Os aliados do presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e do derrotado na corrida eleitoral, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), reagiram à fuga do senador aos Estados Unidos.
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- Análise: Flávio Bolsonaro não é um problema de política, mas de polícia.
- Democratas dos EUA criticam plano do governo Trump de conceder visto a Flávio Bolsonaro.
- Edinho Silva (PT) e Camilo Santana (PT-CE) (16) e (17).
Flávio Bolsonaro e família desembarcam nos EUA.
Flávio pousou em Miami na manhã desta quarta-feira (28).
Entre os aliados de Flávio, a reação foi de defesa do senador e de críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O senador Rogério Marinho classificou a determinação de entrega dos passaportes como "abuso e humilhação", enquanto o deputado eleito Lucas Pavanato acusou o Supremo de perseguição política.
O senador eleito Deltan Dallagnol tratou a saída de Flávio como um "exílio político", e o governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco, questionou a decisão judicial tomada após a derrota nas urnas.
Já entre os aliados de Lula, a saída do país foi alvo de críticas e acusações de que Flávio estaria tentando escapar da Justiça brasileira. O ministro Guilherme Boulos classificou o senador como "covarde", enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin considerou a situação "ininteligível.
Outros políticos lembraram que Flávio havia prometido permanecer no Brasil mesmo em caso de derrota nas urnas.
O que disseram os aliados de Flávio.
O deputado federal questionou a segurança dos opositores do governo quando a saída de Flávio Bolsonaro ainda era incerta.
Se um candidato a presidente que recebe 60 milhões de votos precisa (supostamente) sair do país, que segurança tem um cidadão comum que se opõe ao atual regime?", escreveu.
O senador, que coordenou a campanha presidencial de Flávio, criticou a decisão judicial que determinou a entrega dos passaportes do senador.
Ele diz que não sabia da decisão de Flávio de fugir. "Fiquei surpreso porque ontem conversamos sobre a necessidade de que Flávio assumisse esse papel de liderança da oposição.
Temos um governo que fez mal ao país e precisamos ficar vigilantes.
Marinho, no entanto, criticou a obrigação de que ele entregasse o passaporte. "Flávio Bolsonaro recebeu quase 60 milhões de votos. Minutos depois do resultado, foi obrigado a entregar seus passaportes, mesmo com o principal argumento do inquérito já derrubado.
Isso é abuso e humilhação." Marinho também criticou o ministro Alexandre de Moraes e afirmou que a oposição continuará se mobilizando.
Então até compreendo caso Flávio tenha saído do Brasil. Não digo que concordo porque não fui consultado", ele afirmou.
Quem representa dezenas de milhões de brasileiros não merece mais uma arbitrariedade de Alexandre de Moraes. A oposição não vai se calar, e a nossa luta continua.
A deputada federal republicou o vídeo de Rogério Marinho em que o senador critica a determinação de entrega dos passaportes e defende Flávio Bolsonaro.
O senador publicou um vídeo em que afirmou que a saída de Flávio Bolsonaro teria sido organizada com a ajuda de aliados no Brasil e nos Estados Unidos, com conhecimento do governo de Donald Trump.
Na gravação, Dallagnol mencionou relatos divulgados pela imprensa e uma publicação do investidor mexicano Simon Levy para sustentar a hipótese de que autoridades americanas teriam participado de uma operação para proteger o senador.
A alegação não foi confirmada de forma independente no material reunido.
A coluna chama de fuga, mas a verdade, gente, é que no contexto atual de perseguição judicial no Brasil e especialmente na América Latina, isso aqui tem um outro nome, é exílio político", declarou.
Dallagnol também criticou a rapidez da decisão de Alexandre de Moraes que determinou a entrega dos passaportes e sugeriu que a investigação poderia ser usada como instrumento de pressão política.
Moraes ia usar uma prisão, uma perseguição, uma investigação contra o Flávio Bolsonaro como uma arma, como uma moeda de troca, como refém para que não sofresse o processo de impeachment", afirmou.
O senador eleito comparou ainda a situação de Flávio à do opositor venezuelano Edmundo González, que deixou a Venezuela após receber uma ordem de prisão em 2024.
Quando o principal líder da oposição deixa o próprio país antes de uma prisão que os aliados esperavam a qualquer momento, isso sinaliza uma ditadura plena no Brasil.
Ao final do vídeo, Dallagnol pediu orações pela família Bolsonaro e questionou seus seguidores sobre a possibilidade de Trump conceder asilo político a Flávio.
