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Datafolha: Lula vai a 45% e Flávio a 40% dos votos válidos; o que muda a três dias da eleição

Nova pesquisa mostra o melhor índice de Lula no Datafolha na campanha, mas ainda 5 pontos abaixo dos 50% que decidem no 1º turno. No 2º turno, 48% a 45%, empate técnico.

10 min de leitura
Datafolha: Lula vai a 45% e Flávio a 40% dos votos válidos; o que muda a três dias da eleição

● ACABOU DE SAIR

Pesquisa Datafolha divulgada às 19h05 (horário de Brasília) desta quinta-feira (1º/10), 18h05 em Mato Grosso do Sul. Esta reportagem complementa a nossa análise de todas as pesquisas para presidente.

A três dias da votação, o Datafolha trouxe o retrato mais favorável a Lula (PT) em toda a campanha, mas ainda sem um vencedor no 1º turno. A pesquisa divulgada na noite desta quinta-feira (1º/10) mostra o presidente com 45% dos votos válidos e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 40%. Uma semana atrás, eram 43% e 39%.

É a primeira vez desde agosto que Lula sai da faixa de 42% a 43% nos válidos do instituto. Mesmo assim, faltam 5 pontos para os 50% mais um voto que encerram a disputa no domingo (4). Somando a margem de erro a favor do petista, ele chegaria a cerca de 47,1%, ainda insuficiente. O cenário mais provável continua sendo um 2º turno em 25 de outubro, onde a pesquisa mostra Lula com 48% e Flávio com 45%, em empate técnico.

O que o novo Datafolha diz, em 5 pontos

  • Lula (PT) chega a 45% dos votos válidos, o melhor resultado dele no Datafolha em toda a campanha. Flávio Bolsonaro (PL) tem 40%.
  • Faltam 5 pontos para Lula vencer no domingo. Mesmo no limite da margem de erro, ele chegaria a cerca de 47,1%: ainda abaixo de 50%.
  • Nos votos totais, os dois subiram 2 pontos: 42% a 38%. Os 4 pontos de distância estão no limite da margem.
  • No 2º turno, 48% a 45%: segue o empate técnico, mas Lula abriu 1 ponto em relação à semana passada.
  • Os candidatos menores perderam espaço: Cury e Caiado caíram. É sinal de polarização e voto útil na reta final.

Datafolha 1º/10 em números

45%Lula nos votos válidos (eram 43%)
40%Flávio nos votos válidos (eram 39%)
5 ptsé o que falta para Lula chegar a 50%
48 × 452º turno, Lula × Flávio (votos totais)
48% × 49%aprovam × desaprovam o governo

Os números do 1º turno

Nos votos totais, que incluem quem vai votar em branco, anular ou ainda não decidiu, Lula tem 42% e Flávio, 38%. Os dois oscilaram 2 pontos para cima. A distância de 4 pontos fica exatamente no limite da margem de erro, que é de 2 pontos para cada lado: o mais provável é que Lula esteja à frente, mas não dá para cravar.

Os votos válidos são a conta que importa no domingo. É assim que a Justiça Eleitoral define o resultado: brancos e nulos são descartados, e só os votos dados a candidatos entram no cálculo. O Datafolha também tira os indecisos, para chegar o mais perto possível do que vai sair das urnas.

1º turno · votos válidos, agora × há uma semana

A linha tracejada marca 50%, o mínimo para vencer já no domingo.

Lula (PT)

Agora 45%
Há uma semana 43%

Flávio Bolsonaro (PL)

Agora 40%
Há uma semana 39%

Todos os números do 1º turno

CandidatoPartidoVotos totaisVotos válidos
LulaPT42% (40%) +245% (43%) +2
Flávio BolsonaroPL38% (36%) +240% (39%) +1
Augusto CuryAvante4% (5%) -14% (6%) -2
Ronaldo CaiadoPSD3% (4%) -13% (5%) -2
Renan SantosMissão3% (3%) =3% (3%) =
Romeu ZemaNovo1% (1%) =1% (1%) =
Samara MartinsUP1% (1%) =1% (1%) =
Wilson GrassiDemocrata1% (0%) +11% (0%) +1
Branco/nulo/nenhum5% (5%)não entram
Indecisos2% (2%)não entram

Entre parênteses, o resultado da pesquisa anterior (22 e 23/9). Edmilson Costa (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO), Leonardo Avalanche (PRTB), Clariana Barão (DC) e Hertz Dias (PSTU) não atingiram 1%. Os votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos.

