Ir para o conteúdo
Mundo

Por que os candidatos a presidente querem construir mais data centers no Brasil

Proposta aparece nos planos de governo de candidatos com maior intenção de votos nas pesquisas, atrelada à redução de impostos e outros incentivos.

14 min de leitura
Mundo — imagem padrão

Em outra frente, o governo também anunciou outra estrutura de computação avançada no Rio de Janeiro, em parceria com empresas chinesas.

  1. Liderados por Trump, 14 países da região se comprometem a combater facções e cartéis; documento cita PCC e CV.
  2. Drogômetro': novo aparelho que será usado nas blitzes da Lei Seca vai pegar motorista que toma remédio.
  3. O furacão que colocou litoral do México em alerta em meio ao 'super El Niño.
  4. Eu não quero morrer, quero parar de sentir dor': os anos sem diagnóstico que levaram jovem a pedir a eutanásia.
  5. 00:37Play Vídeo, Chinesa de 6 anos bate recorde mundial de cubo mágico duas vezes, Duration 0,37.
  6. 00:42Play Vídeo, O momento dramático em que navio se choca com barco pesqueiro, Duration 0,42.
  7. 01:48Play Vídeo, EUA podem usar 'poderio militar incomparável' para garantir interesses na América Latina, diz Trump na ONU, Duration 1,48.
  8. 00:27Play Vídeo, Passageiros entram em pânico após teto de avião desabar em pouso de emergência, Duration 0,27.
  9. 01:25Play Vídeo, Quem se beneficia com voto branco e nulo?, Duration 1,25.
  10. 02:48Play Vídeo, Como a ditadura e a crise da aids influenciaram a estética dos anos 1980, Duration 2,48.
  11. 01:23Play Vídeo, Flávio Dino: 'Há mensagens dos ministros Fux, Kassio e André. Onde vamos parar?', Duration 1,23.
  12. 02:49Play Vídeo, Cármen Lúcia diz que crise no STF causa 'mal-estar cívico' no país, Duration 2,49.
  13. 01:21Play Vídeo, 'Não aponte o dedo pra mim': o embate entre Gilmar Mendes e André Mendonça, Duration 1,21.
  14. 01:45Play Vídeo, O bate-boca entre Alexandre de Moraes e André Mendonça no STF: 'Quem tem medo da Polícia Federal?', Duration 1,45.
  15. 02:31Play Vídeo, Ela postou sobre festa de Daniel Vorcaro e teve conta derrubada: 'Só agora entendi tudo', Duration 2,31.
  16. 01:34Play Vídeo, Como crise envolvendo Alexandre de Moraes prejudica Lula, segundo analista, Duration 1,34.
  17. Os vídeos de IA que erotizam história brutal do Brasil e têm milhões de visualizações no YouTube25 agosto 2026.
  18. A invasão de vídeos feitos com IA para 'hipnotizar' crianças no YouTube: 'Pode impactar pelo resto da vida'24 julho 2026.
  19. Danos fatais': médico descobre clones de IA usando seu rosto para enganar idosos e vai à polícia7 julho 2026.
  20. Por que os candidatos a presidente querem construir mais data centers no Há 3 horas.
  21. Nunca tinha visto modelos apontarem uma área tão grande de risco': temporal que já deixou vítimas no RS agora ameaça Estado com enchentes22 setembro 2026.
  22. Hayden Panettiere: o que autópsia revela sobre causa da morte da atriz22 setembro 2026.
  23. Na ONU, Lula critica ação dos EUA na região: 'Brasil não cabe no quintal de ninguém'22 setembro 2026.
  24. A próxima coisa que veremos é ação militar direta dos EUA em diferentes países', diz jornalista americano especializado em América Latina21 setembro 2026.
  25. Na ONU, Trump ameaça usar poder militar dos EUA para garantir 'interesses' na América Latina22 setembro 2026.
  26. Eles viram a mãe ser assassinada e foram baleados pelo próprio pai — como irmãos lutaram anos por Justiça22 setembro 2026.
  27. Campanha de Jaques Wagner vai à Justiça e derruba site que exibia mensagens de Daniel Vorcaro22 setembro 2026.
  28. 5A propaganda da Converse que foi retirada por ser 'profundamente perturbadora' e acusada de racista.
  29. 6'Levamos marmita para o trabalho por 10 anos e conseguimos nos aposentar aos 35 e 40 anos'Última atualização: 12 julho 2026.
  30. 7Como Rick, da dupla Rick & Renner, morto em acidente de helicóptero, ajudou a renovar sertanejo.
  31. 8Flávio Bolsonaro mantém liderança sobre Lula no 2º turno no Agregador de Pesquisas para presidente da BBC News Brasil.
  32. 9Hayden Panettiere: o que autópsia revela sobre causa da morte da atriz.
  33. BBC News, Vá para o conteúdo Seções Por que os candidatos a presidente querem construir mais data centers no Crédito, Getty ImagesLegenda da foto, Racks de servidores com luzes piscando em uma moderna sala de data centerArticle Information.