O deputado federal eleito criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes de determinar a apreensão dos passaportes de Flávio e acusou integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguição política.
Nós não vivemos em um período de normalidade democrática. Basicamente, alguns ministros do Supremo Tribunal Federal usam a justiça para perseguir pessoas, deturpam o papel constitucional para perseguir seus inimigos políticos e o Flávio Bolsonaro agora vai ser perseguido também por conta disso", afirmou.
Também orientou apoiadores a evitarem manifestações sem convocação prévia e a terem cautela com publicações nas redes sociais.
O parlamentar afirmou ainda que pretende pedir a anulação da eleição, sob alegações de abuso de poder econômico e compra de votos. Depois da confirmação da fuga, Pavanato escreveu em um post: "Xandão até tentou, mas não conseguiu.
O governador eleito do Rio Grande do Sul afirmou, durante entrevista coletiva, que não havia conversado com Flávio e que não tinha informações sobre sua saída do país.
Também questionou a decisão de determinar a entrega dos passaportes do senador logo após a derrota eleitoral.
Também achei estranho um dia após [...] as eleições quererem tirar o passaporte dele. [...] Fariam o mesmo se ele tivesse ganho?", questionou.
O influenciador e empresário agradeceu a Flávio pela campanha presidencial e demonstrou apoio ao senador em uma publicação nas redes sociais. "Não é fuga! É exílio", diz a imagem do post.
Obrigado por nos fazer acreditar num Brasil diferente. Continue lutando por nós", escreveu. Também agradeceu aos eleitores que apoiaram o candidato.
O senador publicou mensagens em inglês nas redes sociais em que acusou o governo Lula de perseguição política e questionou a rapidez do pedido de apreensão dos passaportes de Flávio.
Em uma das publicações, mencionou uma fala de Lula durante debate presidencial, na qual o petista teria advertido o adversário sobre a perda da imunidade parlamentar.
Vocês entendem agora por que, apenas sete minutos depois de a Justiça Eleitoral declarar Lula vencedor, a Polícia Federal, sob seu governo, solicitou a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro?", escreveu, em tradução livre.
O senador eleito afirmou que o que importa é Flávio e sua família estarem em segurança. "Líderes presos e incomunicáveis nada podem fazer", disse.
O deputado federal eleito Alfredo Gaspar (PL) (1), vice na chapa presidencial, a ex-presidente da Caixa, Daniella Marques (4), o senador eleito Guilherme Derrite (PL-SP) (6), o governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL) (10), o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) (11) e o advogado Frederick Wassef (14), ainda não se manifestaram nas redes sociais sobre a saída do senador do Brasil.
O deputado afirmou esperar que Flávio não tenha a prisão decretada. Na avaliação dele, uma eventual ordem de prisão poderia ajudar a mobilizar novamente os apoiadores do senador.
Espero que Flávio não tenha sua prisão decretada, pois todo esse teatro é para construir uma narrativa! Ao contrário de quando perderam em 2022, agora eles não estão conseguindo se manter unidos e nem mobilizados após a derrota", escreveu.
Janones argumentou ainda que a prisão poderia alimentar um discurso de perseguição política.
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência (PSOL) criticou a saída de Flávio do Brasil e afirmou que o senador abandonou os eleitores que confiaram nele.
Flávio fugiu porque deve. Ele fugiu porque é covarde. Porque pela primeira vez em 20 anos ele não tem um cargo público para se blindar dos seus crimes", declarou.
Boulos também disse esperar que os eleitores de Flávio repensem o apoio à família Bolsonaro. "Você não precisa, por isso, passar a gostar do Lula, da gente, da esquerda, mas sobre uma coisa: quem abandona os seus no meio da estrada não merece a confiança de ninguém.
A deputada eleita ironizou o fato de Flávio ter deixado o Brasil após afirmar, durante a campanha, que permaneceria no país independentemente do resultado eleitoral.
Eita como não sustenta a palavra... Passou a campanha dizendo que não sairia do Brasil, mas, depois da derrota eleitoral, tentou ir para os Estados Unidos enquanto a polícia pedia a entrega dos passaportes no âmbito de uma investigação.
A parlamentar também mencionou as investigações que envolvem o senador, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a plataformas de apostas on-line e irregularidades no financiamento do filme Dark Horse.
