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Política

Estudo da Embrapa reduz erosão do solo com novos terraços no Paraná

A Embrapa Soja e a Itaipu Binacional juntaram drones, softwares e dados para indicar melhores práticas de conservação. Leia no Poder360.

4 min de leitura
Estudo da Embrapa reduz erosão do solo com novos terraços no Paraná

A Embrapa Soja (PR) e a Itaipu Binacional juntaram drones, softwares de modelagem e dados sobre disponibilidade de água no solo para indicar melhores práticas de conservação dos solos do Paraná.

A Embrapa Soja e a Itaipu Binacional juntaram drones, softwares e dados para indicar melhores práticas de conservação.

Com uma abordagem baseada em geotecnologias, as instituições procuraram diagnosticar a eficiência dos terraços —estruturas que controlam a erosão e auxiliam na infiltração de água— e propor intervenções práticas.

Resultados da aplicação da metodologia na bacia hidrográfica do município de Toledo, a oeste do Estado, mostraram que a erosão foi reduzida e a capacidade de armazenamento de água, triplicada.

Os terraços são estruturas conservacionistas milenares usadas para o ordenamento do fluxo de água. São, por isso, indispensáveis para combater a erosão, mesmo no sistema de plantio direto.

A eficiência de um terraço é tradicionalmente medida por sua altura e largura (geometria). De acordo com o pesquisador, o método tem se mostrado insuficiente para garantir a proteção do solo perante eventos climáticos extremos.

O estudo na bacia hidrográfica de Toledo, região que apresenta condições semelhantes às encontradas em cerca de 2 milhões de hectares no Paraná, incluiu variáveis para otimizar o armazenamento de água e a resiliência do solo, sob o sistema plantio direto ( D).

Em outubro de 2017, na bacia hidrográfica de Toledo (PR), por exemplo, a Embrapa Soja e a Itaipu registraram índices de precipitação de 160 mm em cerca de 18 horas, o que causou o transbordamento de água nos terraços e a perda estimada de 7.

500 m³ de solo, evidenciando a urgência de mudança nessas estruturas. A partir de então, o redimensionamento dos terraços foi conduzido em 115 hectares da bacia hidrográfica paranaense.

Foram utilizados modelos digitais de elevação, obtidos por drones e o software Terraço 4. 1, desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), para propor soluções de mitigação da erosão hídrica.

O redimensionamento na microbacia substituiu 43 terraços ineficientes por 29 reprojetados. A altura média dos terraços subiu de 0,26 m para 0,72 m, elevando a capacidade de retenção de água de 22 mm para 71 mm.

Outro ponto que indicava a necessidade de redimensionamento dos terraços era a mudança nos maquinários contemporâneos. Franchini observa que as máquinas atuais são maiores e mais pesadas, o que dificulta manobras no espaço entre os terraços tradicionais, aumentando o tráfego e, consequentemente, a compactação do solo.

Por isso, houve indicação para aumentar a distância horizontal média entre os terraços de 28 m para 51 m, com espaçamento vertical de cerca de 3 m. “Nossa ideia era contar com terraços eficientes e que ainda facilitassem o tráfego e reduzissem as manobras das máquinas modernas, mais robustas do que os modelos antigos”, ressalta.

O pesquisador revela que a eficácia do novo sistema de terraço foi comprovada entre 2019 e 2024, quando a microbacia enfrentou eventos com chuvas superiores a 30 mm/dia sem apresentar sinais de erosão ou sulcos.

Para ampliar os dados científicos que justificassem o redimensionamento dos terraços, o pesquisador Henrique Debiasi, da Embrapa Soja, explica que um novo estudo introduziu o conceito de Capacidade Estrutural Relativa (CER).

A ideia desse conceito é trazer mais precisão ao diagnóstico funcional dos sistemas de terraceamento, por meio do cálculo do volume de água que o terraço consegue segurar e do escoamento superficial gerado (quantidade de enxurrada gerada pela chuva).

Para ele, a nova proposta de redimensionamento dos terraços é uma resposta científica, baseada em ferramentas modernas, para resolver problemas antigos da conservação do solo e de preservação da água.

Franchini e Debiasi reforçam que o estudo estabelece um arcabouço metodológico replicável e operacional para as bacias hidrográficas do Paraná.

Este texto foi publicado originalmente pela Embrapa, em 20 de outubro de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

Em números

  • A partir de então, o redimensionamento dos terraços foi conduzido em 115 hectares da bacia hidrográfica paranaense

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