● EM ATUALIZAÇÃO
Análise feita com as pesquisas nacionais divulgadas até a tarde de 1º/10. Atualização (1º/10, 19h05): o novo Datafolha (BR-08039/2026) mostra Lula com 45% e Flávio Bolsonaro com 40% dos votos válidos, e 48% a 45% no 2º turno. Veja a análise do novo Datafolha e seus impactos. No sábado (3), Datafolha e Quaest publicam as pesquisas de véspera.
Faltam três dias para os mais de 150 milhões de eleitores brasileiros irem às urnas, e a pergunta que circula nas rodas de conversa, nos grupos de família e nas redes sociais é uma só: a eleição para presidente pode acabar já neste domingo (4)?
A ULTRA NOTÍCIAS reuniu as cinco pesquisas nacionais mais recentes registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE): Datafolha, Quaest, AtlasIntel/Bloomberg, Real Time Big Data e PoderData. Somadas, elas ouviram mais de 14 mil eleitores entre 20 e 30 de setembro. Fizemos as contas em votos válidos, o mesmo critério usado pela Justiça Eleitoral, aplicamos a margem de erro de cada uma e comparamos com o histórico das eleições desde 1994. O objetivo é mostrar a realidade dos números, sem torcida.
A resposta curta
- Nenhuma das cinco pesquisas nacionais mais recentes mostra candidato com mais de 50% dos votos válidos, a marca que decide a eleição no domingo.
- Lula (PT) lidera o 1º turno em todas, com média de 44,9% dos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) tem 40,9%.
- Mesmo somando a margem de erro a favor do líder, o melhor resultado possível fica em 48,2%. Ainda abaixo de 50%.
- No 2º turno, as pesquisas mostram empate técnico entre os dois.
- Conclusão: pelos números, o cenário mais provável é de segundo turno em 25 de outubro. Uma decisão no domingo não é impossível, mas exigiria que todas as pesquisas estivessem erradas na mesma direção, além da margem.
A disputa em números · média de 5 pesquisas (votos válidos)
Como se ganha no 1º turno
A regra está na Constituição: para ser eleito no primeiro turno, o candidato precisa ter mais da metade dos votos válidos, ou seja, 50% mais um. Votos válidos são apenas os dados a candidatos. Brancos e nulos ficam de fora da conta. Se ninguém alcançar essa marca, os dois mais votados disputam o segundo turno.
Entenda com 100 eleitores
eleitores vão às urnas
votam em branco ou anulam
votos válidos (só os dados a candidatos)
votos é o mínimo para vencer: mais da metade de 94
Brancos e nulos não vão para ninguém e não entram na conta. Por isso, quanto mais gente vota em branco ou anula, menor fica o número de votos necessário para alguém passar de 50%.
O que dizem as cinco pesquisas
O quadro é consistente entre os institutos, mesmo com métodos diferentes (entrevistas presenciais, por telefone e digitais). Lula (PT) aparece em primeiro lugar em todas, com entre 43% e 46% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) vem em segundo, entre 39% e 43%. A distância entre os dois varia de 2 a 6 pontos, conforme o instituto.
1º turno · votos válidos por instituto
A linha tracejada marca 50%, o necessário para vencer no domingo. A faixa clara depois da barra de Lula mostra até onde ele chegaria no limite da margem de erro.
Datafolha · campo 22 e 23/9
Quaest · campo 24 a 27/9
AtlasIntel/Bloomberg · campo 23 a 28/9
Real Time Big Data · campo 26 a 30/9
PoderData · campo 20 a 23/9
Quaest e PoderData divulgaram só os votos totais. Os válidos foram calculados pela ULTRA NOTÍCIAS, excluindo brancos, nulos e indecisos, como faz a Justiça Eleitoral. A margem de erro foi ajustada para a escala dos votos válidos.
O dado central para responder à pergunta do domingo é este: a média de Lula é de 44,9% dos votos válidos. Faltam, em média, 5,1 pontos para chegar aos 50%. Flávio tem média de 40,9%.
