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Casa da América Latina de Paris completa 80 anos sob ameaça de fechamento

A Maison de l’Amérique Latine de Paris (MAL) comemora nesta quinta-feira (15) 80 anos de existência. Mas a instituição festeja essas oito décadas de promoção do

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Casa da América Latina de Paris completa 80 anos sob ameaça de fechamento

A Maison de l’Amérique Latine de Paris (MAL) comemora nesta quinta-feira (15) 80 anos de existência. Mas a instituição festeja essas oito décadas de promoção do diálogo entre a França e os países latino-americanos ameaçada de desaparecer.

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A vitrine da diplomacia e da cultura latino-americanas na França foi criada logo depois da Segunda Guerra Mundial pelo governo do general Charles de Gaulle. O Brasil, representado pelo embaixador Souza Dantas, teve um papel de relevância na fundação.

A Casa da América Latina preparou uma grande festa para marcar o aniversário de 80 anos. O evento acontece nesta quinta-feira, 15 de outubro, na sede histórica da instituição, no boulevard Saint-Germain, no coração de Paris.

Durante todo o dia, mesas-redondas e momentos de confraternização vão lembrar as oito décadas de promoção do diálogo entre a França e os países latino-americanos.

Entre os convidados, estão nomes de prestígio como o ex-presidente socialista François Hollande e o filósofo Régis Debray, além de diplomatas, intelectuais e representantes do setor cultural.

Mais de vinte grupos já manifestaram interesse, mas o edital de venda não obriga os potenciais compradores a manter o funcionamento da instituição no local.

O espaço recebe uma subvenção do Ministério das Relações Exteriores francês de € 25 mil por ano, mas é independente e autossuficiente financeiramente. As embaixadas dos 20 países da América Latina não contribuem com a instituição.

A MAL paga € 2 milhões de aluguel por ano e financia os mais de 100 eventos gratuitos que organiza alugando os salões e jardins de sua sede. Cerca de 50 mil pessoas visitam a Casa todos os anos.

A proposta de venda dos dois casarões do século 18, tombados pelo patrimônio histórico, já era conhecida. Mas o Banco da França decidiu acelerar o processo, que deve ser encerrando antes do fim do ano.

O edital de venda foi lançado após uma campanha na imprensa contra a Casa. A MAL foi acusada de má gestão e de “reduto de esquerdistas”.

Para Jean-Marc Laforêt, isso “não é uma coincidência”. Segundo o presidente da MAL, que já foi embaixador da França no Brasil e na Colômbia, “essa campanha (na imprensa) serviu para preparar o terreno por meio de acusações totalmente caluniosas e difamatórias.

É bastante claro para nós quem estava por trás dessa operação. Houve três artigos caluniosos publicados numa revista chamada Le Figaro Magazine, todos assinados pelo mesmo jornalista, que nunca veio aqui.

François Vitrani, diretor-geral da Casa da América Latina de Paris desde 1984, citado pessoalmente nas matérias, acredita que os autores dessa campanha de difamação politizam a questão.

O Banco da França justificou, em nota à AFP, que decidiu "dentro de uma política de boa gestão patrimonial, vender os imóveis por decisão de seu Conselho-Geral", explicando que "não faz parte de sua vocação conservar os palacetes, cujos custos de manutenção e de reforma seriam muito elevados”.

O espaço é considerado o principal polo cultural latino-americano em Paris. A venda do imóvel sem a garantia da permanência da Casa da América Latina no local seria um péssimo sinal para as relações diplomáticas franco-latino-americanas.

Necessariamente, essa venda tem uma dimensão diplomática. A Casa da América Latina abriga a sede do grupo de embaixadores latino-americanos na França, desde a fundação da instituição, em 1946.

É um lugar muito importante. Esse é o único espaço em Paris destinado aos encontros da comunidade latino-americana e aos intercâmbios entre a França e a América Latina.

Seu desaparecimento será inevitavelmente interpretado como uma falta de interesse da França pela América Latina”, ressalta Jean-Marc Laforêt.

O deputado Benoit Larrouquis, do grupo macronista Ensemble pour la Republique (Juntos pela República) e representante dos franceses que moram na América Latina, lembra a força simbólica da instituição, que deve ser preservada.

Um abaixo-assinado pedindo a intervenção do presidente francês para manter a MAL em sua sede histórica e garantir o futuro da instituição já recolheu mais de 25 mil assinaturas.

Resta saber se Emmanuel Macron será o presidente que permitirá o fechamento da Casa da América Latina, fundada pelo general Charles de Gaulle.

Em números

  • O espaço recebe uma subvenção do Ministério das Relações Exteriores francês de € 25 mil por ano, mas é independente e autossuficiente fin
  • A MAL paga € 2 milhões de aluguel por ano e financia os mais de 100 even
  • Cerca de 50 mil pessoas visitam a Casa todos os anos
  • Manter a MAL em sua sede histórica e garantir o futuro da instituição já recolheu mais de 25 mil assinaturas

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