Entenda esquema que desviou milhões da saúde no Ceará por meio de empresas de fachadas.
Uma apreensão de dinheiro em espécie com um contador levou a Polícia Federal a investigar o esquema suspeito de desviar recursos públicos destinados à saúde no Ceará.
A apuração começou em setembro de 2024 e deu origem à Operação Coaptação, deflagrada pela PF para investigar suspeitas de fraude em contratos públicos, lavagem de dinheiro e corrupção.
O g1 teve acesso ao processo judicial que detalha como o esquema teria funcionado. Segundo a investigação, empresas de fachada eram usadas para emitir notas fiscais por serviços que não teriam sido prestados.
Os recursos eram transferidos para essas empresas e depois sacados em espécie ou utilizados em operações financeiras para ocultar sua origem.
e seria levado à sede da Cooperativa de Trabalho de Atendimento Pré e Hospitalar (Coaph), em Fortaleza.
A suspeita sobre a empresa utilizada nas movimentações aumentou quando os investigadores identificaram que o homem registrado como proprietário formal da New Consultoria estava preso na Unidade Prisional de Triagem e Observação Criminológica de Aquiraz, no Ceará.
A investigação passou a apurar se a empresa era usada para ocultar os responsáveis pelas movimentações financeiras.
📲 Análise de aparelhos revelou mais de 80 empresas.
A análise dos celulares e do notebook apreendidos com o contador ajudou os investigadores a identificar outras empresas e movimentações financeiras suspeitas.
O grupo teria utilizado mais de 80 empresas de fachada para emitir notas fiscais de serviços como consultorias, reformas e locação de veículos. A suspeita é que os documentos fossem usados para justificar transferências de recursos públicos por serviços que não teriam sido efetivamente prestados.
A apuração também identificou articulações para encerrar formalmente empresas que já teriam sido utilizadas no esquema.
Estrutura para movimentar dinheiro em espécie.
Os documentos da investigação apontam que a Coaph mantinha um espaço conhecido como “sala do dinheiro”, equipado com máquinas para contar cédulas.
O local era utilizado para organizar e controlar grandes quantias em espécie. Os investigadores suspeitam que a estrutura facilitava a circulação de recursos fora do sistema bancário e o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
Dinheiro teria sido usado na compra de carros de luxo.
Parte dos recursos investigados teria sido utilizada na aquisição de veículos de luxo e imóveis de alto padrão. Uma das empresas citadas no processo é a revendedora Drive Car, localizada em Fortaleza.
Conforme a investigação, o estabelecimento teria sido utilizado para movimentar mais de 90 veículos em operações sucessivas de compra, venda e troca, dificultando o rastreamento dos valores.
Entre os veículos apreendidos ou relacionados à investigação estão modelos de luxo, como McLaren Artura e Chevrolet Corvette.
A suspeita é que o uso de empresas intermediárias e de pessoas diferentes nos registros ajudasse a ocultar os verdadeiros proprietários dos bens e a origem dos recursos utilizados nas aquisições.
Contratos públicos e medidas judiciais.
A investigação tem como um dos principais alvos a Coaph, cooperativa que mantém contratos para prestação de serviços de saúde com municípios cearenses e com o Governo do Estado.
A operação foi deflagrada pela Polícia Federal para apurar suspeitas de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, fraude documental e organização criminosa.
Na ocasião, a Justiça Federal decretou a prisão preventiva de cinco investigados e autorizou mandados de busca e apreensão no Ceará e na Paraíba. Também determinou o sequestro de 38 imóveis e 82 veículos ligados aos investigados.
O atual presidente da cooperativa foi alvo de busca e apreensão e de afastamento de funções, conforme os documentos da investigação.
O g1 confirmou que entre os cinco presos na operação da Polícia Federal está o ex-presidente da cooperativa e atual tesoureiro, o médico José Newton Lacerda Carneiro.
A defesa dele não foi localizada até a publicação desta matéria.
A decisão judicial também determinou o afastamento cautelar de cinco gestores de atividades gerenciais, financeiras ou de representação da principal entidade investigada, a Coaph, e demais entes.
Em nota divulgada após a operação, a Coaph afirmou que a investigação não se restringia à cooperativa e também abrangia outras empresas do setor de saúde que mantêm contratos com o poder público.
A entidade defendeu a apuração dos fatos com respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência. Também ressaltou a importância de preservar a instituição, que presta serviços considerados essenciais à população.
Assista aos vídeos mais vistos do Ceará.
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…