Vídeos mostram juiz do Paraná que atuou na Lava Jato furtando garrafas de champanhe.
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- ENTENDA: Por que Eduardo Appio foi afastado da 13ª Vara Federal de Curitiba.
A Corte Especial Administrativa do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) determinou, nesta quinta-feira (27), a perda do cargo sem direito a salário ao juiz federal Eduardo Appio, suspeito de furtar garrafas de champanhe em um supermercado de Blumenau, Santa Catarina.
A decisão foi tomada pela maioria dos desembargadores, 14 votos a dois. Agora, ela vai para avaliação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Appio estava afastado provisoriamente do cargo há cerca de 8 meses, quando a suspeita do furto de garrafas de champanhe veio à tona, em outubro de 2025.
Até então, o juiz atuava na vara responsável por processos previdenciários. Em 2023, o magistrado atuou nos processos da Lava Jato. Ele foi afastado da operação pelo CNJ e, posteriormente, teve a transferência definitiva da função.
O g1 procurou Eduardo Appio, que não respondeu até a última atualização desta reportagem.
Nas imagens captadas no mercado é possível observar o juiz circulando entre os corredores de camiseta azul e bermuda. Ele para no setor de bebidas e pega uma garrafa de champanhe francesa.
Ele continua andando pelo mercado com a garrafa na mão e, em seguida, coloca a garrafa em uma sacola.
Depois, desce pela rampa rumo ao estacionamento, mas é abordado por dois seguranças antes de sair e volta ao supermercado acompanhado por eles.
Ele é levado a uma sala e um dos seguranças retira a garrafa da sacola e a coloca em cima da mesa. O juiz mostra um cartão aos funcionários, mas o caso foi levado à Polícia Civil de Santa Catarina.
Segundo as investigações, esta não foi a primeira vez que Appio cometeu furto de uma champanhe. As imagens mostram outros dois episódios do mesmo crime.
As investigações apontam que o primeiro caso foi no dia 20 de setembro. Nas imagens é possível ver Appio pegando uma garrafa enquanto segura sacolas. Em outro corredor, ele se abaixa e mexe nas sacolas.
Na sequência, ele vai embora, passando direto pelo caixa, sem pagar nada.
Em outro registro, no dia 4 de outubro, é possível ver o juiz em frente à gôndola de bebidas, segurando algumas sacolas. Ele pega uma garrafa da mesma marca.
Outra câmera registra Appio passando um urso de pelúcia no caixa, mas é possível ver uma garrafa dentro de uma das sacolas. Depois de passar pelo caixa, ele vai embora.
Placa do veículo ajudou a identificar o juiz.
A investigação chegou ao nome do magistrado a partir de um boletim de ocorrência que relatava o furto de duas garrafas de champanhe Moët. O documento cita que o suspeito deixou o local do crime em um carro cuja placa estaria no nome do juiz.
Segundo o documento, o autor do crime seria "um senhor com idade aproximada de 72 anos, que utiliza óculos e possui estatura aproximada de 1,76m" e diz que, após o delito, o suspeito "deixou o local conduzindo um veículo Jeep Compass Longitude D.
O supervisor do supermercado também descreveu a placa do carro. Ao consultar o registro, a polícia constatou que o veículo pertence a Appio.
Após o juiz ser apontado como suspeito do furto, a Polícia Civil passou o caso para o TRF, uma vez que apenas o órgão pode investigar magistrados de primeiro grau.
Em fevereiro de 2023, Appio assumiu a 13ª Vara Federal de Curitiba, berço da Operação Lava Jato, substituindo o ex-juiz Sergio Moro.
Porém, cerca de dois meses depois, o juiz foi afastado após uma representação do desembargador federal Marcelo Malucelli, que afirmou que o filho dele, João Eduardo Barreto Malucelli, recebeu uma ligação telefônica com "ameaças" feitas por Appio.
João Eduardo Barreto Malucelli é sócio de Moro. O pai dele, Marcelo Malucelli, se declarou suspeito para analisar casos que envolvem a Lava Jato em abril daquele ano.
De acordo com o Conselho do TRF-4, há indícios de que Appio tenha feito o telefonema para o filho de Marcelo Malucelli.
Em janeiro de 2024, o CNJ arquivou o processo disciplinar instaurado contra Appio por este episódio, dois meses após o magistrado firmar um acordo no qual admite que teve conduta imprópria – sem detalhar qual foi a conduta.
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