Lucimara Garcia do Nascimento de Freitas, de 35 anos, foi encontrada morta na madrugada de quarta-feira (21) em um trecho da Marginal Tietê, na Zona Norte de São Paulo.
Nascida em Camanducaia, em Minas Gerais, ela tinha um filho de 1 ano.
O corpo dela foi encontrado esquartejado dentro de sacos plásticos pretos, em diferentes pontos de uma área gramada nas proximidades do acesso à Avenida Educador Paulo Freire, na região do Parque Novo Mundo.
Policiais militares faziam patrulhamento quando tentaram abordar um homem que estava em um canteiro da via. Segundo o boletim de ocorrência, ele teria desobedecido à ordem de parada e atirado contra os policiais.
Dois policiais revidaram, e o homem foi baleado e morreu no local. Após o confronto, os agentes fizeram buscas nas imediações e encontraram o corpo de Lucimara.
As autoridades consideram provável que o homem morto no confronto tivesse relação com o corpo encontrado — ele seria o responsável por abandonar os sacos com as partes do corpo, que foram encontrados em três pontos diferentes, com uma distância de aproximadamente 20 metros entre um e outro.
A perícia identificou tatuagens em diversas partes do corpo e uma tornozeleira de cordão na perna direita.
Segundo a perícia, alguns ferimentos no tronco não apresentavam sinais de sangramento, o que levantou a possibilidade de terem sido feitos após a morte, mas a conclusão depende dos exames periciais.
O registro foi feito pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que instaurou inquérito para apurar o homicídio e a ocultação do cadáver de Lucimara.
O homem morto durante a intervenção policial ainda não havia sido identificado no boletim de ocorrência. Ele foi descrito como adulto, com idade estimada entre 20 e 30 anos, e apresentava seis ferimentos provocados por disparos de arma de fogo.
A Polícia Civil também solicitou a análise das imagens das câmeras corporais utilizadas pelos policiais militares durante a ocorrência.
O corpo de Lucimara é um dos 20 encontrados abandonados na capital e em cidades da Grande São Paulo desde 10 de setembro.
Nesta quinta-feira (22), outro corpo foi encontrado na Marginal Tietê, na capital. Segundo o Corpo de Bombeiros, a vítima era do sexo masculino.
Na quarta (21), a PM encontrou um corpo dentro do porta-malas de um carro abandonado em uma área de mata na Estrada Borba Gato, em Itapecerica da Serra. O corpo, que apresentava sinais de tortura e estava envolto em cobertas.
Dos 19 casos contabilizados anteriormente pela TV Globo, quatro ocorrências foram registradas na Zona Sul da capital, quatro, na Zona Leste, três, na Zona Norte e duas, na Zona Oeste.
Outros quatro casos ocorreram em municípios do ABC Paulista. Também houve registros em Embu das Artes e Santana de Parnaíba.
Polícia descarta ação de 'serial killer.
Apesar da sequência de casos e dos boatos que circulam nas redes sociais, a Polícia Civil voltou a descartar que as mortes tenham sido cometidas por um "serial killer.
A principal hipótese dos investigadores é que a maior parte dos crimes esteja relacionada ao crime organizado.
De acordo com a polícia, há suspeita de que as mortes tenham sido cometidas no contexto do "tribunal do crime", como é conhecido o sistema clandestino usado por facções criminosas contra pessoas acusadas de desrespeitar regras, podendo resultar em punições como agressões e até execuções.
Parte das vítimas tinha passagens criminais anteriores. A investigação não descarta o envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) e de outros grupos criminosos nos homicídios.
Polícia de SP investiga 17 corpos encontrados em pouco mais de 1 mês.
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