O detalhe que mais chama atenção está no pelotão de baixo. Augusto Cury (Avante) caiu de 6% para 4% dos válidos, e Ronaldo Caiado (PSD), de 5% para 3%. Somados, os seis candidatos menores com pontuação têm 13% dos válidos. Quando o eleitor de um candidato com pouca chance migra para um dos dois líderes na última semana, os cientistas políticos chamam de voto útil. A pesquisa sugere que esse movimento começou, e beneficiou mais Lula (+2 pontos nos válidos) do que Flávio (+1).

Datafolha ao longo da campanha · votos válidos no 1º turno

■ Lula   ■ Flávio Bolsonaro   (em destaque, a pesquisa desta quinta)

18 e 19/843% · 37%
1º e 2/942% · 36%
8 a 10/943% · 38%
15 a 17/943% · 39%
22 e 23/943% · 39%
28/9 a 1º/1045% · 40%

Depois de cinco rodadas presas entre 42% e 43%, Lula subiu para 45%. Flávio, que vinha de 36% para 39%, oscilou para 40%. Fonte: Datafolha.

2º turno: empate técnico, com Lula um passo à frente

Na simulação contra Flávio, Lula tem 48% e o senador, 45%, com 6% de brancos e nulos e 1% de indecisos. Há uma semana, eram 47% a 45%. A diferença de 3 pontos continua dentro da margem. Considerando só os votos válidos, a conta ficaria em torno de 51,6% a 48,4%: uma disputa decidida voto a voto.

Contra os outros adversários testados, Lula vence fora da margem. A mudança mais relevante foi contra Caiado: de empate técnico (46% a 44%) para vantagem de 6 pontos (48% a 42%).

2º turno · os cinco cenários testados (votos totais)

ConfrontoLulaAdversárioSituaçãoOutros
Lula × Flávio Bolsonaro48% (47%)45% (45%)empate técnico6% branco/nulo, 1% indecisos
Lula × Ronaldo Caiado48% (46%)42% (44%)Lula +69% branco/nulo, 1% indecisos
Lula × Augusto Cury47% (46%)42% (43%)Lula +59% branco/nulo, 2% indecisos
Lula × Romeu Zema49% (48%)40% (39%)Lula +99% branco/nulo, 2% indecisos
Lula × Renan Santos48% (48%)39% (39%)Lula +910% branco/nulo, 2% indecisos

Entre parênteses, a pesquisa anterior. Com margem de 2 pontos para cada lado, diferenças de até 4 pontos são consideradas empate técnico. Lula × Caiado passou de empate (46% a 44%) para vantagem do petista (48% a 42%).

Governo dividido ao meio

A avaliação do governo ajuda a entender o teto de Lula. Segundo o Datafolha, 48% aprovam a gestão e 49% desaprovam, uma oscilação positiva de 1 ponto em relação à semana passada. Os que consideram o governo ótimo ou bom são 35%, e os que o avaliam como ruim ou péssimo, 41%.

Avaliação do governo Lula

48%aprovam (eram 47%)
49%desaprovam (eram 50%)
35%ótimo ou bom (eram 34%)
41%ruim ou péssimo (eram 40%)
23%regular (eram 24%)

A aprovação e a desaprovação estão empatadas dentro da margem. Para um presidente que disputa a reeleição, esse equilíbrio ajuda a explicar por que ele lidera, mas não consegue ir muito além dos 45% dos válidos.

O que pesou na semana

A rodada de campo começou na segunda-feira (28/9) e terminou nesta quinta, captando uma semana movimentada da campanha. O governo apostou em medidas de forte apelo popular, enquanto Flávio passou boa parte dos dias se defendendo de polêmicas.

O que aconteceu na semana da pesquisa

  • Fim das bets: na sexta (25/9), Lula editou medida provisória proibindo as apostas online no país. Em maio, o Datafolha mostrava que 57% dos brasileiros viam as bets como vício.
  • Bolsa Família 15% maior: o reajuste foi anunciado na semana anterior, mas o dinheiro só cai depois do 1º turno.
  • Nossa Senhora Aparecida: uma notícia falsa de que Flávio tiraria o título de padroeira da santa incendiou as redes. O senador passou a aparecer em campanha com a imagem.
  • Reportagem do PlatôBR: mensagens de um ex-sócio de Flávio citam festas, presentes e lobby no Supremo. Ele não comentou o caso.

A pesquisa não mede o efeito de cada fato isoladamente. Os eventos foram listados pela Folha de S.Paulo como pano de fundo da rodada.