Os projetos integram uma estratégia para ampliar a capacidade computacional do Brasil, um dos recursos necessários para treinar e operar sistemas de inteligência artificial (IA).

Essa agenda de ampliar a infraestrutura para a IA não é exclusividade do petista: aparece também em praticamente todos os planos de governo de presidenciáveis que atingem maior intenção de voto nas pesquisas: Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).

Os candidatos defendem, de alguma forma, incentivos à instalação ou à expansão de data centers, grandes instalações que reúnem servidores para armazenar e processar dados e serviços digitais, incluindo sistemas de IA.

Em uma eleição marcada pela polarização, há uma espécie de consenso, ainda que limitado, sobre o tema, entre os principais candidatos.

As propostas, no entanto, diferem quanto ao papel do Estado, à atração de empresas estrangeiras, à transferência de tecnologia e às exigências ambientais.

Augusto Cury (Avante), que cresceu nas pesquisas e passou a figurar entre os candidatos mais competitivos no fim de agosto, também dedica parte de seu programa à inteligência artificial e à robótica, mas seu plano menciona a IA como uma infraestrutura estratégica de Estado, sem apresentar uma proposta específica para a construção ou expansão de data centers.

Para eles, os candidatos ainda precisam explicar qual tipo de data center pretendem atrair, quais benefícios serão gerados no Brasil e quem pagará os custos de energia, água e infraestrutura — informações que os planos de governo não detalham.

Soberania, incentivos tributários e zonas especiais.

Veja Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil.

Fim do Promoção Agregador de pesquisas.

O plano de Lula, à frente nas pesquisas para o primeiro turno até o momento, associa os data centers à soberania digital.

Seu programa defende uma infraestrutura computacional nacional, serviços de nuvem (que permitem armazenar e processar dados em servidores acessados pela internet) e supercomputadores desenvolvidos ou operados por instituições brasileiras.

O plano também propõe que a expansão do setor seja acompanhada de exigências de eficiência energética, uso progressivo de fontes renováveis, avaliação dos impactos sobre o sistema elétrico e hídrico e contrapartidas de conteúdo local.

Ronaldo Caiado (PSD) também defende incentivos tributários para o setor, condicionados a exigências ambientais, tecnológicas e sociais.

Seu plano fala em energia nova e renovável, eficiência no uso da água, geração de empregos, qualificação profissional, investimento na rede elétrica e reserva de capacidade para universidades, centros de pesquisa e empresas brasileiras.

Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) apresentam uma abordagem mais orientada à atração de investimentos privados.

Os dois defendem energia barata e confiável e um ambiente regulatório e tributário capaz de convencer empresas de tecnologia a instalar suas estruturas no Brasil.

O plano de Flávio diz que o país deve se transformar em um polo global de data centers sustentáveis, aproveitando a matriz elétrica renovável.

Já Zema fala em aproveitar a abundância de energia limpa e competitiva do país para acelerar a eletrificação da economia e atrair indústrias intensivas em energia, inteligência artificial e data centers, gerando empregos qualificados e novos investimentos.

Renan Santos (Missão) defende incentivos para a instalação de data centers e afirma que quer transformar o Brasil, especialmente a região Nordeste, em um exportador de capacidade computacional.

A ideia inclui zonas econômicas especiais voltadas à inteligência artificial, com regras próprias para energia, impostos e regulação.

O plano de Augusto Cury afirma que o Brasil precisa deixar de ser apenas consumidor e se tornar produtor de inovação, mas não cita o termo data center.

O documento propõe investimentos em robótica, inteligência artificial, internet das coisas, automação industrial, computação em nuvem e manufatura avançada.

O programa também trata a inteligência artificial como uma infraestrutura estratégica de Estado e defende uma política nacional para seu desenvolvimento, regulação e aplicação em serviços públicos, educação, saúde, segurança e gestão governamental.

