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Economia

Seguradoras provavelmente não vão cobrir perdas de mercados franceses com ataque hacker

Apólices costumam excluir danos materiais causados por invasões digitais

4 min de leitura
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Londres e Paris | Reuters Supermercados franceses estão enfrentando prejuízos milionários após um ataque digital contra sistemas de refrigeração os obrigar a descartar alimentos.

E os seguros não cobrirão os prejuízos, disseram seguradoras à Reuters.

Hackers, cuja identidade permanece desconhecida, assumiram o controle das unidades de refrigeração de cerca de 350 supermercados franceses na noite do último domingo (11), elevando a temperatura das geladeiras e freezers conectados à internet para 50°C.

Os custos totais do ataque podem chegar a dezenas de milhões de euros em todo o país, estimou Thierry Cotillard, presidente da Les Mousquetaires, dona da rede de mercados Intermarché.

Ele afirmou que os supermercados iniciarão uma batalha judicial para determinar quem é o responsável pelas perdas.

Freezers vazios em supermercado na cidade de Névez, na França - Fred Tanneau - 12.out. 26/AFP O seguro para danos causados por eventos digitais normalmente não cobre perdas físicas decorrentes de ataques.

Os pedidos de indenização dos supermercados também podem ser prejudicados caso eles não tenham atualizado os softwares dos equipamentos invadidos, disseram quatro corretores de seguros à Reuters.

Se um agente estatal for identificado como responsável pelo ataque, isso também poderá complicar os pedidos de indenização, pois as apólices para danos eletrônicos normalmente não cobrem atos de guerra, segundo um agente do setor, que pediu anonimato por não estar autorizado a se pronunciar publicamente.

Há anos empresas defendem a adoção da chamada "Internet das Coisas" para conectar diferentes tipos de aparelhos, alegando que isso traria mais produtividade e economia de custos.

Mas isso as expôs a novas ameaças de segurança, agravadas por avanços tecnológicos, incluindo a inteligência artificial.

Entre 2020 e 2025, os ataques digitais na França, Alemanha, Itália e Espanha custaram mais de 300 bilhões de euros em perdas, estima a corretora de seguros Howden.

David Molony, chefe da área de riscos digitais da corretora de seguros Aon, disse que recomenda às empresas de alguns setores, incluindo varejo e farmacêutico, uma cobertura específica para mercadorias perecíveis que precisam ser armazenadas em condições físicas rigidamente controladas.

As apólices de seguro para riscos eletrônicos dos supermercados podem cobrir alguns custos, como investigações internas ou a contratação de consultores de relações públicas, mas normalmente excluem perdas físicas.

A Intermarché informou à agência de notícias AFP na segunda-feira (12) que seu seguro não cobre esse tipo de incidente. Questionada pela Reuters, a Les Mousquetaires não comentou sobre seus acordos de seguro.

Carrefour, Monoprix, Coopérative U e E. Leclerc não se manifestaram.

O ataque afetou geladeiras que utilizam software fornecido pela empresa dinamarquesa Danfoss, bem como pela Copeland e pela Dixell, informou a agência francesa de segurança digital.

A Danfoss afirmou que muitos dos aparelhos afetados utilizavam software desatualizado ou "chegaram ao fim da vida útil e não recebem mais atualizações de software ou de segurança.

Normalmente, uma empresa que contrata uma apólice de seguro digital declara sua política em relação às atualizações de software, por exemplo, comprometendo-se a realizar atualizações críticas em um determinado prazo, disse Emma Pleut, chefe da área para a França na WTW.

Os varejistas estão cada vez mais buscando seguros digitais que cubram danos físicos, afirmou Molony, da Aon. Essas apólices já são utilizadas nos setores de energia, carga marítima e defesa.

Ataques digitais recentes contra varejistas no Reino Unido e na França também podem levar a prêmios mais altos, afirmaram as seguradoras.

Questionada se os varejistas europeus podem enfrentar preços mais altos de seguro após os ataques, Sydonie Williams, chefe de riscos eletrônicos internacionais da Beazley, disse acreditar que isso pode acontecer.

Paul Gooch, vice-chefe de departamento da Tokio Marine Kiln, disse que espera um maior foco em coberturas que abordem especificamente as perdas físicas decorrentes de ataques.

O recente ataque deve servir como um alerta para aqueles que subestimam as possíveis consequências físicas de incidentes cibernéticos", disse ele.

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