem depender das condições climáticas e com desperdício próximo de zero.
Por trás do negócio estão a advogada Laíla Ribeiro e o engenheiro de produção Leonardo Corrêa. O casal trocou a rotina acelerada de São Paulo pela capital catarinense em busca de mais qualidade de vida e encontrou na agricultura urbana uma oportunidade para empreender.
Os microverdes são hortaliças colhidas ainda nos primeiros estágios de desenvolvimento.
Comercializados vivos, plantados em substrato, eles são considerados por especialistas e pelo mercado de alimentos funcionais como produtos de alto valor nutricional, além de serem usados para dar sabor e sofisticação aos pratos.
Do sonho empreendedor à pesquisa de campo.
Embora não tivessem formação em agronomia, Laíla e Leonardo mergulharam no universo da agricultura antes de iniciar a operação. Há sete anos, passaram a estudar hidroponia, cultivos protegidos e modelos de startups voltados à inovação.
O que nos encantou foi a possibilidade de produzir alimentos de qualidade próximos das pessoas", conta Laíla.
A ideia ganhou força quando o casal conheceu o conceito de fazendas verticais, estruturas que permitem produzir alimentos em áreas urbanas utilizando tecnologia para controlar iluminação, irrigação e temperatura.
Os investimentos ajudaram a acelerar o desenvolvimento da tecnologia proprietária e a ampliar a capacidade produtiva.
O diferencial do negócio está na combinação entre produção agrícola e tecnologia. Todo o funcionamento da fazenda é monitorado por um aplicativo desenvolvido pelos próprios empreendedores.
A plataforma controla diferentes etapas da operação, desde a iluminação e a irrigação até o planejamento da produção.
Como a empresa trabalha com 25 espécies, ciclos distintos de cultivo e cerca de 100 clientes recorrentes, o sistema cruza os pedidos e indica exatamente quando cada bandeja deve ser plantada para atender à demanda.
O modelo funciona como uma produção sob encomenda. Segundo Leonardo, isso permite praticamente eliminar perdas. Quase tudo o que é plantado chega ao consumidor final, aumentando a eficiência e contribuindo para a rentabilidade do negócio.
Tecnologia própria e pedido de patente.
Em busca de mais produtividade, o casal também criou uma solução própria para padronizar o cultivo. Trata-se de um biofilme hidrossolúvel com sementes incorporadas, aplicado sobre uma manta de fibra de coco.
O sistema acelera a germinação e garante maior uniformidade na produção. A inovação já teve pedido de patente protocolado e está em análise. Para os empreendedores, proteger a propriedade intelectual é uma etapa fundamental para consolidar vantagem competitiva e abrir novas frentes de crescimento.
Atualmente, a operação conta com nove funcionários e capacidade para produzir cerca de 1. 500 unidades de microverdes por semana. Cada módulo de fazenda vertical abriga aproximadamente 300 bandejas de cultivo.
O crescimento do negócio acompanha uma tendência de consumo. Nos supermercados parceiros, os microverdes vêm conquistando espaço entre clientes interessados em alimentação saudável, rastreabilidade e produtos frescos.
Além do valor nutricional, os consumidores também buscam praticidade. Os microverdes podem ser adicionados a sanduíches, massas, risotos, carnes e até refeições rápidas do dia a dia, agregando sabor, textura e nutrientes.
Com a operação consolidada em Florianópolis, Laíla e Leonardo já planejam o próximo passo: expandir o modelo por meio de franquias. A estratégia faz sentido para um negócio cuja proposta é produzir alimentos o mais próximo possível do consumidor, reduzindo logística e perdas.
O objetivo dos empreendedores vai além do crescimento financeiro. "Nosso sonho é levar microverdes de alta qualidade para todo o país", afirmam.
Para o casal, a combinação entre tecnologia, sustentabilidade e alimentação saudável pode ajudar a transformar a forma como os alimentos são produzidos e consumidos no Brasil.
Em números
- Fazenda vertical produz 25 tipos de hortaliças em sala comercial e fatura R$ 50 mil por mês
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