A reta final do primeiro turno foi pautada por dois assuntos que não estavam no radar das campanhas um mês atrás. O primeiro é a proibição das bets e o segundo é o boato de que Flávio Bolsonaro quer tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Os dois temas dominaram o dia 25 de setembro, a nove dias da eleição, quando o governo publicou a medida provisória e o ministro André Mendonça, do TSE, mandou cinco plataformas removerem os posts sobre a santa, a pedido da campanha do senador.
A ordem era liminar e, neste domingo (27), o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), a derrubou e mandou restabelecer as publicações, por falta de motivação e proporcionalidade, sem se pronunciar sobre o conteúdo delas.
O primeiro contraste é de tamanho. As bets dominaram a conversa em todas as redes, dos aplicativos de mensagem à televisão, com pico no dia da assinatura. A padroeira foi o assunto mais forte apenas no X e, em todas as outras redes, ficou atrás das bets.
A ordem de remoção produziu dois efeitos que a campanha não pretendia. O primeiro é em relação ao enquadramento da reação. Ela é criticada por 76% a 94% nas redes, e a palavra usada é censura.
O segundo é o de volume da discussão. A fatia da conversa dobrou em diversas redes após a decisão. A decisão que mandava apagar a versão ampliou a circulação dela.
A contraofensiva funcionou em um ponto preciso. Entre quem desmente a versão, a culpa migrou da imprensa para o PT. Nos aplicativos de mensagem, o PT, o governo ou a esquerda passaram de 40% para 88% das atribuições, e no X de 59% para 85%.
A campanha de Flávio conseguiu transferir a autoria do boato, sem conseguir que o boato deixasse de ser espalhado.
Os dois temas deslocaram a atenção na reta final. Até a semana passada, o debate estava concentrado no caso Master e na crise do STF, assuntos em que o governo era cobrado.
Ao longo da semana, foi se deslocando às bets e à padroeira.
Dentro dos dois temas, não há ganho direto para a imagem de Lula, que continua com um saldo negativo de menções. Mesmo assim, para o governo, discutir Nossa Senhora e bets é melhor do que discutir STF e corrupção.
É com essa pauta que a campanha entra na última semana antes do primeiro turno.
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