Para Luca Belli, professor da Fundação Getulio Vargas e coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade, a construção de data centers não garante, por si só, soberania tecnológica.

Você pode ser um quintal para data centers de outros, que simplesmente vão absorver os seus recursos naturais e energéticos", afirma.

Ou pode criar data centers de maneira ecossistêmica, pensando primeiro na transferência tecnológica.

Segundo Belli, a instalação de um data center deveria estar associada a parcerias com universidades, laboratórios, startups e governos locais. O objetivo seria formar pesquisadores, desenvolver empresas e criar tecnologia no país.

Se o data center for criado simplesmente para receber um investimento, gerar empregos durante a construção e depois funcionar para processar uma IA estrangeira, consumindo energia e água locais, essa não é necessariamente uma estratégia sustentável", diz.

Para Belli, o conceito de soberania digital não significa que o Brasil precise produzir sozinho todos os equipamentos e sistemas que utiliza.

A soberania, no final das contas, é ter escolhas", afirma ele.

Hoje, a computação em nuvem é dominada por um pequeno grupo de empresas americanas. A produção de chips avançados também está concentrada.

Se você constrói um LLM [large language model, modelo de IA como, por exemplo, o ChatGPT ou o Gemini] com dados brasileiros, mas, para funcionar, depende totalmente de computação em nuvem estrangeira, você não está sendo soberano", diz Belli.

A escolha dos fornecedores dos supercomputadores ocorre em meio à corrida tecnológica da IA entre Estados Unidos e China. Mas o governo brasileiro afirma que não pretende escolher um dos lados.

Em julho, o Brasil assinou o acordo de criação da Waico, Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, criada em Xangai com a participação de 29 países.

A organização pretende promover cooperação técnica e científica, formação de profissionais, compartilhamento de infraestrutura, desenvolvimento de modelos abertos e alinhamento de padrões de governança para inteligência artificial.

A posição brasileira é de que a Waico não deve ser vista como uma iniciativa necessariamente concorrente da Pax Silica, iniciativa lançada pelos Estados Unidos em 2025 voltada à segurança das cadeias de fornecimento necessárias para a inteligência artificial.

Enquanto a Waico se concentra principalmente em cooperação, capacitação e governança, o Pax Silica organiza uma rede de parceiros em torno das bases materiais da IA.

O Itamaraty descreve o Brasil como um "país-ponte", que participa de diferentes fóruns e negocia com parceiros diversos sem assumir alinhamento automático com os Estados Unidos ou a China.

A avaliação oficial é de que a soberania digital não significa isolacionismo nem autossuficiência completa.

Em entrevista à Folha de S. Paulo publicada em 12 de agosto, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, reconheceu que a decisão envolve "incertezas e riscos.

Os Estados Unidos ameaçam cessar o fornecimento a quem fizer negócios nessas áreas mais críticas com a China", afirmou ao jornal.

Para Luca Belli, o Brasil não tem condições de substituir imediatamente todos os fornecedores estrangeiros.

Não dá para transitar da dependência total, principalmente americana, para a independência da noite para o dia", afirma.

A solução, segundo ele, seria diversificar as dependências e construir alternativas nacionais.

Você precisa ter a possibilidade de trocar, de desistir de um sistema que não considera compatível com as suas escolhas e os seus valores, e passar para outro sistema sem ficar preso.

Qual data center os candidatos querem atrair.

A promessa de transformar o Brasil em um polo de inteligência artificial também envolve custos menos evidentes à primeira vista.

Data centers funcionam continuamente, consomem grandes quantidades de energia e podem usar água em seus sistemas de refrigeração.

A instalação desses empreendimentos também pode afetar comunidades vizinhas e exigir investimentos na infraestrutura elétrica.

Igor Rodrigues Britto, diretor-executivo do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), diz que os presidenciáveis precisam explicar qual tipo de data center pretendem atrair e quais regras serão adotadas para evitar impactos sobre as populações e os consumidores.

Para Britto, a primeira distinção é entre estruturas voltadas ao armazenamento de dados de governos, empresas e consumidores brasileiros e aquelas construídas para atender grandes plataformas internacionais de inteligência artificial.

De que tipo de data center vocês [candidatos] estão falando? Existem diferenças entre data centers.

Segundo ele, muitos dos projetos atualmente atraídos pelo Brasil são estruturas destinadas ao treinamento e à operação de sistemas de inteligência artificial generativa usados por empresas estrangeiras.

