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Lula abre Assembleia da ONU com indignação: “credibilidade nunca esteve tão baixa”

Na 81ª sessão, em Nova York, o presidente criticou o imobilismo do Conselho de Segurança, defendeu soberania, combate ao crime organizado e regulação das big techs — e disse que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”.

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Lula abre Assembleia da ONU com indignação: “credibilidade nunca esteve tão baixa”
Ricardo Stuckert / PR (Wikimedia Commons)

Nova York — Há uma frase que costuma abrir discursos protocolares na Assembleia Geral das Nações Unidas. Nesta terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva preferiu outra palavra: indignação.

Na décima vez em que ocupe a tribuna do Debate Geral — tradição que reserva ao Brasil a abertura dos trabalhos —, Lula descreveu a ONU no “momento mais crítico” desde 2003 e afirmou que a organização falha na missão de “livrar a humanidade do flagelo da guerra”. A credibilidade, disse, “nunca esteve tão baixa”.

O tom não era de formalismo diplomático. Era de alguém que olha o mapa do mundo e vê o Conselho de Segurança paralisado, enquanto o ano de 2025 registra, segundo ele, o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra. “Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, afirmou.

O veto, a guerra e a falência da política

Lula voltou a um velho diagnóstico brasileiro: o direito de veto das potências, “vício de origem” da Carta da ONU, teria conferido às grandes potências “o privilégio da insensatez”. Pediu que os líderes do Conselho se reunissem — e lembrou que guerra, para ele, não é “continuação da política por outros meios”, e sim “a falência total da política”.

No Oriente Médio, citou a dor de civis palestinos em Gaza e o preço pago por civis israelenses nos ataques do Hamas. Criticou assentamentos na Cisjordânia, defendeu a solução de dois Estados e cobrou respeito ao Tribunal Penal Internacional. Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, que “se arrasta há cinco anos”, repetiu: não haverá vencedores no campo de batalha — só diplomacia.

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”

Sem citar nomes, Lula falou de “recrudescimento de tentações hegemônicas” nas Américas e de ingerência externa em processos eleitorais. A frase que deve ecoar nas próximas semanas veio sem rodeios: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém.”

No fechamento, olhou para 4 de outubro — dia em que brasileiros vão às urnas — e afirmou que a democracia “pertence aos brasileiros”. Disse que o país terá pleito transparente e competitivo, mas alertou para redes de desinformação e para quem “se associa a interesses estrangeiros contrários ao país”.

Crime, tarifas, PIX e big techs

Houve também agenda doméstica traduzida em linguagem internacional. Lula rejeitou “terceirizar” o combate ao crime organizado — “não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas” — e pediu cooperação para estancar armas e dinheiro ilícito. Criticou o uso de tarifas como “arma de coerção”, a indústria das bets e a falta de regras para big techs e inteligência artificial. Sobre o PIX, foi direto: não cederá a pressões para privatizar a infraestrutura pública de pagamentos.

O discurso veio antes da fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sob o tema da 81ª sessão: “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma ONU que atenda a todas as pessoas”. Lula deixou a tribuna com um recado de soberania — e com a Assembleia ainda no começo de uma semana que promete atrito.

Por Amin Feres, redator da ULTRA NOTÍCIAS. Fontes: discurso oficial da Presidência / Planalto; g1; SBT News; ONU News.

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