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Mato Grosso do Sul

Debate presidencial na Band é marcado por ataques e embates sobre propostas

6 min de leitura
Debate presidencial na Band é marcado por ataques e embates sobre propostas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, participaram neste domingo (18) de um debate promovido pela TV Bandeirantes.

Segunda-feira, 19 de Outubro de 2026, 13h:15 - A | A.

Candidatos abordaram o INSS, a escala 6x1, a segurança pública e a abertura de sigilos bancários e telefônicos.

O encontro foi marcado por provocações, acusações envolvendo familiares e discussões sobre segurança pública, saúde, jornada de trabalho e relações internacionais.

O presidente também levantou questões sobre a relação de Flávio com pessoas ligadas a investigações criminais, sua posição sobre a identificação numérica de cápsulas de munição e seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual no Rio de Janeiro.

Flávio, por sua vez, direcionou perguntas a Lula sobre seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, citado em investigações relacionadas a um suposto esquema de tráfico de influência.

O debate teve acusações dos dois lados, sem que todos os questionamentos fossem respondidos diretamente.

Flávio criticou o governo Lula por irregularidades envolvendo descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Lula, por sua vez, destacou as medidas adotadas por seu governo para investigar o esquema e ressarcir aposentados e pensionistas prejudicados.

Na discussão sobre segurança pública, Flávio defendeu classificar facções criminosas como organizações narcoterroristas e afirmou que pretende criar 500 mil vagas no sistema penitenciário caso seja eleito.

Lula reafirmou a proposta de criar um Ministério da Segurança Pública para coordenar ações entre municípios, estados e União, com o objetivo de ampliar a participação federal no enfrentamento à criminalidade.

No segundo bloco, os candidatos discutiram o Sistema Único de Saúde (SUS). Flávio afirmou que indicaria o médico Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para o Ministério da Saúde.

Segundo o senador, a proposta seria levar ao sistema público um padrão de atendimento semelhante ao da instituição privada.

Lula questionou a proposta e perguntou se o adversário pretendia privatizar o SUS. O presidente também criticou a condução da pandemia de covid-19 pelo governo Jair Bolsonaro, citando o número de mortes no período e as controvérsias sobre a compra de vacinas.

Durante a resposta, Flávio interrompeu o presidente, e a jornalista Adriana Araújo, uma das mediadoras, precisou intervir. Na sequência, o senador defendeu a atuação do governo do pai durante a pandemia e argumentou que a crise sanitária era uma situação inédita.

Outro tema foi a saída temporária de presos. Flávio citou casos de assassinatos para criticar o benefício e questionou Lula sobre sua posição. O presidente defendeu a manutenção da medida para presos que atendam aos critérios legais, mas afirmou que condenados por crimes graves, como estupro e violência contra mulheres, não deveriam recebê-la.

Lula também acusou Flávio de defender um eventual indulto a Jair Bolsonaro, condenado por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. O senador, por sua vez, defendeu posições mais rígidas na área de segurança pública.

Os candidatos também discutiram o fim da escala de trabalho 6x1. Flávio afirmou ter mudado de posição sobre a proposta depois de ouvir trabalhadores e disse que poderia rever suas opiniões quando convencido de que uma mudança seria benéfica à população.

Lula criticou a trajetória profissional do adversário e afirmou que ele não conhece a realidade de trabalhadores que dependem do transporte público.

No terceiro bloco, Lula desafiou Flávio a apresentar os sigilos bancários e telefônicos dos dois candidatos, incluindo informações de familiares, para que eventuais irregularidades fossem apuradas pelas autoridades.

Flávio respondeu que não tinha nada a esconder, mas não confirmou expressamente que aceitaria a proposta nos termos apresentados por Lula. Em seguida, acusou o presidente de manter recursos fora de suas contas bancárias, sem apresentar comprovação durante o debate.

A relação do Brasil com os Estados Unidos também esteve entre os temas discutidos. Lula questionou a posição de Flávio sobre a atuação norte-americana e levantou preocupações sobre a soberania brasileira na exploração de minerais críticos, utilizados na fabricação de baterias e produtos tecnológicos.

O presidente acusou a família Bolsonaro de se alinhar aos interesses dos Estados Unidos. Flávio defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado e negou ter atuado para impor tarifas contra empresas brasileiras, apesar de manifestações de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, favoráveis à adoção de tarifas sobre exportações nacionais.

Na área de segurança, Flávio também defendeu ampliar o uso de câmeras com reconhecimento facial e endurecer punições criminais. Lula citou iniciativas de seu governo, como o programa Celular Seguro, voltado ao bloqueio de aparelhos roubados.

Após o debate, equipes do Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar de São Paulo foram acionadas para verificar uma suspeita de bomba em um veículo no estacionamento da emissora, que seria ligado à equipe de Flávio Bolsonaro.

Durante a averiguação, jornalistas e convidados foram impedidos temporariamente de deixar o local. Após a varredura, nenhum artefato foi encontrado, e a área foi liberada.

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