Nem no melhor cenário a conta fecha
Toda pesquisa tem margem de erro. Por isso, fizemos o teste mais favorável possível ao líder: somamos a margem de erro de cada pesquisa ao resultado de Lula. O "teto" mais alto ficou em 48,2%, na Quaest. Em nenhuma das cinco pesquisas o teto chega a 50%.
Ficha técnica das pesquisas
| Instituto | Campo | Entrevistas | Margem | Lula (válidos) | Flávio (válidos) | Teto de Lula | Registro TSE |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Datafolha | 22 e 23/9 | 2.002 · presencial | ±2,0 pt | 43,0% | 39,0% | 45,2% | BR-00304/2026 |
| Quaest | 24 a 27/9 | 2.004 · presencial | ±2,0 pt | 45,9%* | 40,0%* | 48,2% | BR-06520/2026 |
| AtlasIntel/Bloomberg | 23 a 28/9 | 5.005 · digital (recrutamento aleatório) | ±1,0 pt | 46,2% | 43,1% | 47,2% | BR-04391/2026 |
| Real Time Big Data | 26 a 30/9 | 2.000 · telefone | ±2,0 pt | 46,0% | 41,0% | 48,1% | BR-09503/2026 |
| PoderData | 20 a 23/9 | 3.000 · telefone (URA) | ±1,8 pt | 43,6%* | 41,5%* | 45,5% | BR-01739/2026 |
* Calculado pela ULTRA NOTÍCIAS a partir dos votos totais divulgados. "Teto" é o resultado de Lula somando a margem de erro. Nível de confiança de 95% em todas.
Em linguagem simples: para a eleição acabar no domingo, seria preciso que todas as pesquisas estivessem subestimando o líder, ao mesmo tempo e além da margem de erro. Isso já aconteceu em outras eleições, em outra direção (veja abaixo), mas não é o cenário que os números apontam hoje.
Pesquisa não é resultado: a lição de 2022
Na véspera do primeiro turno de 2022, o Datafolha apontava Lula com 50% dos votos válidos e Jair Bolsonaro com 36%. As urnas deram 48,4% a Lula e 43,2% a Bolsonaro. A eleição foi para o segundo turno, e o candidato que estava em segundo teve bem mais votos do que as pesquisas indicavam.
Os institutos revisaram métodos desde então, mas o episódio mostra por que a pesquisa deve ser lida como uma fotografia do momento, e não como previsão. Movimentos de última hora, como o chamado voto útil (quando o eleitor troca o candidato preferido por outro com mais chance), e o tamanho da abstenção podem mexer no resultado. Em 2022, 20,9% dos eleitores não foram votar no primeiro turno.
O histórico também ajuda a dimensionar o desafio: desde a redemocratização, só duas eleições presidenciais terminaram no primeiro turno, ambas vencidas por Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998. De 2002 para cá, todas foram decididas no segundo turno.
Votação do mais votado no 1º turno · eleições presidenciais
Percentual dos votos válidos no 1º turno. Linha tracejada: 50%. Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo turno: empate técnico
Se a disputa for mesmo para 25 de outubro, as pesquisas indicam uma eleição apertadíssima. Nas simulações entre Lula e Flávio Bolsonaro, todas as diferenças estão dentro da margem de erro. Há institutos com Lula numericamente à frente, empate exato e Flávio numericamente à frente.
Simulações de 2º turno: Lula × Flávio Bolsonaro
| Instituto | Campo | Resultado | Base |
|---|---|---|---|
| Datafolha | 22 e 23/9 | Lula 47% × 45% Flávio | votos totais; 7% brancos/nulos, 1% indecisos |
| Quaest | 24 a 27/9 | Lula 42% × 42% Flávio | votos totais; 13% brancos/nulos/não vai votar, 3% indecisos |
| AtlasIntel/Bloomberg | 23 a 28/9 | Lula 50% × 50% Flávio | votos válidos |
| Real Time Big Data | 26 a 30/9 | Flávio 51% × 49% Lula | votos válidos (totais: 46% × 45%) |
Em todas, a diferença está dentro da margem de erro: empate técnico.
