O ministro André Mendonça rejeitou representação de Wilson Grassi, candidato do Democrata (antigo Partido da Mulher Brasileira) à Presidência da República, pedindo que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) obrigasse a Rede Globo a entrevistá-lo no Jornal Nacional.
A emissora informou os partidos políticos, no início do mês, que seriam convidados para a tradicional rodada de entrevistas em horário nobre os cinco candidatos mais bem colocados na pesquisa estimulada de intenção de voto divulgada pelo instituto Quaest em 14 de agosto.
A pesquisa mostrou Lula (38%), Flávio Bolsonaro (31%), Renan Santos (4%) e Ronaldo Caiado (4%) nas quatro primeiras posições e Augusto Cury (2%) e Romeu Zema (2%) numericamente empatados.
Daí a decisão por entrevistar os seis candidatos, de segunda (24) a sábado (29).
Grassi, que não pontuou, reclama que a pesquisa continha uma irregularidade: ela o apresentava ao eleitor como “Wilson Grassi (Democrata)” e não como “Veterinário Wilson Grassi”, seu nome de urna.
De acordo com a defesa do candidato, a ausência da expressão “Veterinário” poderia ter reduzido o reconhecimento de sua candidatura e, consequentemente, sua pontuação na pesquisa.
O pedido para obrigar a Globo a entrevistar Grassi, porém, foi negado por Mendonça. “Embora a argumentação não seja destituída de plausibilidade em perspectiva metodológica abstrata, não há, nesta fase, elementos concretos capazes de demonstrar que a forma de identificação utilizada tenha efetivamente comprometido o resultado da pesquisa”, apontou o presidente do TSE.
Como já mostrou a coluna, Grassi tem apresentado repetitivas representações tentando proibir a divulgação de pesquisas eleitorais que não o apresentem como “Veterinário Wilson Grassi”.
Até aqui, já foram pelo menos 25 representações nesse sentido. Nas em que já houve decisão, o pleito foi rejeitado.
O então Partido da Mulher Brasileira foi fundado em 2008 e, graças a migrações de parlamentares eleitos, chegou a ter 22 deputados na Câmara dos Deputados, em 2015.
Depois, perdeu espaço, a ponto de ter elegido somente 63 vereadores em 2024. No fim do ano passado, sem trocar o comando da legenda, mudou de nome, para Democrata.
Candidato a vereador em 2024 em São Paulo pelo PRTB de Pablo Marçal, Grassi recebeu 2. 777 votos e passou longe de se eleger.