A coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, pediu ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que determine à Meta a retirada de uma rede de 255 perfis apontados como automatizados ou inautênticos.
A coligação pediu ainda a recomposição do alcance de conteúdos da campanha que teriam sido prejudicados pela plataforma.
A campanha já havia acionado a Justiça Eleitoral nesta quarta-feira (14) questionando, entre outros pontos, o alcance de publicações do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o funcionamento da ferramenta Meta AI.
Agora, a coligação pede providências diretamente à Presidência do tribunal. Segundo a campanha, a Meta descumpre o plano de conformidade apresentado à Justiça Eleitoral.
Campanha de Lula aciona TSE e acusa Meta de favorecer Flávio Bolsonaro.
Entre as medidas solicitadas, a coligação quer que a Meta seja notificada para, em até seis horas, cessar as irregularidades apontadas e comprovar o cumprimento das determinações.
Campanha pede recomposição em dobro.
No caso da perda de alcance, a campanha pede a “recomposição do alcance dos conteúdos dos perfis oficiais da Coligação e de seu candidato, mediante entrega corretiva integralmente custeada pela plataforma, em volume equivalente ao dobro da perda apurada”.
Segundo a petição, a perda seria calculada pela diferença entre a distribuição que os conteúdos teriam na ausência dos incidentes apontados e as impressões efetivamente entregues.
Caso o pedido de recomposição em dobro não seja aceito, a coligação solicita, alternativamente, a recomposição simples, equivalente à perda apurada.
A discussão ocorre no momento em que Nunes Marques também ouve as campanhas sobre a atuação das plataformas digitais.
Durante o encontro, o presidente do TSE também ouviu queixas dos advogados sobre a atuação da Meta e deve se reunir com representantes da plataforma ainda nesta manhã.
Segundo interlocutores, entre as demandas estão a igualdade de tratamento entre os candidatos em relação a algoritmos e ferramentas de inteligência artificial e o combate ao impulsionamento irregular de conteúdos.
De acordo com a petição, o levantamento atribuiu à rede 58,6 milhões de visualizações no mês monitorado e afirma que ela foi utilizada para publicar conteúdos contra Lula, o Partido dos Trabalhadores (PT) e a primeira-dama.
A coligação pede a remoção ou indisponibilização imediata das contas que classifica como automatizadas ou inautênticas.
Também solicita informações sobre os meios técnicos utilizados pela plataforma para identificar redes coordenadas e sobre as providências adotadas.
A campanha de Lula acusou a Meta de restringir o alcance de publicações ligadas ao presidente e a seus apoiadores enquanto conteúdos associados à candidatura adversária teriam distribuição ampliada.
A coligação também questionou o alcance de publicações de Nikolas Ferreira e pediu esclarecimentos sobre os critérios de recomendação de conteúdo da plataforma.
A petição apresentada à Presidência do TSE também aponta que a conta de anúncios da campanha de Lula chegou a ser desabilitada.
Segundo o documento, a Meta reconheceu anteriormente que duas restrições haviam sido “erroneamente tratadas como graves”.
Outro ponto é o funcionamento da Meta AI. Segundo a campanha, testes realizados na ferramenta indicaram tratamento diferente para pedidos relacionados às duas candidaturas.
A coligação pede que a Meta aplique os mesmos critérios de segurança e de conformidade eleitoral a todos os candidatos.
A petição também cita levantamentos sobre conteúdos políticos produzidos com inteligência artificial durante período em que a circulação desse tipo de material era vedada pelas regras eleitorais, além de anúncios que, segundo a coligação, teriam sido contratados do exterior ou por pessoas não autorizadas.
Além da retirada de conteúdos e da recomposição de alcance, a campanha pede que a Meta preserve registros relacionados à entrega, moderação e anúncios e apresente relatório diário sobre as providências adotadas até 25 de outubro.
Esta reportagem está em atualização.
Em números
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