Ir para o conteúdo

Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 | Corumbá - MS | 31°C Céu limpo

Mundo

Israel prende 10 suspeitos após ataques de colonos na Cisjordânia

Prisões ocorrem após agressões contra fotojornalista americana e diplomatas europeus; UE e aliados de Israel cobraram responsabilização

4 min de leitura
Mundo — imagem padrão

A polícia israelense prendeu nesta segunda-feira (19) dez suspeitos de envolvimento em ataques de colonos na Cisjordânia ocupada, ocorridos no fim de semana. Entre os alvos de agressões estão uma fotojornalista do Washington Post e diplomatas europeus.

Os Estados Unidos, principal aliado de Israel, haviam pressionado o governo israelense a reprimir a violência e prender os responsáveis pelo ataque à jornalista americana Heidi Levine.

França, Bélgica e Polônia, cujos diplomatas também foram atacados, fizeram apelos semelhantes.

Segundo a organização israelense de direitos humanos Yesh Din, foram registrados ao menos 170 ataques de colonos contra palestinos desde 27 de setembro. Jornalistas, ativistas israelenses e observadores estrangeiros também têm sido alvo da violência.

A polícia informou que os suspeitos foram presos sob suspeita de envolvimento em atos de violência, violação de uma ordem que estabelece uma zona militar fechada e de construção ilegal.

Eles não foram identificados e foram levados para interrogatório. A Rádio do Exército de Israel informou que todos são cidadãos do país.

A operação envolveu a polícia e as forças militares israelenses, além do Shin Bet, serviço de segurança interna do país.

O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, afirmou no X que as prisões eram "um acontecimento muito positivo" para encontrar e punir os responsáveis pelo ataque que deixou Levine gravemente ferida.

Na sexta-feira (16), quando Levine foi atacada, dezenas de colonos mascarados, alguns deles armados, invadiram uma área onde palestinos colhiam azeitonas. Alguns dos agressores lançaram pedras.

Ao anunciar as prisões, o comandante-geral da polícia israelense, Daniel Levy, afirmou que a lei vale para todos, "independentemente de identidade ou filiação.

Segundo ele, a polícia está comprometida com uma aplicação "profissional, igualitária e imparcial" da lei, baseada em provas.

Levine, cidadã americana, estava fotografando a colheita de azeitonas na Cisjordânia. Ela foi levada ao hospital e passou por uma cirurgia na mão. O ataque à jornalista foi filmado.

No sábado (17), diplomatas da França, Bélgica e Polônia e o prefeito francês Bernard Baudoux, 78, também foram atacados por colonos mascarados em outra região da Cisjordânia.

Um veículo diplomático belga foi danificado.

Baudoux afirmou que os agressores fizeram comentários ofensivos contra a França, o chutaram e o golpearam com barras de ferro. "Acho que, se os colonos estão se comportando assim, existe uma tolerância por parte do governo israelense", disse após o ataque.

O mundo inteiro precisa saber o que está acontecendo.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, e as Forças Armadas atribuíram o ataque aos diplomatas a "manifestantes israelenses violentos". O primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, porém, adotou um tom mais cauteloso.

Netanyahu afirmou que os diplomatas entraram em uma "área sensível, com histórico de confrontos", sem coordenar a visita com as Forças Armadas. Também disse que os fatos sobre o ataque a Levine ainda não estavam claros.

O presidente de Israel, Isaac Herzog, pediu desculpas pelo ataque à jornalista e afirmou que os "manifestantes violentos" que a agrediram brutalmente não representam os valores do país.

A União Europeia também condenou "veementemente" o ataque aos diplomatas europeus. Em comunicado divulgado no domingo (18), o bloco pediu que os responsáveis sejam responsabilizados e que Israel adote medidas efetivas para impedir novos episódios de violência e assédio contra palestinos — especialmente durante a atual temporada de colheita de azeitonas — e contra jornalistas.

A UE também pediu que Israel respeite integralmente o direito humanitário e os direitos humanos internacionais e interrompa a expansão dos assentamentos israelenses.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, alertou para uma possível crise na Cisjordânia após o ataque à fotojornalista americana.

A violência ocorre em meio ao aumento dos ataques de colonos contra palestinos e às vésperas das eleições israelenses de 27 de outubro, disputadas em clima acirrado.

O período coincide com a colheita de azeitonas, frequentemente interrompida por ataques de colonos, enquanto Netanyahu busca consolidar o apoio de sua base nacionalista e favorável à expansão dos assentamentos.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Mundo