Como a disputa evoluiu
A série do Datafolha mostra Lula estável na casa dos 42% a 43% dos votos válidos desde agosto, enquanto Flávio subiu de 36% para 39%. A Quaest registrou oscilação positiva para os dois na última semana: Lula foi de 37% para 39% e Flávio de 33% para 34% nos votos totais. A parcela de indecisos caiu de 8% para 5%. A AtlasIntel apontou leve queda de Flávio (−1,2 ponto) e oscilação de Lula dentro da margem.
Datafolha ao longo da campanha · votos válidos no 1º turno
■ Lula ■ Flávio Bolsonaro
Fonte: Datafolha (registros BR-04029/2026 e BR-00304/2026, entre outros). Lula estável em 42% a 43%; Flávio subiu de 36% para 39%.
Quem vota em quem
O mapa do voto repete divisões conhecidas. Lula tem vantagem ampla no Nordeste, entre as mulheres e entre os eleitores de menor renda. Na Quaest, no 2º turno, ele marca 55% a 29% entre quem ganha até dois salários mínimos. Flávio lidera no Sul, no Norte, no Centro-Oeste, entre os homens e entre quem ganha mais de cinco salários mínimos, onde marca 52% a 34% no 2º turno, também pela Quaest. O Sudeste, maior colégio eleitoral, está dividido.
Onde cada um é mais forte · 1º turno, votos totais
| Grupo | Lula | Flávio | Vantagem |
|---|---|---|---|
| Nordeste | 53% | 33% | Lula +20 |
| Sudeste | 38% | 39% | Flávio +1 |
| Centro-Oeste | 40% | 43% | Flávio +3 |
| Norte | 36% | 45% | Flávio +9 |
| Sul | 30% | 48% | Flávio +18 |
| Mulheres | 44% | 34% | Lula +10 |
| Homens | 38% | 45% | Flávio +7 |
Fonte: PoderData, 20 a 23/9 (BR-01739/2026). Em recortes menores, a margem de erro é maior que a da pesquisa geral.
Em Mato Grosso do Sul, o quadro se inverte
No estado, as pesquisas mostram cenário bem diferente do nacional. Flávio Bolsonaro lidera com folga entre os eleitores sul-mato-grossenses. Na pesquisa Novo Ibrape, ele chega a 51% dos votos válidos, contra 33,1% de Lula. Na Quaest, 83% dos eleitores de MS dizem que a escolha é definitiva, e 17% ainda admitem mudar o voto até domingo.
E em Mato Grosso do Sul?
O resultado de MS, porém, pesa pouco na conta nacional. O estado tem cerca de 2 milhões de eleitores, pouco mais de 1% do eleitorado do país. Na eleição presidencial, cada voto vale o mesmo em qualquer lugar do Brasil: vence quem somar mais votos válidos no total.
O papel dos outros 11 candidatos
É justamente a soma dos demais candidatos que, na prática, empurra a disputa para o segundo turno. Juntos, eles reúnem de 11% a 18% dos votos válidos, conforme o instituto. Para alguém vencer no domingo, parte desses eleitores teria de migrar para um dos líderes, ou deixar de votar em quem escolheu. Renan Santos (Missão) aparece em terceiro na AtlasIntel e na Real Time Big Data. Augusto Cury (Avante) é o terceiro no Datafolha.
Os demais candidatos · votos válidos
| Candidato | Partido | AtlasIntel | Datafolha |
|---|---|---|---|
| Renan Santos | Missão | 5,3% | 3% |
| Augusto Cury | Avante | 2,1% | 6% |
| Ronaldo Caiado | PSD | 1,8% | 5% |
| Romeu Zema | Novo | 0,9% | 1% |
Também concorrem Samara Martins (UP), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO), Wilson Grassi (Democrata) e Leonardo Avalanche (PRTB), que ficam entre 0% e 1%. São 13 candidaturas.
Guia para quem ainda está em dúvida
No Datafolha, 80% dos eleitores dizem estar totalmente decididos sobre o voto para presidente. Ou seja, um em cada cinco ainda pode mudar. Na Quaest, os indecisos somam 5%, e outros 10% dizem que vão votar em branco, anular ou não votar. É um contingente suficiente para mexer no resultado de uma disputa apertada.