O deputado federal eleito ironizou a chegada de Flávio aos Estados Unidos e lembrou a promessa do senador de não deixar o país.
Depois de receber milhões de um banqueiro corrupto, advogar para o assassino de uma criança, ensaiar uma tentativa de golpe, tomar uma lavada na eleição e dizer que não iria fugir, ele fugiu para a terra do Mickey.
Também afirmou que Flávio deixou para trás "60 milhões de pessoas que por algum motivo confiaram nele.
O senador comparou a saída de Flávio do Brasil ao discurso feito por Lula quando o petista se entregou à Polícia Federal para cumprir prisão. Na publicação, questionou a conduta do senador.
Flávio, você fez um juramento ao assumir o mandato de senador. Jurou respeitar a Constituição e defender os interesses do povo brasileiro. Então, eu te pergunto: por que agir contra os interesses da própria nação que você jurou representar.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) classificou a fuga de Flávio como "ininteligível" durante conversa com jornalistas no Palácio da Alvorada, na terça-feira (27), após a celebração do aniversário de Lula.
Nunca vi isso. Quem perde eleições agradece os eleitores, cumprimenta o adversário. E vida que segue, é a democracia. Ininteligível", afirmou.
A senadora eleita criticou Flávio por deixar o Brasil depois da derrota eleitoral e afirmou que o senador descumpriu a promessa de permanecer no país.
A valentia de Flávio acabou na intimação: prometeu ficar, desobedeceu à Justiça e fugiu para os EUA. Lula tem razão: é uma vergonha! Usa a bandeira brasileira para pedir voto e a americana para se esconder.
Perdeu? Respeite as urnas. O Brasil não se dobra aos Bolsonaro.
A senadora afirmou que a saída de Flávio repete um comportamento da família Bolsonaro, que, segundo ela, alega perseguição política para evitar investigações.
O roteiro da família Bolsonaro se repete: fogem de investigações enquanto alegam perseguição e apostam em uma encenação. Flávio Bolsonaro escolheu, por livre e espontânea vontade, fugir para os Estados Unidos em vez de se colocar à disposição da Justiça brasileira com a seriedade necessária.
A parlamentar também defendeu a continuidade das investigações envolvendo o senador.
As investigações sobre possíveis irregularidades no financiamento do filme sobre seu pai e as suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz devem prosseguir, independentemente de onde o senador esteja.
O povo brasileiro tem o direito de conhecer a verdade.
O senador Humberto Costa (PT-PE) acusou Flávio de fugir da Justiça e abandonar seus eleitores.
Fugiu. Mais um Bolsonaro covarde deixa o Brasil pela porta dos fundos, como bandido. Trai aqueles que confiaram nele. Foge não do país, mas da Justiça para não ter que responder pelos crimes de que é acusado.
Costa também relacionou a saída à determinação da Polícia Federal para que Flávio entregasse seus passaportes.
E faz isso um dia depois de ser intimado a devolver os passaportes pela PF e dizer que a medida era absurda. Aí está a prova: tava tudo armado.
A deputada também comparou a fuga de Flávio ao momento em que Lula se entregou para cumprir prisão.
Senhoras e senhores: o presidente do Brasil. O outro, não passa de criminoso e fugitivo da democracia e da justiça brasileira", escreveu.
A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, questionou o compromisso de Flávio com o país diante da decisão de deixar o Brasil.
O episódio levanta uma questão sobre seu projeto presidencial: qual era o compromisso com o país e qual era o interesse em sua própria proteção diante das investigações.
O Brasil merece respostas. Ninguém está acima da lei.
O presidente do PT, Edinho Silva, e o ministro Camilo Santana compartilharam um vídeo publicado pelo partido com críticas a Flávio.
Flávio Bolsonaro não respeita nem o próprio eleitor… Traidor da pátria e covarde, deixou para trás um rastro de crimes sem resposta", afirma a legenda da publicação.
O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT) (3), a primeira-dama Janja da Silva (4), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT) (7), e Lu Alckmin (10), esposa do vice-presidente Geraldo Alckmin, ainda não se manifestaram nas redes sociais sobre a fuga de Flávio Bolsonaro.
Em números
- Se um candidato a presidente que recebe 60 milhões de votos precisa (supostamente) sair do país, que
- Flávio Bolsonaro recebeu quase 60 milhões de votos
- Também afirmou que Flávio deixou para trás "60 milhões de pessoas que por algum motivo confiaram nele
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