A corrida pela inteligência artificial já ultrapassou o campo da tecnologia e passou a influenciar decisões sobre energia, minerais estratégicos e exploração espacial.
Essa foi a principal provocação levada por Sérgio Sacani ao encerramento do Siará Tech Summit, ao relacionar o avanço da IA às novas disputas geopolíticas globais.
Geofísico, pesquisador e divulgador científico, Sacani apresentou o que chamou de “triângulo do futuro”, formado por inteligência artificial, exploração da Lua e terras raras.
Quem dominar isso vai dominar o planeta”, afirmou.
Segundo ele, uma das principais questões está na quantidade crescente de infraestrutura necessária para sustentar os sistemas de IA. Quanto mais complexos os modelos, maior a demanda por capacidade de processamento, chips, data centers, energia e água para resfriamento.
Sacani destacou que essa infraestrutura transforma energia e matérias-primas em elementos estratégicos. Na avaliação dele, o avanço da inteligência artificial tende a aumentar significativamente o consumo energético global nos próximos anos, pressionando países a buscar novas fontes e ampliar sua capacidade de geração.
É nesse cenário que entram as chamadas terras raras e outros minerais críticos utilizados na fabricação de componentes tecnológicos. “Os nossos celulares são compostos por uma quantidade enorme desses minerais.
E eles também estão presentes na indústria de defesa e no desenvolvimento dos chips”, afirmou.
Durante a palestra, Sacani chamou atenção para o papel que o Brasil pode ocupar nesse mercado. Segundo ele, o País possui grandes reservas de terras raras, o que amplia sua importância em uma cadeia global cada vez mais estratégica para tecnologia, defesa e inteligência artificial.
A exploração espacial também passa a integrar essa equação. Para Sacani, o interesse crescente de países como Estados Unidos e China pela Lua não está relacionado apenas à pesquisa científica, mas também ao acesso futuro a recursos capazes de sustentar novas tecnologias e matrizes energéticas.
Ao conectar inteligência artificial, chips, energia, minerais críticos e exploração espacial, Sacani reforçou que a transformação tecnológica também está reorganizando relações econômicas e políticas entre os países.
Para ele, o avanço da IA não deve ser analisado apenas pelo que ferramentas digitais já conseguem fazer hoje, mas também pela infraestrutura necessária para sustentá-las e por quem será capaz de controlar os recursos estratégicos que movimentam essa nova economia.
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