Com os juros elevados no Brasil, a renda fixa continua atraente para quem busca rentabilidade com menor exposição ao risco. Mas, para quem planeja a aposentadoria, concentrar todos os recursos nessa classe pode significar abrir mão de oportunidades em outros mercados.
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Os fundos de previdência multimercado, que podem investir em diferentes tipos de ativos, surgem como alternativa para diversificar a carteira. Antes de investir, porém, é importante avaliar os riscos, os custos e o prazo da aplicação.
Na avaliação de Guilherme Cadonhoto, head de Alocação da Grão Investimentos, períodos de juros altos também podem abrir oportunidades para comprar ativos de risco a preços mais baixos.
Segundo Cadonhoto, o reconhecimento reflete a estratégia de buscar resultados consistentes em diferentes cenários, sem depender apenas do desempenho de um único ano.
Diversificação para enfrentar diferentes cenários.
A gestora informa que o Arca segue uma estratégia de alocação estrutural, que distribui os investimentos entre quatro classes de ativos: ações brasileiras, mercado imobiliário, caixa e ativos internacionais.
Isso significa que o fundo mantém proporções previamente definidas para cada classe, em vez de mudar constantemente a carteira conforme as oscilações do mercado.
A equipe de gestão faz ajustes principalmente na escolha dos fundos e ETFs que compõem cada parcela. Os ETFs são fundos negociados em bolsa que, em geral, acompanham índices de mercado.
A estratégia busca diminuir a dependência de apostas em um único tipo de investimento. Para Cadonhoto, um dos principais riscos dos multimercados tradicionais está justamente em escolher a classe de ativos errada, especialmente diante das incertezas relacionadas aos juros, às eleições brasileiras e ao cenário internacional.
Ele conta que, no Arca, os investimentos internacionais tiveram papel importante no desempenho desde o lançamento do produto, no fim de 2022. Segundo dados apresentados pela gestora, essa parcela acumulou valorização de 105,59% até o momento, enquanto o CDI avançou 62,20% no mesmo intervalo.
Os percentuais se referem especificamente à parcela internacional e ao CDI, respectivamente, e não representam a rentabilidade total do fundo.
Além de avaliar onde o fundo investe, o investidor deve observar as taxas cobradas pela gestão, que reduzem a rentabilidade líquida ao longo do tempo. Cadonhoto alerta que esses custos pesam ainda mais quando o gestor não consegue obter os resultados esperados.
Segundo a Grão Investimentos, o Arca Grão Previdência Advisory cobra taxa de administração de 0,59% ao ano e não possui taxa de performance, cobrança adicional que alguns fundos aplicam quando superam determinada referência de rentabilidade.
Para Cadonhoto, os custos merecem atenção porque reduzem o retorno líquido do investidor, especialmente quando a estratégia do gestor não apresenta os resultados esperados.
Para os próximos meses, ele conta que a Grão pretende manter a distribuição dos investimentos entre as quatro classes de ativos, mesmo diante das incertezas econômicas e políticas.
A gestora acredita que uma eventual melhora do cenário brasileiro pode ampliar a diferença de rentabilidade do fundo em relação ao CDI. Cadonhoto reforça, porém, que o investimento previdenciário deve ter foco no médio e longo prazo e que a exposição a ativos de risco exige disposição para enfrentar oscilações no valor da carteira.
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