Alertas de ritmo cardíaco em relógios inteligentes podem gerar ansiedade e não significam doença cardíaca.
Estudos mostram que a tecnologia tem valor para detectar fibrilação atrial, mas não é um diagnóstico.
Variações na frequência cardíaca são normais e podem ser causadas por estresse, exercício ou cafeína.
Limitações técnicas dos aparelhos, como pulseira frouxa ou movimento, podem atrapalhar a leitura.
Alterações recorrentes ou sugestivas de arritmia devem ser avaliadas por um médico para confirmação.
Sintomas como dor no peito ou desmaio exigem atendimento médico imediato, com ou sem alerta do relógio.
0x No maior estudo sobre o tema, só 0,52% dos usuários receberam alerta. O relógio vibra no pulso, mostra um aviso sobre ritmo cardíaco irregular, e a pessoa passa o resto do dia conferindo o número.
A cena virou rotina em consultório de cardiologia.
Relógios e anéis inteligentes hoje medem passos, sono, calorias, frequência cardíaca e até fazem uma versão simplificada de eletrocardiograma. O acesso contínuo a esses números tem um efeito colateral pouco discutido: a pessoa passa a confiar mais no aparelho do que na própria percepção do corpo.
A tecnologia tem valor comprovado. O Apple Heart Study, maior pesquisa já feita sobre o assunto, acompanhou mais de 400 mil pessoas e concluiu que o alerta de pulso irregular tem boa capacidade de apontar fibrilação atrial, a arritmia mais comum e que aumenta o risco de AVC quando não tratada.
Mas os números pedem leitura completa. Apenas 0,52% dos participantes receberam algum alerta. Entre os que receberam e depois usaram um monitor cardíaco por cerca de duas semanas, 34% tiveram fibrilação atrial confirmada.
E o índice de 84%, o mais citado, se refere às vezes em que o monitor estava registrando no mesmo momento do alerta.
Traduzindo: o aparelho é bom em perceber que algo fugiu do padrão naquele instante, e serve como triagem. Não é diagnóstico.
Quando o monitoramento vira ansiedade.
Zangari chama atenção para um efeito circular. O susto de ver um número diferente na tela acelera o coração, o que faz o número subir mais, o que aumenta o susto.
Há também limitações técnicas conhecidas. Pulseira frouxa, mãos frias, movimento, suor e tatuagem no punho atrapalham a leitura óptica que a maioria desses aparelhos usa.
O cardiologista não descarta o aparelho, e sim o uso que se faz dele. “Se a alteração for recorrente ou houver uma notificação sugestiva de arritmia, vale procurar avaliação médica para confirmar o achado”, diz.
A regra prática é simples: alerta isolado e sem sintoma pede observação e anotação. Alerta que se repete pede consulta, levando o registro do aparelho. E sintoma junto do alerta, como dor no peito, falta de ar, tontura forte ou desmaio, pede atendimento imediato, com ou sem relógio no pulso.
O Apple Heart Study acompanhou mais de 400 mil pessoas e é a maior pesquisa já feita sobre alertas de pulso irregular em relógio inteligente. Três números ajudam a colocar a tecnologia no lugar certo.
0,52% dos participantes receberam algum alerta de pulso irregular. A grande maioria nunca recebeu nenhum.
34% dos que receberam o alerta e depois usaram um monitor cardíaco por cerca de duas semanas tiveram fibrilação atrial confirmada.
84% foi o acerto do algoritmo quando o monitor estava registrando ao mesmo tempo em que o alerta apareceu.
Ou seja: o aparelho é bom em perceber que algo saiu do padrão naquele instante, mas o alerta sozinho está longe de significar doença.
Fibrilação atrial: arritmia em que a parte de cima do coração bate de forma desorganizada. É comum, aumenta com a idade e importa porque eleva o risco de AVC quando não tratada.
Arritmia: qualquer alteração no ritmo do coração. Muitas são inofensivas.
Frequência cardíaca: quantas vezes o coração bate por minuto. Sobe com esforço, emoção, café, febre e noite mal dormida, e cai no repouso e no sono.
Eletrocardiograma: exame que registra a atividade elétrica do coração. O do relógio usa poucos pontos de leitura; o de consultório usa doze e é o que serve para diagnóstico.
Valor preditivo positivo: a chance de o alerta estar certo quando ele aparece. Depende de quão comum é a doença no grupo testado, e por isso o mesmo aparelho acerta mais em idosos que em jovens saudáveis.
Estas informações são explicativas e não substituem avaliação médica. Diante de sintomas, procure um serviço de saúde.
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Em números
- O Apple Heart Study, maior pesquisa já feita sobre o assunto, acompanhou mais de 400 mil pessoas e concluiu que o alerta de pulso irregula
- O Apple Heart Study acompanhou mais de 400 mil pessoas e é a maior pesquisa já feita sobre alert
Fontes
Informação baseada em material público de A Crítica, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.