Mato Grosso do Sul compromete 60% da receita total com despesas de pessoal, uma das maiores proporções entre as unidades da Federação. Quando são acrescentados os 26% destinados ao custeio da máquina pública, salários e manutenção da administração consomem 86% de tudo o que entra no caixa estadual.
Terça-feira, 27 de Outubro de 2026, 18h:43 - A | A.
Dados do Tesouro Nacional mostram que despesas com pessoal e custeio consomem 86% da receita; Estado, por outro lado, mantém investimentos acima da média nacional.
Os números fazem parte do RREO em Foco: Estados + DF, divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Tesouro Nacional e referente ao quarto bimestre de 2026. O levantamento reúne informações fiscais enviadas pelos próprios estados ao Siconfi e permite comparar a execução orçamentária das 27 unidades da Federação.
No indicador de poupança corrente, Mato Grosso do Sul aparece com 7,1% da Receita Corrente Líquida, o segundo menor percentual do país, acima apenas do Tocantins, com 6,7%.
O indicador representa a diferença entre as receitas correntes e as despesas correntes liquidadas e ajuda a medir a capacidade de financiar investimentos com recursos próprios.
Apesar da menor margem de poupança, Mato Grosso do Sul destinou 10% da receita total a investimentos, percentual acima da média nacional de 8%. O Estado aparece entre os que mantiveram participação relevante de obras e equipamentos nas despesas, enquanto Maranhão, Piauí e Espírito Santo lideraram o indicador, com 16%, 15% e 14%, respectivamente.
O cenário mostra uma combinação de despesas correntes elevadas e investimentos acima da média. Com grande parcela da receita comprometida com pessoal e manutenção da estrutura pública, a capacidade de sustentar novos investimentos com recursos próprios passa a depender do comportamento da arrecadação e das demais despesas estaduais.
O próprio Tesouro destaca que a capacidade de acumular poupança está relacionada à capacidade dos estados de realizar investimentos. No caso de Mato Grosso do Sul, os dados ganham importância para a elaboração e execução do orçamento de 2027, especialmente diante do peso das despesas permanentes.
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