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Apelo da Arábia Saudita por ajuda militar contra houthis deixa Trump em saia-justa

Aliados de presidente resistem a abrir nova frente militar no Oriente Médio, enquanto Pentágono estuda alvos

6 min de leitura
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Há duas semanas, a questão de ceder aos apelos da Arábia Saudita e ordenar que as Forças Armadas dos Estados Unidos ataquem alvos no Iêmen controlados pelos houthis, apoiados pelo Irã, vem atormentando o presidente Donald Trump.

A decisão de seguir adiante poderia abrir outra frente na guerra no Irã, iniciada por Trump, mas que ele não conseguiu encerrar, à medida que o conflito espalha abalos econômicos pelo mundo.

Durante semanas, o presidente oscilou diante dos apelos sauditas por ajuda no combate aos houthis, que se aproveitaram da instabilidade no Oriente Médio e reacenderam sua guerra contra o reino.

Mas a situação chegou a um ponto crítico na última quinta-feira (17): o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, líder de fato do reino e importante aliado na guerra contra o Irã, telefonou ao presidente para novamente implorar que ele interviesse a fim de conter o grupo, que avança rapidamente, segundo autoridades do governo.

Trump havia se reunido com assessores apenas um dia antes e lhes dito que não era favorável aos ataques. Mas, depois de falar com o príncipe, mudou de posição e ordenou ao Pentágono que se preparasse para realizar ataques aéreos contra os houthis.

Porém, no domingo (20), o presidente parecia ter mudado de posição novamente. Não haveria ataques aéreos dos Estados Unidos contra os houthis —ao menos por enquanto, segundo autoridades do governo.

Elas falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizadas a discutir o planejamento militar.

A assessoria de imprensa da Casa Branca não quis comentar oficialmente as deliberações de Trump. Uma autoridade graduada do governo limitou-se a dizer que "os Estados Unidos têm um acordo de defesa com a Arábia Saudita e sempre defenderão seus aliados.

A maior parte do círculo íntimo do presidente estava profundamente cética ou abertamente contrária a entrar na luta saudita contra os houthis, sobretudo diante das pressões já enfrentadas pelas Forças Armadas americanas na guerra contra o Irã, segundo uma autoridade graduada do governo.

A decisão de Trump de recuar —ou ao menos adiar— os ataques contra alvos houthis ocorreu quando os comandantes já haviam aprovado listas de alvos, soldados carregavam bombas nos aviões de guerra americanos selecionados para as missões e a série de ataques estava prestes a começar, segundo duas pessoas informadas sobre a operação.

Em uma conversa por telefone com a Fox News no domingo, o presidente disse ao repórter Trey Yingst que estava em "modo de decisão" sobre o que fazer na guerra mais ampla contra o Irã.

A respeito dos houthis, o presidente afirmou que os EUA mantinham comunicação constante com o grupo e mencionou que, até então, os houthis haviam concordado em não combater os americanos , relatou Yingst.

As idas e vindas refletem o impasse em que o presidente agora se encontra: ele está correto ao dizer que os houthis têm evitado atacar navios americanos. Mas eles investiram contra a Arábia Saudita, criando um dilema para Trump.

Algumas autoridades militares americanas argumentam que os EUA precisam da ajuda do reino na guerra contra o Irã, e autoridades sauditas demonstraram estar dispostas a usar a influência de que dispõem diante da falta de cooperação americana.

Em maio, por exemplo, a Arábia Saudita praticamente inviabilizou o plano do governo Trump de usar as Forças Armadas americanas para escoltar petroleiros comerciais pelo estreito de Hormuz ao negar a Washington o uso de seu espaço aéreo e das bases aéreas americanas no país.

Se os EUA entrassem na luta saudita, isso poderia ocorrer em conjunto com uma nova ofensiva terrestre planejada pelas tropas do governo iemenita, disseram autoridades.

Mas essas forças têm se mostrado ineficazes contra os houthis.

Os houthis combatem desde 2014 o governo do Iêmen reconhecido internacionalmente, que conta com o apoio da Arábia Saudita. A violência diminuiu depois que uma trégua entrou em vigor em 2022, mas o grupo entrou na guerra cada vez mais ampla no Oriente Médio ao declarar um bloqueio à navegação saudita no mar Vermelho e atacar embarcações do reino.

Em meio aos combates, os houthis capturaram áreas estratégicas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb —um importante ponto de estrangulamento ao longo do mar Vermelho—, ameaçando desestabilizar os já abalados mercados globais de energia.

Diplomatas e comandantes americanos, atuais e antigos, que serviram no Oriente Médio manifestaram ceticismo de que uma campanha limitada de bombardeios dos EUA pudesse obrigar os houthis —que resistiram a quase oito semanas de bombardeios americanos no ano passado— a negociar e abandonar suas exigências mais radicais.

As autoridades também expressaram dúvidas sobre a eficácia de apoiar uma força iemenita disfuncional que se desfez ao primeiro grande confronto com os houthis nas últimas semanas.

A coalizão anti-houthis é, na verdade, um Frankenstein formado por todas as peças restantes do Iêmen que não são os houthis", disse o pesquisador Gregory Johnsen a respeito da força terrestre iemenita que a campanha aérea deveria apoiar.

Os diferentes grupos iemenitas têm objetivos extremamente distintos e, em alguns casos, diametralmente opostos para o futuro do Iêmen. Por isso, passam mais tempo combatendo uns aos outros do que os houthis.

Em 2025, as Forças Armadas dos EUA bombardearam os houthis por mais de 50 dias para restabelecer a liberdade de navegação no mar Vermelho e interromper os ataques do grupo contra embarcações comerciais e navios da Marinha americana.

Durante essa campanha, Washington atingiu mais de mil alvos, entre eles sistemas de radar, defesas aéreas, instalações de mísseis balísticos, áreas de lançamento de drones e um centro de produção de drones próximo a Sanaa, capital do Iêmen.

Os houthis reagiram, derrubaram vários drones americanos e continuaram disparando contra navios militares no mar Vermelho, incluindo um porta-aviões.

Menos de dois meses após o início da campanha, Trump anunciou abruptamente um cessar-fogo com os houthis, declarando que eles "nos deram sua palavra de que não voltariam a atirar contra navios, e nós respeitamos isso.

Os houthis pararam de disparar contra navios americanos. Mas isso provavelmente mudaria se os EUA retomassem uma campanha aérea, disse uma autoridade. Ela também alertou que, com o estreito de Hormuz ainda instável desde o início da guerra contra o Irã, o mundo em breve poderia enfrentar novas interrupções nas rotas de transporte de petróleo e gás pelo Bab el-Mandeb.

Desde o cessar-fogo do ano passado, os houthis reconstituíram grande parte de suas capacidades e vêm até mesmo usando inteligência artificial para desenvolver e projetar novos tipos de mísseis.

As autoridades atuais e antigas disseram que derrotar os houthis seria difícil, mesmo com as Forças Armadas americanas ajudando os sauditas.

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no The New York Times.

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