Os impactos: o que muda a partir de agora

Para Lula, o resultado reforça a estratégia de reta final: buscar o eleitor dos candidatos menores com o discurso de que é possível encerrar a eleição no domingo. A decisão de não ir ao debate da Globo nesta noite segue a lógica de quem está na frente e prefere não virar alvo de todos os adversários ao mesmo tempo. No horário do debate, ele dará entrevista ao Flow Podcast, como fez na data do debate da Band, quando falou à Record.

Para Flávio, o objetivo imediato é levar a eleição ao 2º turno, onde o empate técnico mantém a disputa aberta. Sem Lula no estúdio, o senador terá mais espaço no debate, mas também tende a concentrar as críticas de Caiado, Cury e Zema, que disputam o mesmo eleitorado de centro-direita. A ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu a Globo de exibir o púlpito vazio reservado a Lula.

Para os candidatos menores, o recado é duro. A queda de Cury e Caiado aumenta a pressão pelo voto útil dos dois lados. Renan Santos (Missão), estável em 3%, ainda tentava na Justiça garantir lugar no debate desta quinta.

Para o mercado de pesquisas, as rodadas de sábado serão decisivas. O Datafolha vai ouvir 4.006 eleitores em um único dia, e a Quaest também divulga o último levantamento. Se Lula aparecer acima de 47% nos válidos, a hipótese de decisão no domingo ganha força. Se ficar estável em 45%, o 2º turno se consolida.

O que precisaria acontecer para acabar no domingo

+5 pts
é o que Lula precisa ganhar nos votos válidos em três dias
13%
é a soma dos outros seis candidatos com pontuação, nos válidos
2%
ainda estão indecisos nos votos totais

Traduzindo: para vencer no 1º turno, Lula teria de atrair quase todos os indecisos e ainda tirar algo como um terço dos eleitores dos candidatos menores, sem que Flávio crescesse junto. Não é impossível, mas seria um movimento atípico para apenas três dias.

Como fica a média das pesquisas

45,3%Lula, média de 5 institutos nos válidos (era 44,9%)
41,1%Flávio, média de 5 institutos nos válidos (era 40,9%)
0 de 5institutos com alguém acima de 50%

Cálculo da ULTRA NOTÍCIAS: substituímos o Datafolha anterior pelo desta quinta na média simples de Datafolha, Quaest, AtlasIntel/Bloomberg, Real Time Big Data e PoderData. Veja a metodologia na análise completa.

Cuidado: a lição de 2022

Na véspera do 1º turno de 2022, o Datafolha apontava Lula com 50% dos votos válidos e Jair Bolsonaro com 36%. Nas urnas, Lula teve 48,4% e Bolsonaro, 43,2%: o candidato da direita teve 7 pontos a mais do que a pesquisa indicava. A abstenção, de 20,9%, e decisões de última hora estão entre as explicações mais citadas. Por isso, a vantagem de 5 pontos de agora não deve ser tratada como garantia, nem para um lado nem para o outro.

E em Mato Grosso do Sul?

O Datafolha nacional não traz recorte por estado. As pesquisas mais recentes feitas em Mato Grosso do Sul mostram um quadro oposto ao nacional: Flávio lidera com folga entre os eleitores sul-mato-grossenses. Os números de Quaest e Novo Ibrape no estado estão na nossa análise completa das pesquisas.

Agenda até a urna

  • Quinta (1º/10), à noite: debate da TV Globo, o último antes da votação, sem a presença de Lula.
  • Sábado (3/10): Datafolha (com 4.006 entrevistas feitas no próprio dia) e Quaest divulgam as pesquisas de véspera.
  • Domingo (4/10): votação das 7h às 16h em Mato Grosso do Sul (8h às 17h em Brasília).
  • 25/10: data do 2º turno, se nenhum candidato passar de 50% dos votos válidos.

Ficha técnica

Pesquisa Datafolha encomendada pela TV Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo. Foram ouvidos 2.506 eleitores de 16 anos ou mais, em entrevistas presenciais realizadas de 28 de setembro a 1º de outubro de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Registro no Tribunal Superior Eleitoral: BR-08039/2026. Pesquisa não é previsão: ela mostra a intenção de voto no momento da coleta.

Por Amin Feres, redator da ULTRA NOTÍCIAS, com dados do Datafolha, da Folha de S.Paulo, do g1 e do Tribunal Superior Eleitoral. A ULTRA NOTÍCIAS não realiza pesquisas eleitorais e não apoia candidatos.

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