Além do pagamento, a Meta concordou em modificar a maneira como crianças e adolescentes utilizam seus aplicativos. Entre as medidas estão a criação de limites diários de tempo, o aumento dos controles parentais e a interrupção do acesso durante o horário escolar.
Lista completa
- A Meta estabeleceu no acordo um mecanismo financeiro para incentivar YouTube e TikTok a aderirem às mesmas regras.
- O valor-base do acordo é de US$ 12 bilhões (R$ 61,9 bilhões). A Meta concordou inicialmente em limitar a duas horas diárias o tempo de uso de seus aplicativos por crianças.
- Caso YouTube e TikTok também adotem limite de uma hora por dia, a Meta reduzirá seu próprio limite para uma hora.
- O acordo prevê ainda que, se as duas empresas concorrentes pagarem juntas US$ 5 bilhões (R$ 25,8 bilhões) aos estados, a Meta assumirá os cerca de US$ 5 bilhões restantes que prometeu pagar.
- Não está claro qual mecanismo seria necessário para garantir que YouTube e TikTok aceitem participar desse arranjo.
- Meta é denunciada por publicidade abusiva em escolas.
- Meta pode levar multa bilionária da UE após teste achar 122 golpes.
- Meta fecha acordo de US$ 18 bilhões sem mudar seu negócio.
A empresa também deverá deixar de enviar notificações push para crianças durante as aulas e reforçar mecanismos de verificação de idade.
As mudanças podem reduzir o nível de interação dos usuários mais jovens com os aplicativos da Meta. Por isso, a companhia busca fazer com que seus principais concorrentes adotem restrições semelhantes.
Até o momento, as duas empresas não demonstraram publicamente que irão aderir à proposta. O YouTube se recusou a comentar, enquanto representantes do TikTok não responderam aos pedidos de manifestação do The New York Times.
Pouco depois de anunciar o acordo, a Meta publicou uma carta aberta direcionada ao TikTok e ao YouTube, intitulada “Uma carta aberta ao TikTok e ao YouTube para que se juntem a nós no apoio aos adolescentes”.
Na publicação, a empresa pediu que as duas plataformas adotem restrições semelhantes às que a Meta terá de implementar. A companhia afirmou que pretende liderar o que chamou de “novo padrão da indústria” para a segurança infantil na internet.
Segundo a Meta, as proteções só serão realmente eficazes se forem adotadas também pelos concorrentes.
Pressão sobre empresas de tecnologia.
A discussão ocorre depois de anos de pressão sobre as grandes plataformas de tecnologia para que adotem medidas de proteção a crianças e adolescentes. Durante esse período, empresas do Vale do Silício conseguiram, em grande parte, transferir a responsabilidade pela segurança dos menores para os pais, destacando ferramentas de controle parental.
Enquanto YouTube e TikTok fechavam acordos em processos relacionados ao tema, alguns executivos da Meta passaram a temer que os críticos da empresa estivessem se aproximando, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pelo Times sob condição de anonimato.
Sete dias depois do início do julgamento mais recente, a Meta decidiu chegar a um acordo.
Valor do acordo é menor diante do tamanho da Meta.
Além disso, os pagamentos aos estados serão distribuídos ao longo de dez anos.
Para Lisa Strohman, psicóloga clínica e fundadora da Digital Citizen Academy, organização dedicada a questões relacionadas ao vício e ao uso excessivo de tecnologia, o valor não representa necessariamente uma punição proporcional ao tamanho da empresa.
As mudanças nos aplicativos, por outro lado, podem representar um problema mais significativo para a empresa. Limitar o tempo de utilização, interromper notificações durante o horário escolar e reforçar os mecanismos de verificação de idade podem reduzir o engajamento dos usuários mais jovens.
Críticos acusam Meta de buscar boa imagem.
O movimento da Meta para convencer concorrentes a adotar as mesmas regras também é alvo de críticas.
Sacha Haworth, fundador e diretor-executivo do Tech Oversight Project, organização sem fins lucrativos que monitora empresas de tecnologia, classificou a estratégia como uma tentativa de melhorar a imagem pública da companhia.
A empresa, porém, pretende reforçar publicamente sua mensagem sobre segurança de adolescentes.
Nesta quinta-feira (27), a Meta planejava publicar anúncios de página inteira no The Washington Post, Los Angeles Times e no Times. Segundo a companhia, a campanha tem como objetivo “empoderar os pais e apoiar os adolescentes”.
O movimento ocorre enquanto a Meta tenta convencer TikTok e YouTube de que as novas restrições precisam ser aplicadas de forma ampla para evitar que apenas uma parcela das plataformas tenha de limitar o acesso de usuários jovens.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.