O atacante Richarlison (Tottenham e seleção) transformou em vídeo o que chama de “golpe” na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ): diz ter investido cerca de R$ 10 milhões em direitos de ocupação e reformas e acusa o advogado Willer Tomaz — e, por extensão política, o senador Flávio Bolsonaro — de terem obtido a posse “em 24 horas” e “sem gastar um tostão”. Do outro lado, Willer desafia o jogador a provar título e fala em vitórias judiciais da empresa dele. A ULTRA organiza o que cada lado apresenta — e o que já tramitou na Justiça.

O que Richarlison afirma
- Compra dos direitos em 2020, com sócios (entre eles Alencar da Silveira Júnior e Renato Velasco)
- Investimento de cerca de R$ 10 milhões (indenizações, reformas, segurança)
- Oferta de compra por Flávio à época — recusada
- Depois, perda rápida da posse para grupo ligado a Willer; pede investigação da PF
- Em 21/10, mostrou trechos de documentos e mensagem a Flávio: “Tá aí a prova”
O que Willer Tomaz responde
Em nota ao UOL, o advogado desafiou Richarlison a apresentar, em 72 horas, escritura, contrato registrado ou inscrição na SPU anterior a julho de 2022, mais comprovante dos R$ 10 milhões. Se válidos, prometeu transferir os direitos “sem cobrar um centavo”. Afirma que a empresa ligada ao jogador (Sport 70) perdeu em todas as instâncias, inclusive no STJ, renunciou em 2025 e declarou ter pago R$ 2,6 milhões a “terceiros invasores”. Diz que Richarlison “nunca foi parte” em processo e que Flávio só foi arrolado como testemunha.
O ponto jurídico (o que não é “escritura da ilha”)
Trata-se, em grande parte, de direitos de ocupação de área da União, sob a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) — não de propriedade privada plena de uma “ilha particular”. Há duas linhas documentais conflitantes: a cadeia possessória que Richarlison apresenta (a partir de 2011/2020) e a linha administrativa que Willer liga a registros desde 1975, com alteração cadastral em 2022 para a WT Administração de Imóveis. Enquanto a Justiça e a SPU não consolidam um desfecho público inequívoco, o caso segue como disputa de títulos e narrativas.
Flávio Bolsonaro nega vínculo com o imóvel (“não comprou, vendeu, intermediou”). Em 2022 já havia dito que foi só testemunha arrolada. A campanha de Lula pediu que a PF olhasse o episódio — movimento político da reta final, paralelo ao mérito judicial.
Para o leitor: há acusação grave, defesa contundente e autos longos. O que se pode afirmar com segurança é a existência do litígio, das publicações do atleta, da nota de Willer e da negativa de Flávio — não um “já ganhou/já perdeu” simplificado fora dos autos.
Por Amin Feres, redator da ULTRA NOTÍCIAS. Apuração com base em: UOL, O Globo, SBT News, CNN Brasil e notas das partes.
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