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Agronegócio

Como a saúde bucal do boi impacta na produtividade do rebanho?

Lesões na gengiva, desgaste dentário e raízes expostas podem causar dor, dificultar a alimentação e comprometer o desempenho dos bovinos

3 min de leitura
Como a saúde bucal do boi impacta na produtividade do rebanho?

A saúde bucal dos bovinos pode indicar problemas que afetam a produtividade do rebanho. Lesões na gengiva, retração gengival, raízes dentárias expostas e desgaste excessivo dos dentes podem provocar dor e dificultar a alimentação dos animais.

Segundo o médico-veterinário Iveraldo Dutra, especialista em saúde e bem-estar animal, cerca de vinte por cento dos bovinos avaliados apresentam lesões graves na boca.

O alerta foi gerado a partir de estudos sobre saúde bucal de bovinos, incluindo a análise de mais de mil animais em rebanhos de Goiás. As alterações identificadas podem comprometer a eficiência alimentar e, consequentemente, o desempenho produtivo na pecuária de corte e leite.

Entre os sinais que exigem atenção estão a retração da gengiva, a exposição da raiz dentária, dentes soltos ou quebrados, desgaste irregular e inchaços associados a infecções.

Essas alterações podem evoluir para doenças periodontais, abscessos e inflamações que afetam os tecidos de sustentação dos dentes. Dutra informa que a exposição da raiz dentária é um sinal importante, pois pode causar dor durante atividades básicas, como beber água e pastar.

O desconforto na boca pode reduzir a capacidade do animal em apreender o alimento, prejudicando a mastigação e a ruminação. “Esses animais têm dor ao ingerir água, têm dor ao pastar”, explicou o especialista.

Essa situação pode afetar a eficiência alimentar e o desempenho do rebanho, impactando diretamente na produtividade.

A importância da avaliação dentária.

Dutra destaca que a avaliação da boca deve ser parte de uma análise mais ampla da saúde do rebanho, que inclui as condições das pastagens, a suplementação e a disponibilidade de água.

A alimentação dos bovinos é diretamente influenciada pela condição dentária, uma vez que os dentes e os movimentos de mastigação são fundamentais para o processamento do alimento.

Uma vaca pode realizar cerca de trinta mil bocados por dia, o que torna essencial a manutenção da saúde bucal. Problemas dentários podem comprometer o consumo e, consequentemente, a produção de leite na pecuária leiteira, além de prejudicar o desenvolvimento e o ganho de peso na pecuária de corte.

Dutra sugere que o pecuarista estabeleça uma rotina de avaliação da dentição, considerando as categorias animais e as características do sistema de produção. A proposta não é ter um dentista bovino na fazenda, mas sim adotar métodos de observação que ajudem a identificar alterações e orientar medidas preventivas.

Identificação de problemas e tecnologias.

A avaliação da boca ajuda a identificar problemas que nem sempre são evidentes na rotina da fazenda. Os bovinos não conseguem expressar verbalmente a dor, o que torna fundamental que o produtor e a equipe da fazenda reconheçam sinais físicos e comportamentais.

O cuidado com a dentição deve integrar as práticas de prevenção, nutrição e bem-estar, permitindo investigar causas de lesões e avaliar medidas necessárias para reduzir o sofrimento dos bovinos.

Para o especialista, observar a boca do boi é uma forma de ampliar a avaliação sanitária do rebanho e identificar fatores que podem interferir na eficiência produtiva ao longo da vida do animal.

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