O crescimento exponencial da geração solar conectada à rede de distribuição deve arrefecer com a eliminação gradual dos subsídios cruzados.
A exceção a essa desaceleração poderá vir de um cenário prospectivo: uma queda drástica no custo das baterias que torne viável, em regiões de menor densidade, a desconexão total da rede.
Fora dessa possibilidade, a expansão solar continuará onde a vantajosidade for determinada pela sua adequação aos diferentes usos, não mais pela subvenção tarifária.
No Brasil, adaptação climática significa, em grande medida, a expansão do uso do ar-condicionado. Em áreas carentes, esse aumento do consumo de energia, somado à alta demanda do chuveiro elétrico, impõe um duplo desafio às distribuidoras: reforçar a rede e receber pelo serviço de famílias sem renda suficiente para pagar a conta de luz.
Nesse cenário, é recomendável que as distribuidoras ampliem a instalação de aquecedores solares de água —que custam menos do que os painéis fotovoltaicos—, com o amparo do Programa de Eficiência Energética da Aneel, reduzindo a sobrecarga no horário de pico e permitindo que as famílias direcionem recursos para o indispensável conforto térmico.
Nas comunidades isoladas da amazônia, hoje dependentes do fornecimento a diesel custeado por todos os consumidores via Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), os sistemas fotovoltaicos isolados mantêm relevância estratégica.
A maioria das instalações atuais limita-se a atender cargas domésticas mínimas e iluminação.
Contudo, redirecionar uma fração do dispêndio anual em combustível fóssil para o reforço da capacidade solar e de armazenamento dessas microrredes permite viabilizar atividades produtivas locais —como refrigeração de pesca e processamento agrícola—, convertendo um subsídio assistencialista contínuo em investimento com retorno socioeconômico permanente.
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