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Trump planeja grande espetáculo para conversas potencialmente tensas com Xi

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WASHINGTON, 23 Set (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, ⁠Donald Trump, receberá o presidente chinês, Xi Jinping, em Washington nesta quarta-feira para ⁠uma visita de três dias, na qual as tensões entre as superpotências em relação ao comércio, à tecnologia ‌e ao Irã serão destaques em meio a toda a pompa e cerimônia.

Para a primeira viagem do líder chinês aos EUA em quase três anos, Trump receberá Xi e sua esposa na pista de pouso quando eles chegarem ‌na noite de quarta-feira à base militar de Maryland, que abriga o Air Force One.

A programação inclui um jantar de Estado com personalidades do setor de tecnologia, uma cerimônia militar na Casa Branca com sobrevoos de jatos e uma visita ao Arquivo Nacional, onde estão guardados os originais da Declaração de Independência e da Constituição.

Apesar de suas profundas divergências, ambos os lados seguiram em frente com a cúpula, que, segundo analistas, busca projetar estabilidade entre a maior fábrica do mundo e seu ⁠maior ‌consumidor.

As expectativas de um avanço significativo durante a visita de Xi são mínimas.

A trégua comercial de 11 meses entre os ⁠países chega ao fim em novembro, mas os dois lados estão em desacordo sobre questões que vão de Taiwan a narcóticos e minerais de terras raras.

Pessoas a par dos planos afirmaram que Xi provavelmente levantará com veemência a reivindicação de Pequim sobre Taiwan, um tema que Washington preferiria evitar, enquanto Trump provavelmente manterá controles rígidos sobre as exportações dos EUA apesar das objeções de Xi.

No entanto, as conversas marcadas para quinta-feira podem, mesmo assim, ​resultar em acordos para reduzir tarifas em setores específicos, cooperar no combate ao tráfico de drogas e ampliar o diálogo entre as forças armadas.

Trump deve buscar a libertação de alguns norte-americanos e outras pessoas detidas na China, ​segundo essas fontes.

Irã mostra condições para reabrir Ormuz a representante dos EUA, diz mídia estatal.

As condições ‌para a ​reabertura do estreito incluem o levantamento imediato ⁠do ​bloqueio ​naval e a liberação imediata dos ⁠ativos iranianos ​congelados.

Os dois países também podem concordar em discutir mais sobre inteligência artificial, área em que estão em acirrada competição, mas cientes dos perigos crescentes.

A reunião ocorre em um momento difícil para Trump, que enfrenta queda nos índices de aprovação à medida que cresce o descontentamento público com sua guerra contra o Irã.

Xi, embora também enfrente desafios internos, chega em uma posição aparentemente mais forte, com o motor comercial de seu país em plena atividade.

Os próprios ‌líderes podem não sentir que precisam fazer concessões, afirmaram analistas.

Um jantar de Estado na quinta-feira vai reunir chefes de empresas importantes em ambos os mercados, como Tim Cook, da Apple; Jensen Huang, ⁠da Nvidia; e Sam Altman, da OpenAI.

Assim como nos dois encontros ​anteriores desde 2025, os líderes estão planejando um espetáculo público altamente ensaiado. Em vez de uma coletiva de imprensa conjunta ou de uma declaração no final, os países devem emitir comunicados destacando o que cada lado espera transmitir ao público interno.

Para Trump, a viagem ​encerra uma semana de diplomacia que começou com uma estadia de dois dias em Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas. Quase sete meses de guerra com o Irã fizeram os ​preços da energia dispararem nos EUA, e ⁠o partido Republicano do presidente enfrenta perspectivas difíceis nas eleições para o Congresso em novembro.

Xi comandou um aumento no comércio exterior da China, mas enfrenta gastos ⁠domésticos fracos e uma retração no mercado imobiliário. Medidas drásticas contra a corrupção e para impor disciplina nas Forças Armadas ajudaram a consolidar o poder de Xi, mas também levantaram questões sobre a prontidão do Exército Popular de Libertação.

Considera-se provável que ocorra outro encontro entre Trump e Xi ainda este ano, possivelmente à margem da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) na China, em novembro, ou das reuniões do G20 nos EUA, em dezembro.

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