O combate aos incêndios no oeste do Pará vai ganhar o reforço da Força Nacional e da Polícia Federal, que também vão investigar quem está provocando o fogo. As medidas foram detalhadas nesta quinta-feira (22), em coletiva virtual com representantes de ministérios e órgãos federais.
De acordo com o Inpe, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Pará tinha, na última segunda-feira, 922 focos ativos, o maior número do país. Em Uruará e São Félix do Xingu, municípios mais críticos, o último boletim de 18 de outubro somou 1.
713 focos de calor e cerca de 3,7 mil hectares queimados.
A ação abrange a macrorregião de Santarém e deve se intensificar até o fim de semana. O ICMBio, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, enviou seis aviões que lançam água sobre as chamas e a Força Nacional vai garantir o trabalho dos brigadistas, que enfrentam resistência de invasores em algumas áreas.
Até agora, o Ibama e o ICMBio apagaram 184 incêndios no estado.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, explicou por que as chamas se concentram em áreas de disputa por terra.
O ministro acrescentou que não há fogo natural na Amazônia nesta época e lembrou que qualquer uso de queimada está proibido, até mesmo para limpar o pasto. As ocorrências são apuradas pela Abin, a Agência Brasileira de Inteligência, pela PF e pelo Ibama, que notificou mais de dez mil propriedades rurais do Pará com incêndios repetidos.
No Amazonas, onde polícias e órgãos ambientais atuam em conjunto, cerca de 14 pessoas foram presas em flagrante. O governo espera resultados semelhantes no Pará em breve.
Sobre incêndios em assentamentos de reforma agrária, a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiavelli, apresentou um balanço dos danos e as providências do ministério.
Fernanda Machiavelli afirmou que parte dos lotes foi tomada por pessoas alheias ao público da reforma agrária, que adotam práticas irresponsáveis no manejo da terra.
A ministra destacou que já há ações na Justiça para retirá-las das áreas invadidas.
Na terra indígena Apyterewa, a Funai encaminhou à Polícia Federal áudios que circulam sobre uma possível nova invasão do território após as eleições.
Na terra indígena Ituna Itatá, também atingida pelo fogo, a Funai pediu o envio da Força Nacional por causa da presença de não indígenas e aguarda autorização do governo do Pará.
Em números
- 713 focos de calor e cerca de 3,7 mil hectares queimados
- No Amazonas, onde polícias e órgãos ambientais atuam em conjunto, cerca de 14 pessoas foram presas em flagrante
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