Em posts recentes sobre reportagens de Educação nas redes sociais do g1, foram feitos comentários como.
- Educação infantil: desvalorização social em relação ao papel dos pedagogos.
- Ensino fundamental I: auge da perda de autoridade do professor em sala (93,4% dos docentes apresentam essa queixa).
- Ensino fundamental II: núcleo mais vulnerável. Maiores percentuais de esgotamento, de problemas de relação com as famílias e de intenção de abandonar a profissão.
- Ensino médio: mais trabalho fora do expediente, percepção de piora severa na atenção dos alunos, desrespeito dos adolescentes.
Dia dos Professores: quem cuida dos docentes.
Neste 15 de outubro, Dia dos Professores, você lerá o que os autores destes comentários têm a dizer sobre o desamparo sentido por docentes no Brasil.
É claro que há variações de escola para escola, de rede para rede. Mas o eixo central de todos os depoimentos segue um roteiro parecido: profissionais que cuidam de dezenas de crianças e adolescentes, mas que não se veem cuidados por absolutamente ninguém.
Nenhum deles quer ser visto como “coitadinho”, isso fica claro. O que eles demonstram é uma revolta com o descompasso entre a importância da atividade que desempenham e as condições nas quais precisam trabalhar.
De Santo André, no ABC paulista, Janaína Jascone, de 43 anos, comentou em uma publicação do g1.
Ela conta que, além de ter um número excessivo de turmas na escola pública onde trabalha, cada classe é superlotada.
Hudson Araújo, que leciona história na rede estadual de Roraima, acrescenta que a lista de atribuições dos docentes só aumenta — somando-se à pressão e à cobrança crescentes.
Agressões, indisciplina e descredibilização.
A pesquisa “O Estado do Professor Brasileiro”, do Instituto Casagrande, mapeou quais são os maiores desafios enfrentados pelos docentes em cada etapa de ensino.
A união entre professor e família está cada vez mais frágil, apontam os docentes entrevistados.
Maria, que cumpria contrato temporário, decidiu se afastar do trabalho após o nascimento de seu bebê. Quando fala da possibilidade de retomar a carreira, chora.
Diz que amava o que fazia, mas que não consegue mais se imaginar novamente em sala de aula.
Ela relata que se sentia sob vigilância constante. Uma atividade infantil para refletir sobre mudanças necessárias em um parquinho, por exemplo, foi motivo para ouvir reclamações de que estaria doutrinando seus alunos.
Essa sensação é mencionada também por Hudson, que trabalha com adolescentes.
Leviston dá aula de ciências em uma escola sem laboratório. Essa é a realidade de 80% dos colégios públicos no ensino fundamental II, aponta o Anuário Brasileiro da Educação Básica, da ONG Todos Pela Educação.
Janaína, que dá aula de inglês na rede pública, tentou elaborar um projeto criativo que engajasse os alunos. Eles ficaram animados com a proposta, dedicaram-se a gravar vídeos curtos dentro da proposta.
mas, no dia de mostrarem o resultado para os colegas, o sistema tecnológico da escola não funcionou.
É comum que as soluções sejam encontradas individualmente pelos docentes — e com o dinheiro deles próprios.
Maria tinha um aluno com deficiência que responderia melhor às aulas se visse imagens mais realistas no material pedagógico. A escola, no entanto, não permitia a impressão colorida.
A inclusão de alunos com deficiência também é prejudicada pela falta de apoio aos docentes, conta Leviston.
O levantamento Education at a Glance 2026, elaborado pela OCDE e divulgado em setembro, mostrou que somente 22,3% dos professores dos anos finais do ensino fundamental se dizem satisfeitos com o salário que recebem.
É um dos piores índices registrados entre os países avaliados.
Por mais que a criação de um piso nacional do magistério tenha trazido avanços, os docentes percebem um descompasso entre o que fazem e quanto ganham.
E professores não trabalham apenas no período em que estão na escola: precisam planejar aulas, corrigir provas e acompanhar a evolução de cada aluno.
Abaixo, veja quais foram as reivindicações feitas pelos professores ouvidos nesta reportagem.
Luciléia Ramos, professora de artes em Praia Grande (SP), comentou sobre isso em um post do g1.
Maria cita o que seria necessário para voltar a dar aula e relembra a esperança que sentia quando prestou vestibular para Pedagogia.
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…