O Departamento de Defesa dos Estados Unidos classificou os Institutos Confúcio, ligados ao regime da China, como uma ameaça à segurança nacional, anunciou nesta sexta-feira (23) o secretário de Defesa, Pete Hegseth.
A medida reforça a ofensiva de Washington contra iniciativas chinesas de influência cultural e educacional em território americano.
Os Institutos Confúcio foram criados por Pequim em 2004 para promover o ensino do idioma chinês e divulgar a cultura do país no exterior. Em geral, funcionam em parceria com universidades estrangeiras e recebem apoio financeiro de entidades da China vinculadas ao regime.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Hegseth afirmou que os institutos operavam disfarçados em universidades americanas. "Descobriu-se que 80 novas células de propaganda surgiram em 30 universidades, usando nomes e estatutos diferentes, mas com a mesma missão: roubar propriedade intelectual e se infiltrar nas mentes dos estudantes americanos", afirmou o secretário, sem apresentar provas.
Nos EUA, esses centros passaram a ser alvo de críticas de autoridades que veem neles instrumentos de propaganda e influência política do Partido Comunista Chinês, além de possíveis riscos à liberdade acadêmica e à segurança nacional.
Hegseth não detalhou os critérios usados pelo governo para classificar os institutos como ameaça à segurança nem esclareceu quais medidas poderão decorrer dessa decisão.
Procurada pela agência de notícias Reuters, a embaixada chinesa em Washington não comentou.
A ofensiva da Casa Branca contra os institutos começou antes da gestão atual. Em agosto de 2020, durante o primeiro mandato de Donald Trump, o governo americano classificou os Institutos Confúcio nos EUA como uma missão estrangeira da China.
A medida, justificada por Washington como uma resposta aos esforços de influência de Pequim em instituições de ensino, obrigou a organização a fornecer informações administrativas ao governo.
Em 2021, já no governo de Joe Biden, entrou em vigor uma lei aprovada ainda no governo Trump que também restringiu o financiamento do Departamento de Defesa a universidades americanas que abrigassem Institutos Confúcio, salvo em casos de autorização excepcional.
A pressão provocou o fechamento de parte das unidades nos EUA.
Mais recentemente, em agosto, o Pentágono determinou que 30 instituições acadêmicas americanas revisassem seus vínculos de pesquisa, financiamento e cooperação com entidades estrangeiras consideradas preocupantes, incluindo organizações associadas a Institutos Confúcio.
As universidades poderiam perder acesso a recursos federais caso não cumprissem as exigências.
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