Se você está nesse grupo, saiba que não existe "voto perdido" em quem você acredita, nem obrigação de seguir a pesquisa. Mas vale entender o que os números significam antes de decidir.
Dicionário da pesquisa eleitoral
O entrevistador mostra a lista de candidatos e pergunta em quem a pessoa votaria. É a que mais se parece com a urna.
O entrevistado responde sem ver nomes. Mostra o voto mais consolidado.
Só os votos dados a candidatos. Exclui brancos, nulos e indecisos. É o critério oficial para saber se alguém venceu no 1º turno.
A pesquisa ouve uma amostra, não o país inteiro. Com margem de 2 pontos, um candidato com 40% pode ter, na realidade, entre 38% e 42%.
Quando a diferença entre dois candidatos cabe dentro da margem de erro somada dos dois. Não dá para afirmar quem está na frente.
Com 95%, se a mesma pesquisa fosse repetida 100 vezes, em 95 delas o resultado ficaria dentro da margem de erro.
Toda pesquisa eleitoral divulgada precisa ser registrada na Justiça Eleitoral, com método, amostra e quem pagou. Qualquer pessoa pode consultar no sistema PesqEle, no site do TSE.
Verdade ou mentira?
"Se mais da metade votar nulo, a eleição é anulada." Mentira. Votos nulos e brancos são descartados da contagem. Eles não anulam a eleição nem vão para nenhum candidato.
"Voto em branco vai para quem está ganhando." Mentira. O voto em branco nunca foi transferido a candidato algum. Hoje, branco e nulo têm o mesmo efeito: não contam para ninguém.
"Pesquisa diz quem vai ganhar." Não é bem assim. Pesquisa é uma fotografia do momento. Eleitores mudam de ideia até o último dia, e a abstenção pode alterar o resultado.
Ainda não decidiu? Um roteiro em 5 passos
- Liste o que importa para você: emprego, saúde, segurança, educação, impostos, meio ambiente.
- Leia os planos de governo registrados por cada candidatura no site do TSE (DivulgaCandContas).
- Compare propostas, não apenas nomes: quem explica de onde vai sair o dinheiro?
- Desconfie de correntes e vídeos sem fonte no WhatsApp. Confira em veículos de imprensa e nas agências de checagem.
- Use a pesquisa como informação, não como ordem: ela mostra o quadro de hoje, mas o voto é seu.
Domingo, 4 de outubro: o que você precisa saber
- Horário em MS: das 7h às 16h (horário local). A votação segue o horário de Brasília, das 8h às 17h, em todo o país.
- Documento: leve um documento oficial com foto (RG, CNH, carteira de trabalho ou passaporte) ou o e-Título com foto no celular.
- Ordem na urna: deputado federal, deputado estadual, senador (duas vagas, dois votos), governador e presidente.
- Colinha pode: leve os números anotados em papel. Celular não pode na cabine.
- Se houver 2º turno: nova votação para presidente (e governador, onde for o caso) em 25 de outubro.
Como esta análise foi feita
Usamos a pesquisa mais recente de cada um dos cinco institutos que divulgaram levantamentos nacionais com campo encerrado entre 23 e 30 de setembro e registro no TSE. A média é simples: cada instituto tem o mesmo peso. Quando o instituto não divulgou votos válidos (Quaest e PoderData), calculamos excluindo brancos, nulos e indecisos. Para o "teto", ajustamos a margem de erro à escala de votos válidos. Outros levantamentos divulgados na semana, como BTG/Nexus, Meio/Ideia e Palver, mostram o mesmo quadro: Lula à frente ou em empate numérico no 1º turno, sem ninguém acima de 50%. A ULTRA NOTÍCIAS não realiza pesquisas eleitorais e não apoia candidatos.
Por Amin Feres, redator da ULTRA NOTÍCIAS, com dados de Datafolha, Quaest, AtlasIntel/Bloomberg, Real Time Big Data, PoderData, Novo Ibrape e do Tribunal Superior Eleitoral. Esta análise será atualizada com as pesquisas divulgadas até a véspera da eleição.
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