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Corumbá - MS | Quinta-feira, 5 de novembro de 2026 | 20:29

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Mato Grosso do Sul

Buracos se multiplicam e desafiam a paciência de campo-grandenses

6 min de leitura
Buracos se multiplicam e desafiam a paciência de campo-grandenses

Moradores relatam danos nos veículos, risco de acidentes e dificuldades para transitar em bairros da cidade.

Desviar de um buraco para cair em outro virou parte da rotina de quem dirige pelas ruas de Campo Grande. Em alguns trechos, o asfalto parece ter desaparecido entre crateras, remendos, cones e até galhos como sinalização improvisada.

Com as chuvas, os problemas se multiplicam, os reparos não resistem e o prejuízo fica com os motoristas.

Moradores de diversos bairros de Campo Grande enfrentam transtornos devido à proliferação de buracos nas ruas, problema que se agrava com o período de chuvas. A situação causa prejuízos materiais aos motoristas, danos aos veículos e riscos de acidentes, além de dificultar o trânsito local.

A população critica a ineficiência dos serviços de manutenção asfáltica e cobra providências urgentes da Prefeitura para a recuperação da infraestrutura viária da capital sul mato-grossense.

Na Rua Dom Aquino, esquina com a Alan Kardec, no Amambai, a sinalização improvisada tenta evitar acidentes. Na Avenida Manoel Ferreira, no Santo Antônio, moradores relatam quedas de motociclistas.

Já na Rua Belo Horizonte, no Jardim Imá, um aposentado conta que perdeu um pneu ao passar por um buraco.

Florisa afirma que o serviço de tapa-buracos não resolve o problema de maneira satisfatória. Segundo ela, em algumas ruas, trechos são reparados enquanto outros permanecem deteriorados, obrigando os motoristas a desviar constantemente.

Buracos proliferam após as chuvas - Na Avenida Manoel Ferreira, no bairro Santo Antônio, a situação também preocupa. Lourdes dos Santos Martins, de 73 anos, mora há 36 anos na região e relata que os buracos na via são antigos e voltaram a aparecer após os reparos realizados anteriormente.

A moradora, que tem um comércio familiar na região, afirma que a dificuldade de circulação prejudica também os clientes. Segundo ela, motociclistas já sofreram quedas em decorrência das condições da rua.

Gera Prejuízos a falta de manutenção - No Jardim Imá, a Rua Belo Horizonte apresenta diversos buracos que obrigam os motoristas a realizar manobras para continuar no trajeto.

Antônio Alves da Silva, de 78 anos, aposentado e morador do bairro há dez anos, afirma que a situação se arrasta há aproximadamente um ano.

O aposentado também critica os custos dos impostos e cobra melhorias na infraestrutura urbana. Para ele, a situação se torna ainda mais grave durante as chuvas, quando os buracos ficam escondidos pela água e aumentam os riscos de danos aos veículos.

Cones sinalizam o perigo - No bairro Santo Antônio, a situação praticamente imita a dos demais bairros. À reportagem, o presidente da associação de moradores, Neri Gaúcho, afirma que a população está no limite com a má conservação das vias.

Na Avenida Presidente Vargas com a Afrânio Peixoto, um buraco surgiu na manhã desta quinta-feira (5) e foi sinalizado com cones pela Águas Guariroba.

Segundo o presidente da associação, a concessionária foi acionada para verificar se o problema estava relacionado à rede de água ou esgoto, mas identificou que o reparo não seria de sua responsabilidade.

Neri aguardava a chegada de uma equipe da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) para vistoriar o local e avaliar as providências necessárias.

Buracolândia põe prefeitura sob pressão – A deterioração do asfalto transformou os buracos em uma das principais fontes de desgaste da atual gestão da Prefeitura de Campo Grande, sob o comando de Adriane Lopes (PP).

As reclamações se espalham pelos bairros, enquanto a Câmara Municipal cobra explicações sobre os contratos, a qualidade dos reparos e a redução dos recursos destinados à manutenção das ruas.

A pressão levou os 29 vereadores a apoiar o pedido de abertura da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Tapa-buraco, apresentado por Luiza Ribeiro (PT). A investigação pretende apurar possíveis irregularidades nos contratos, cortes no orçamento da manutenção viária e a demora da administração municipal em responder aos pedidos de informação do Legislativo.

Em 27 de outubro, o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André de Moura Brandão, compareceu à Câmara para prestar esclarecimentos. Na ocasião, os vereadores entregaram um plano emergencial de recuperação das vias, com cobrança de cronograma de serviços, identificação dos pontos críticos, fiscalização da qualidade dos reparos e divulgação dos gastos.

Brandão reconheceu a dificuldade de estabelecer uma data para resolver o problema e atribuiu parte do atraso à redução da capacidade operacional da secretaria. Segundo ele, a suspensão de um contrato após a Operação Buraco Sem Fim, deflagrada pelo Ministério Público, paralisou quatro frentes de trabalho.

A prefeitura passou a reorganizar os contratos e informou que havia ampliado para 12 as equipes de manutenção.

A cobrança, porém, continua. No início de novembro, a Sisep pediu mais 15 dias úteis para apresentar uma resposta técnica ao plano emergencial encaminhado pela Câmara.

Enquanto a prefeitura organiza as medidas e os vereadores articulam a instalação da CPI, moradores seguem convivendo com os buracos e cobrando soluções que resistam às chuvas.

TCE encontra falhas e vai testar qualidade do asfalto – Em meio às reclamações sobre a situação das ruas, o TCE-MS (Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul) realizou uma fiscalização surpresa na quarta-feira (4) e identificou falhas no controle de pesagem dos caminhões que transportam a massa asfáltica utilizada na operação tapa-buracos de Campo Grande.

A inspeção ocorreu na usina do Consórcio Central, que não possui balança própria e utiliza o equipamento de uma empresa vizinha. Segundo os auditores, os caminhões não são pesados no local de produção, o que compromete o controle sobre a quantidade de material transportado.

A fiscalização também chegou às ruas. Na Rua Afonso Celso, no Jardim Los Angeles, técnicos acompanharam a preparação dos buracos para receber o asfalto e fizeram medições.

O Tribunal recolheu amostras da massa asfáltica na usina para análises laboratoriais que vão verificar a composição e a qualidade do material utilizado nos reparos.

Os auditores também vão avaliar a temperatura da massa durante o transporte e a aplicação, além dos procedimentos de compactação. A intenção é verificar se os serviços atendem aos critérios técnicos necessários para garantir a durabilidade dos reparos.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande por meio da Sisep para questionar sobre o andamento da operação tapa-buracos e programação das vias que devem receber reparos.

Até o momento, a prefeitura não deu retorno aos questionamentos encaminhados, mas o espaço segue aberto.

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