Na avaliação de Britto, esses empreendimentos não produzem necessariamente soberania digital para o Brasil, porque não aumentam o controle do país sobre seus próprios dados nem desenvolvem tecnologia nacional.

Eles não vão servir para armazenar dados do SUS. Eles não vão servir para o Banco do Brasil e a Caixa Econômica utilizarem esses data centers aqui para armazenar as informações dos consumidores.

O diretor-executivo do Idec cita como exemplo o data center associado ao TikTok em Caucaia, no Ceará.

Britto afirma que o consumo de energia e água é consequência do funcionamento contínuo dos servidores e dos sistemas de refrigeração.

As tecnologias utilizadas hoje fazem com que os servidores fiquem ligados 24 horas por dia, 7 dias por semana, consumindo uma quantidade de energia gigantesca", diz.

Esse gasto de energia também gera um consumo de recurso hídrico muito grande. Para mantê-los funcionando, são necessários sistemas de resfriamento, que também gastam muita água.

Ele também menciona os efeitos para quem vive perto dessas estruturas.

O ruído é insuportável para os vizinhos. Em vários países, movimentos de consumidores já conseguiram a proibição, por prefeituras, da instalação de data centers dentro das cidades.

Por isso, o Idec defende regras específicas para definir onde esses empreendimentos podem ser instalados, quais impactos devem ser estudados e quem deve pagar pelos custos provocados no sistema elétrico.

A gente defende que sejam criadas regras e que os candidatos falem também sobre as restrições necessárias para esses data centers, que geram impacto para as populações e para os consumidores.

Outro projeto citado é o complexo de data centers da Scala no Rio Grande do Sul.

Segundo Felipe Silva, diretor do Laboratório de Políticas Públicas e Internet (Lapin), o empreendimento, previsto para Eldorado do Sul e Charqueadas, tem perspectiva de alcançar até 5 GW de capacidade.

Silva e a organização dizem que há problemas no processo de licenciamento ambiental, incluindo a ausência de consulta a comunidades indígenas próximas e o sigilo de informações sobre o fornecimento de energia e as atividades que serão realizadas no complexo.

Foi decretado sigilo sobre todas as informações energéticas do projeto dentro do licenciamento ambiental. Então, a gente não sabe de onde vai vir esse fornecimento de energia, quais linhas de distribuição e transmissão vão ser necessárias implementar e quem vai pagar essa conta", afirma.

A BBC News Brasil procurou as empresas responsáveis pelos data centers citados pelos entrevistados, mas ainda não obteve retorno.

O caminho proposto pelos presidenciáveis já avança no país antes mesmo da eleição.

O Senado aprovou, no início de setembro, um projeto de lei que cria incentivos fiscais para estimular a criação de data centers no país, o Redata.

Trata-se de um regime especial de tributação, que beneficia empresas com suspensão de impostos sobre importação, PIS/Cofins e sobre produtos industrializados (IPI).

Há contrapartidas das empresas, como uso de energia de fonte renovável ou de baixa emissão.

As empresas devem também assumir compromissos como direcionar ao menos 10% do fornecimento efetivo de processamento, armazenagem e tratamento de dados instalados; atender a critérios de sustentabilidade, seguir indicadores de eficiência hídrica, dentre outros requisitos.

Para Felipe Silva, diretor do Laboratório de Políticas Públicas e Internet (Lapin), a aprovação no Senado agravou problemas que já existiam na proposta.

O Redata já nascia como uma política extremamente questionável para os objetivos que se propunha, como desenvolvimento sustentável e soberania digital. A aprovação no Senado por meio de manobra regimental acabou por descortinar o texto, ao abrir margem para a inclusão de combustíveis fósseis, como o gás natural, e de energia nuclear", afirma.

Em vez de exigir salvaguardas sociais, ambientais e contrapartidas reais que promovam o desenvolvimento tecnológico, o projeto apenas concede bilhões em incentivos fiscais a grandes corporações estrangeiras.

Meio AmbienteConservação ambientalMudanças climáticasNaturezaLuiz Inácio Lula da SilvaBrasilTecnologiaInteligência ArtificialCiênciaLuiz Fernando ToledoRenan SantosRomeu ZemaFlávio BolsonaroAugusto CuryJair Bolsonaro Pular Assista e continuarAssista Fim de Assista.

BBC News, Brasil © 2026 BBC. A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos. Leia sobre nossa política em relação a links externos.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Mundo