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Saque de dinheiro por contador levou PF a investigar suspeita de desvios na saúde do Ceará

Investigação começou após apreensão de dinheiro em espécie com contador ligado à Coaph em 2024. Análise de aparelhos eletrônicos levou à identificação de mais d

4 min de leitura
Saque de dinheiro por contador levou PF a investigar suspeita de desvios na saúde do Ceará

Entenda esquema que desviou milhões da saúde no Ceará por meio de empresas de fachadas.

Uma apreensão de dinheiro em espécie com um contador levou a Polícia Federal a investigar o esquema suspeito de desviar recursos públicos destinados à saúde no Ceará.

A apuração começou em setembro de 2024 e deu origem à Operação Coaptação, deflagrada pela PF para investigar suspeitas de fraude em contratos públicos, lavagem de dinheiro e corrupção.

O g1 teve acesso ao processo judicial que detalha como o esquema teria funcionado. Segundo a investigação, empresas de fachada eram usadas para emitir notas fiscais por serviços que não teriam sido prestados.

Os recursos eram transferidos para essas empresas e depois sacados em espécie ou utilizados em operações financeiras para ocultar sua origem.

e seria levado à sede da Cooperativa de Trabalho de Atendimento Pré e Hospitalar (Coaph), em Fortaleza.

A suspeita sobre a empresa utilizada nas movimentações aumentou quando os investigadores identificaram que o homem registrado como proprietário formal da New Consultoria estava preso na Unidade Prisional de Triagem e Observação Criminológica de Aquiraz, no Ceará.

A investigação passou a apurar se a empresa era usada para ocultar os responsáveis pelas movimentações financeiras.

📲 Análise de aparelhos revelou mais de 80 empresas.

A análise dos celulares e do notebook apreendidos com o contador ajudou os investigadores a identificar outras empresas e movimentações financeiras suspeitas.

O grupo teria utilizado mais de 80 empresas de fachada para emitir notas fiscais de serviços como consultorias, reformas e locação de veículos. A suspeita é que os documentos fossem usados para justificar transferências de recursos públicos por serviços que não teriam sido efetivamente prestados.

A apuração também identificou articulações para encerrar formalmente empresas que já teriam sido utilizadas no esquema.

Estrutura para movimentar dinheiro em espécie.

Os documentos da investigação apontam que a Coaph mantinha um espaço conhecido como “sala do dinheiro”, equipado com máquinas para contar cédulas.

O local era utilizado para organizar e controlar grandes quantias em espécie. Os investigadores suspeitam que a estrutura facilitava a circulação de recursos fora do sistema bancário e o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

Dinheiro teria sido usado na compra de carros de luxo.

Parte dos recursos investigados teria sido utilizada na aquisição de veículos de luxo e imóveis de alto padrão. Uma das empresas citadas no processo é a revendedora Drive Car, localizada em Fortaleza.

Conforme a investigação, o estabelecimento teria sido utilizado para movimentar mais de 90 veículos em operações sucessivas de compra, venda e troca, dificultando o rastreamento dos valores.

Entre os veículos apreendidos ou relacionados à investigação estão modelos de luxo, como McLaren Artura e Chevrolet Corvette.

A suspeita é que o uso de empresas intermediárias e de pessoas diferentes nos registros ajudasse a ocultar os verdadeiros proprietários dos bens e a origem dos recursos utilizados nas aquisições.

Contratos públicos e medidas judiciais.

A investigação tem como um dos principais alvos a Coaph, cooperativa que mantém contratos para prestação de serviços de saúde com municípios cearenses e com o Governo do Estado.

A operação foi deflagrada pela Polícia Federal para apurar suspeitas de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, fraude documental e organização criminosa.

Na ocasião, a Justiça Federal decretou a prisão preventiva de cinco investigados e autorizou mandados de busca e apreensão no Ceará e na Paraíba. Também determinou o sequestro de 38 imóveis e 82 veículos ligados aos investigados.

O atual presidente da cooperativa foi alvo de busca e apreensão e de afastamento de funções, conforme os documentos da investigação.

O g1 confirmou que entre os cinco presos na operação da Polícia Federal está o ex-presidente da cooperativa e atual tesoureiro, o médico José Newton Lacerda Carneiro.

A defesa dele não foi localizada até a publicação desta matéria.

A decisão judicial também determinou o afastamento cautelar de cinco gestores de atividades gerenciais, financeiras ou de representação da principal entidade investigada, a Coaph, e demais entes.

Em nota divulgada após a operação, a Coaph afirmou que a investigação não se restringia à cooperativa e também abrangia outras empresas do setor de saúde que mantêm contratos com o poder público.

A entidade defendeu a apuração dos fatos com respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência. Também ressaltou a importância de preservar a instituição, que presta serviços considerados essenciais à população.

Assista aos vídeos mais vistos do Ceará.

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